Empresas americanas como Apple buscam reduzir produção na china

Osni Alves
Jornalista | osni.alves@euqueroinvestir.com

Crédito: Divulgação

Por conta da instabilidade e volume de impostos na relação EUA-China, importantes companhias norte-americanas pretendem transferir suas operações do país de Xí Jìnpíng para outras localidades.

A Apple cogita transferir de 15% a 30% de sua capacidade de produção da China para o sudeste da Ásia. A informação consta no relatório da Nikkei Asian Review.

Já levantamento da Fox Business indica outras multinacionais que estão se movendo no sentido de transferir suas operações da China para países do sudeste asiático, México e até EUA.

Entre eles, a empresa de câmeras de ação GoPro está transferindo a maior parte de sua produção da China para o México desde 2019.

A fabricante de brinquedos Hasbro está mudando a maior parte de sua produção da China para o México, Vietnã e Índia devido às tarifas de Trump.

Já a fabricante de calçados e bolsas Steve Madden está transferindo a produção para o Camboja.

A Stanley Black & Decker está mudando a produção da marca Craftsman para os EUA, onde está abrindo uma nova instalação em Fort Worth, Texas.

Fabricante de calçados esportivos de propriedade da Berkshire Hathaway, de Warren Buffett, a Brooks Running está transferindo a produção da China para o Vietnã, em grande parte devido às novas tarifas.

A Whirlpool Corp está transferindo a fabricação de alguns de seus aparelhos KitchenAid para os EUA.

CEO da Intel Corp, Bob Swan disse que a empresa está revisando sua cadeia de suprimentos e se a produção pode ser deslocada para fora da China.

No caso da Apple, a companhia solicitou que seus principais fornecedores avaliem as implicações de custo dessa operação. Isso porque a companhia também se prepara para uma reestruturação de sua cadeia de suprimentos.

O pedido foi resultado da extensa disputa comercial sino-americana. O resultado da Apple nesse início de ano indica que a receita cresceu 1%, a US$ 58,3 bi, e o lucro recuou 2,7%.

Riscos são grandes

Acontece que a fabricante do iPhone decidiu que os riscos de depender muito da manufatura na China são grandes demais e até aumentaram recentemente.

No início deste mês, a agência de classificação de crédito Fitch disse que vê a Apple, a Dell Technologies e a HP como possíveis candidatas à lista negra se a China colocar uma lista negra de empresas americanas em retaliação por restrições à Huawei.

Outras empresas

De acordo com a Nikkei , as principais montadoras de iPhone, Foxconn, Pegatron e Wistron, a maior fabricante de MacBook, Quanta Computer, a iPad Compal Electronics, e AirPods, Inventec, Luxshare-ICT e Goertek, foram convidadas a avaliar opções fora da China.

Os países considerados incluem México, Índia, Vietnã, Indonésia e Malásia. A Índia e o Vietnã estão entre os favoritos para smartphones, disse Nikkei.

Na semana passada, a Foxconn informou que tinha capacidade suficiente fora da China para atender à demanda da Apple no mercado americano se a empresa precisasse ajustar suas linhas de produção, já que o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou aplicar tarifas adicionais de US $ 300 bilhões em produtos chineses.

A União Europeia anunciou, nesta quinta-feira (30), que adotará regras para um conector único em todos os eletrônicos portáteis.

Em 12 meses

Analistas da Wedbush Securities disseram que, na melhor das hipóteses, a Apple poderá transferir de 5% a 7% de sua produção de iPhone para a Índia nos próximos 12 a 18 meses.

Dada a complexidade e a logística envolvidas, disse a corretora, levaria pelo menos entre 2 e 3 anos para transferir 15% da produção do iPhone da China para outras regiões.

A China é um mercado importante para a Apple, bem como um importante centro de produção para seus dispositivos. A empresa obteve quase 18% de sua receita total da Grande China no trimestre encerrado em março.

coronavírus

Fator Trump

No início de junho, Trump se reuniu com o diretor executivo da Apple, Tim Cook, para discutir questões comerciais e outros problemas enfrentados pela empresa de tecnologia, enquanto Trump decide se deve cumprir sua ameaça de aumentar as tarifas sobre as importações da China.

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Um grupo de mais de 30 pessoas da equipe de estudos de despesas de capital da Apple negocia planos de produção com fornecedores e governos sobre incentivos monetários que poderiam ser oferecidos para atrair a fabricação da Apple, segundo o relatório.

Além da Apple, Black & Decker e Steve Madden também cogitam transferir parte ou a totalidade de suas operações na China para outros países. As informações são da Fox Businnes.