Vale (VALE3) recupera valor um ano após Brumadinho, mas desafios seguem

Paulo Amaral
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Crédito: Divulgação Vale

O rompimento da barragem do Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), deixou 259 mortos e se tornou um dos maiores acidentes ambientais no dia 25 de janeiro de 2019.

Às vésperas do aniversário de um ano da tragédia, a Vale (VALE3), empresa mineradora responsabilizada pelo desastre, vem dando mostras de recuperação dentro da Bolsa de Valores, apesar dos vários desafios a superar, como reparações ambientais e problemas na Justiça.

As ações Vale (VALE3) fecharam cotadas a R$ 57,00 no encerramento do pregão de 17 de janeiro, pouco acima do preço anterior à tragédia, que era de R$ 56,15, em 24 de janeiro, véspera do rompimento.

O valor de mercado da companhia também subiu, passando a R$ 301 bilhões, R$ 5 bi a mais do que o registrado antes da tragédia em Minas Gerais.

A valorização da Vale e, consequentemente, de suas ações (chegaram a bater em R$ 42,38 após a tragédia), é fruto do otimismo do mercado com a empresa e com o setor.

O fato de a China, maior importador de minério de ferro brasileiro, ter assinado a Fase Um do acordo comercial com os Estados Unidos, pesou positivamente, já que deve impulsionar a economia do país e, consequentemente, a importação de minério da Vale.

O otimismo é tanto que o Bradesco BBI recomendou compra das ações da Vale na última segunda-feira (13), alegando que a empresa “é uma subestimada máquina de fazer dinheiro em modo de diminuição de riscos”.

Justiça

Fabio Schvartsman, presidente da Vale à época da tragédia, estava em um voo vindo de Davos, na Suíça, para São Paulo, quando foi informado do acidente em Brumadinho, relata o Estadão Conteúdo.

Hoje, quase um ano após a tragédia ambiental, o ex-executivo da mineradora luta na Justiça para se livrar de eventuais processos sobre negligência que possam recair sobre seus ombros.

Ainda segundo o Estadão, Schvartsman deve ser um dos indiciados pelo Ministério Público de Minas Gerais e, para se defender, abriu mão da área jurídica da mineradora, dando preferência a uma banca particular de advogados criminalistas.

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O executivo terá ao seu dispor Pierpaolo Bottini, que defendeu o empresário Joesley Batista, um dos donos da Friboi.

Chamou ainda o escritório Barbosa, Mussnich e Aragão (BMA) para fazer uma investigação interna e vasculhar milhares de e-mails, trocas de mensagens de celular e atas de reunião que o executivo participou para mostrar que ele não teve responsabilidade direta no acidente.

Em relação às vítimas, a Vale anunciou, em seu site oficial, que já celebrou mais de 4.000 acordos, individuais e trabalhistas, indenizando integralmente as pessoas. Nestas ações, já foram despendidos recursos de cerca de R$ 2 bilhões.

“Seguro reputação”

De acordo com o Estadão os demais executivos que faziam parte da direção da Vale à época, e que ainda estão no quadro da mineradora, acionaram o seguro de responsabilidade civil de diretores e Administradores (D&O), conhecido no mercado como “seguro de reputação”.

Esse tipo de cobertura é comum nos Estados Unidos e destinada aos altos executivos das empresas que apresentam riscos ambientais ou processos de corrupção.

Quatro executivos foram afastados dos cargos após o incidente. Além de Schvartsman, saíram Peter Poppinga, responsável pela área de ferrosos e carvão do grupo, Lúcio Flávio Gallon Cavalli, de planejamento, e Silmar Magalhães Silva, de operações do corredor sudeste.

Representado pelo escritório David Rechulski, Poppinga pode ser responsabilizado criminalmente pelo acidente. O executivo já enfrentava ação penal relativa ao rompimento da barragem da Samarco, joint venture entre Vale e BHP, em Mariana, em novembro de 2015, por ser conselheiro de administração do grupo.

Medidas

A Vale, em seu site oficial, informou que está tomando uma série de medidas para auxiliar a comunidade do Córrego do Feijão.

A principal delas foi rotulada de “território-parque”. De acordo com a empresa, trata-se de um projeto de requalificação urbana, um conceito que inclui ações de melhoria da infraestrutura (reforma, pavimentação e urbanização de ruas, casas e estruturas), reativação econômica e desenvolvimento do turismo local, além de cuidado com a memória das vítimas do rompimento da Barragem I.

A ideia, segundo a Vale, é potencializar o turismo na região, tornando a área um destino ecológico. Toda a inciativa foi construída com base em uma escuta ativa dos moradores, que sugeriram aperfeiçoamentos e novas frentes de trabalho.

“Estamos evoluindo com um portfólio de produtos premium ajustado às demandas de mercado. Aliadas ao nosso compromisso com a segurança e a alocação disciplinada de capital, nossas ações reduzem as incertezas e nos conduzem para resultados sustentáveis”, comentou Eduardo Bartolomeo, Diretor-Presidente.


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