Aras faz série de exigências à PF no caso Moro x Bolsonaro

Paulo Amaral
Jornalismo é meu sobrenome: 20 anos de estrada, com passagens por grandes veículos da mídia nacional: Portal R7, UOL Carros, HuffPost Brasil, Gazeta Esportiva.com, Agora São Paulo, PSN.com e Editora Escala, entre outros.
1

Crédito: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

A Procuradoria-Geral da República, por meio de Augusto Aras, avisou ao ministro Celso de Mello a série de exigências que fará à Polícia Federal sobre os próximos passos na investigação envolvendo Moro e Bolsonaro.

A ideia de Aras é que a PF ouça as pessoas envolvidas na denúncia do ex-Ministro da Justiça contra o Presidente da República e, também, recupere provas em áudio ou vídeo que comprovem a suposta tentativa de interferência política de Bolsonaro no órgão.

Segundo Fausto Macedo, colunista do Estadão, entre as exigências do procurador-geral estão as oitivas dos ministros Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), Augusto Heleno Ribeiro Pereira (Gabinete de Segurança Institucional da Presidência) e Walter Souza Braga Netto (Casa Civil), além da deputada federal Carla Zambelli (PSL/SP).

Zambelli, aliás, teve uma conversa por WhatsApp com Moro vazada pelo Ministro ao Fantástico, da Rede Globo, como prova de que ele não estaria aceitando a troca no comando da Polícia Federal por uma vaga no Supremo Tribunal Federal, como chegou a ser dito por Bolsonaro.

Além dos ministros e deputados, Aras também quer ouvir os depoimentos do ex-chefe da Polícia Federal, Maurício Valeixo, e dos delegados Ricardo Saadi, Carlos Henrique de Oliveira Sousa, Alexandre Saraiva, Rodrigo Teixeira e Alexandre Ramagem Rodrigues, que foi indicado por Bolsonaro para o lugar de Valeixo, mas “vetado” pelo STF.

De acordo com o Estadão, Augusto Aras quer ouvir os delegados sobre “eventual patrocínio, direto ou indireto, de interesses privados do Presidente da República perante o Departamento de Polícia Federal, visando ao provimento de cargos em comissão e a exoneração de seus ocupantes”.

Uma das formas mais eficientes de identificarmos o nosso perfil de investidor, é realizando um teste de perfil.

Você já fez seu teste de perfil? Descubra qual seu perfil de investidor! Teste de Perfil

Falsidade ideológica

Sergio Moro também afirmou, durante seu pronunciamento de despedida do Ministério da Justiça, que não havia assinado a exoneração de Maurício Valeixo da Polícia Federal no dia anterior, o que caracterizaria crime de falsidade ideológica por parte do Governo.

Para comprovar a acusação, Augusto Aras solicitou, via PGR, a apresentação dos “comprovantes de autoria e integridade” das assinaturas no ato que exonerou o ex-diretor-geral da PF Maurício Valeixo.

O Diário Oficial da União chegou a publicar uma versão com as assinaturas digitais de Bolsonaro e Moro, mas, após a coletiva do agora ex-ministro, republicou o ato sem a assinatura de Moro, mas com as do presidente Jair Bolsonaro e dos ministros Walter Souza Braga Netto (Casa Civil) e Jorge Oliveira (Secretaria-Geral).

A justificativa oficial do Palácio foi que a republicação ocorreu porque o texto inicial tinha um “erro material”.

Perícia

Augusto Aras também encaminhou um pedido solicitando a “elaboração, observada a cadeia de custódia, de um laudo pericial pelo Setor Técnico-Científico do Departamento de Polícia Federal, a partir da mídia de armazenamento que espelha dados informáticos contidos no celular do ex-ministro Sergio Moro, bem como um relatório de análise das mensagens de texto e áudio, imagens e vídeos nele armazenados”.

Prazo

Augusto Aras manteve o prazo estipulado anteriormente por Celso de Mello para o depoimento de Sergio Moro à Polícia Federal e estabeleceu em cinco dias o limite para que todos os citados prestem seus depoimentos.

Ele também quer que o ministro do STF determine à Secretaria-Geral da Presidência da República o envio de cópia dos “registros audiovisuais” de uma reunião entre Bolsonaro, ministros e presidentes de bancos públicos no Palácio do Planalto, em 22 de abril.

A intenção é demonstrar que foi nesse encontro, como afirmou Moro em seu depoimento, que o presidente Jair Bolsonaro cobrou maior ingerência na PF e, inclusive, relatórios diários sobre o que acontecia no órgão.

Moro afirma que vídeo de reunião pode comprovar interferência na PF