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Após eleições, mercado pode receber o primeiro presente de Bolsonaro

Entre as agendas mais esperadas estão a que trata da independência do Banco Central e a reforma da Previdência.

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Crédito da imagem: Portal Globo/Internet

O povo brasileiro escolheu Jair Bolsonaro (PSL) nas urnas. Com uma pauta bastante focada na segurança pública, o candidato eleito precisará conciliar suas propostas com uma nova agenda econômica para o país.

Um dos pontos de maior destaque na campanha de Bolsonaro foi a questão da independência do Banco Central, algo que foi bem visto pela maioria dos agentes econômicos. Paulo Guedes, economista escolhido pelo candidato eleito como o futuro Ministro da Fazenda, defende essa independência do Banco Central, órgão cujo presidente pode passar a ter mandatos não coincidentes com os do presidente da República.

Um dos desejos de Guedes é que Ilan Goldfajn, atual presidente do Banco Central, permanecesse no cargo pelos próximos dois anos. Dessa forma, seria possível já colocar em prática a os planos acerca dos mandatos.

Ricardo Ribeiro, da MCM Consultores, afirmou em uma entrevista que a medida apontada por Guedes pode evoluir de uma forma muito rápida, visto que existem muitos projetos tramitando na Câmara e no Senado. Assim, Bolsonaro e seus operadores políticos precisam escolher qual desses projetos irão assumir. O especialista também aponta uma possível votação desse projeto ainda em 2018, mesmo que de forma não integral.

No âmbito da segurança, as expectativas se concentram em agendas como a da flexibilização do acesso dos brasileiros às armas de fogo, ponto que apresenta contraste com o disposto no Estatuto do Desarmamento, estabelecido por meio da Lei nº 10.826 de 2003.

Reformas econômicas

Uma das pautas mais debatidas nos últimos dias tende a ser deixada para mais tarde. Trata-se da Reforma da Previdência, assunto complexo e que gera calorosos debates entre os membros do governo. Ribeiro também aponta essa complexidade da pauta, logo, afirma que o assunto deve ser discutido a partir do ano que vem, quando Bolsonaro deve decidir se irá acompanhar ou não o projeto elaborado no governo Temer.

O processo de transição entre os governos será muito importante, pois nele pode-se observar novos indicativos. Há algumas semanas, pessoas importantes que fazem parte da área técnica do atual governo fizeram contatos com Bolsonaro, que também diminuiu suas críticas à gestão de Michel Temer. Tal fato pode indicar uma possível colaboração entre os dois nos próximos meses.

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Crédito da imagem: Reprodução/Internet

O analista político da XP Investimentos, Paulo Gama, explica que é importante perceber que a coalizão do novo governo será formada por forças distintas. Entre eles estão a equipe econômica, comandada por Guedes, além de alas da política e dos militares, estes um pouco mais resistentes a uma possível Reforma na Previdência.

Para Gama, a agenda do novo governo também depende de como serão as eleições para as duas casas legislativas que compõem o Congresso Nacional. Rodrigo Maia (DEM-RJ), atual presidente da Câmara dos Deputados, já demonstrou interesse em se reeleger e conta com o apoio de algumas figuras importantes do chamado “centrão” e de outras lideranças da casa.

Para a cientista política Suelma Rosa, do Instituto de Relações Governamentais, um fator importante é observar os sinais emanados pelo governo Temer para avaliar sua colaboração com o processo de transição, fato que pode favorecer a condução de uma agenda comum com a de seu sucessor.

A cientista política também aponta que Temer demonstra, não somente que está disposto a colaborar com o próximo presidente, mas também que está focado em fazer avançar a pauta que gostaria de marcar como um “legado pessoal”, isto é, a Reforma da Previdência. Tudo isso é uma estratégia do atual presidente da República, pois sabe que um governo que possui um lado militar tende a ser muito mais resistente a aceitar reformas que afetam os servidores públicos ou a própria corporação.

Assim, cabe ao presidente eleito analisar se o ônus de uma reforma tão importante vale a pena no atual cenário, fato que pode fazer com que a pauta seja liberada ainda no início do mandato.

Gama conclui dizendo que seria um grande presente para o mercado se, logo na virada do ano, a reforma da Previdência fosse aprovada. Contudo, o analista político aponta que isso depende de muitos fatores, como o risco que Bolsonaro corre de ter a sua popularidade corroída por conta desse tema tão polêmico.

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Késia Rodrigues - Colaboradora Independente

Colaboradora Independente do Portal EuQueroInvestir e leitora assídua de conteúdos sobre economia e política. Apaixonada por literatura, viagens, tecnologia e finanças.

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