PGR quer que STF apure atos pró-intervenção militar

Paulo Amaral
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Crédito: Ministério Público Federal

Procurador-geral da República, Augusto Aras pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que apure a origem dos atos pró-intervenção militar realizados domingo (19), em Brasília, com participação do presidente Jair Bolsonaro.

O site da PGR (Procuradoria-Geral da República) não disponibilizou, até o momento, a íntegra do pedido de Aras ao Supremo.

Entretanto, a página destaca que foram realizados “atos contra o regime da democracia brasileira por vários cidadãos, inclusive deputados federais, o que justifica a competência do STF.”

Bolsonaro inflama manifestantes

Sem utilizar máscara ou qualquer tipo de equipamento de proteção, Bolsonaro subiu em cima da caçamba de um veículo e, em frente ao Quartel General do Exército, falou com uma multidão de apoiadores que pediam a volta do AI-5.

O presidente não fez qualquer menção aos pedidos de intervenção militar no país, mas, ressaltou o “patriotismo” dos cidadãos que foram às ruas e ignoraram as medidas restritivas adotadas no combate ao coronavírus.

“Eu estou aqui porque acredito em vocês”, bradou, no início de seu discurso de aproximadamente dois minutos e meio de duração.

“Vocês estão aqui porque acreditam no Brasil. Nós não queremos negociar nada. Nós queremos é ação pelo Brasil. O que tinha de velho ficou para trás. Temos um novo Brasil pela frente. Todos, sem exceção, têm que ser patriotas. Acabou a época da patifaria. É agora o povo no poder”, completou.

Reação em cadeia

A atitude do presidente da República causou uma reação em cadeia no meio político e jurídico do país, tanto de apoiadores quanto de opositores de Bolsonaro.

Rodrigo Maia, presidente da Câmara, e um dos alvos dos manifestantes que pediram o fechamento do Congresso, postou no Twitter que “é uma crueldade imperdoável pregar uma ruptura democrática em meio às mortes da pandemia da Covid-19.”

Governador de São Paulo, João Dória rotulou de “lamentável” a atitude de Bolsonaro, enquanto Wilson Witzel, governador do Rio de Janeiro, afirmou que “democracia não é o que Bolsonaro pratica.”

Luis Roberto Barroso, ministro do Supremo, também bateu de frente com o presidente da República e postou que “só pode desejar intervenção militar quem perdeu a fé no futuro e sonha com um passado que nunca houve.”

Gilmar Mendes, também do STF, compartilhou da linha de raciocínio de Barroso e afirmou que “invocar o AI-5 e a volta da ditadura é rasgar o compromisso com a Constituição e com a ordem democrática.”

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Presidente tenta voltar atrás

Em um novo pronunciamento realizado nesta segunda-feira (20), desta vez em frente ao Palácio da Alvorada, Bolsonaro tentou voltar atrás no que disse aos manifestantes.

“Peguem o meu discurso. Não falei nada contra qualquer outro Poder”, argumentou, para, na sequência, silenciar um apoiador que bradava pelo fechamento do Congresso.

“Sem essa conversa de fechar. Aqui não tem que fechar nada, dá licença aí. Aqui é democracia, aqui é respeito à Constituição brasileira. E aqui é minha casa, é a tua casa. Então, peço por favor que não se fale isso aqui. Supremo aberto, transparente. Congresso aberto, transparente”, avisou.

O presidente creditou a “infiltrados” as diversas faixas captadas pelas câmeras com palavras de ordem contra o Congresso, o Supremo e pedindo a volta do AI-5, e disse que essas pessoas estavam apenas “exercendo o direito de liberdade de expressão”.

Bolsonaro voltou a pedir o fim do isolamento “até o final desta semana” e bateu novamente na tecla de que “o povo quer voltar a trabalhar para colocar comida na mesa.”

“Queremos voltar ao trabalho, o povo quer isso. Estavam lá saudando o Exército brasileiro. É isso, mais nada. Fora isso, é invencionice, é tentativa de incendiar uma nação que ainda está dentro da normalidade”, acusou.

Sem responder às questões da imprensa, o presidente da República encerrou seu pronunciamento com uma frase impactante, mas que voltou a gerar debate.

“O pessoal geralmente conspira para chegar ao poder. Eu já estou no poder. Eu já sou o presidente da República. Eu sou, realmente, a Constituição. “No que depender do presidente Jair Bolsonaro, democracia e liberdade acima de tudo.”