Após a crise, foco em reserva de emergência será maior; veja como fazer

Natalia Gómez
Editora, é jornalista especializada no mercado de investimentos há 17 anos. Formada pela PUC-SP, teve experiências em veículos como Agência Estado, Valor Econômico e Revista Você SA; e na área de comunicação corporativa e relações públicas para instituições financeiras.

O impacto econômico sofrido durante a pandemia mundial deve mudar a relação das pessoas com o dinheiro daqui para frente. Com a crise, muita gente está sentindo na pele a importância de ter uma reserva de emergência. 

No Brasil, apenas um terço (29%) da população consegue fazer uma reserva de emergência às vezes, enquanto somente um em cada dez guarda dinheiro sempre.

O dado foi divulgado em 2019 pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e pelo SPC Brasil.

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No entanto, este quadro deve mudar. “O assunto reserva de emergência vai ser o mais importante daqui para frente, não só para pessoas físicas mas para as empresas”, destaca o educador e consultor financeiro André Massaro. 

Segundo os especialistas, o ideal é ter dinheiro guardado para sobreviver pelo menos seis meses sem renda. 

Na prática, isso significa que uma pessoa que tem reserva de emergência poderá passar pela quarentena sem passar apuros. “A crise escancarou a importância disso”, afirma.

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Se você também foi pego de surpresa, veja como começar a cuidar do seu dinheiro:

Proteger e recuperar a renda

Antes de formar uma reserva de emergência, a prioridade deve ser proteger a renda. Mesmo quando ocorre redução de jornada e salário, manter o trabalho deve ser o foco principal.

“Quem tem emprego mas entrou em acordo de redução de salário tem que se esforçar para se manter na posição”, diz Massaro.

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Embora seja frustrante passar por estes ajustes, os profissionais devem levar em conta que o desemprego deve continuar em alta.

Para quem perdeu toda a renda, a recomendação é buscar outras formas de ganhar dinheiro o mais rápido possível.

Mesmo que seja difícil fazer isso durante o isolamento social, os especialistas recomendam que as pessoas comecem a pensar nisso agora.

Desta forma, quando a atividade voltar, elas podem entrar em ação.

Uma forma de fazer isso é buscar cursos online para aperfeiçoamento da profissão ou até mesmo para aprender coisas novas.

Com isso, é possível que surja uma nova fonte de renda, destaca o CEO do APP Renda Fixa, Francis Wagner. “Muitas coisas boas surgem da necessidade”, afirma.

Corte o que puder

Neste momento, é fundamental fazer uma lista de todas as despesas familiares e cortar tudo que não for essencial. A recomendação é mais importante ainda para quem perdeu renda.

“Não tem jeito, o consumo tem que derrubar mesmo”, destaca Massaro. Segundo ele, tudo que for supérfluo e causar desperdício deve ser eliminado.

Atualmente, as pessoas devem repensar seus hábitos e a real utilidade para dos seus gastos, sejam eles com serviços ou com a aquisição de produtos.

“Uma dica interessante é perguntar a si mesmo se você precisa mesmo do produto ou serviço ou se apenas o deseja”, explica Wagner.

Segundo ele, esta pergunta é fundamental, pois se a resposta for que apenas deseja, talvez não seja a hora de adquirir o bem.

Caso a resposta for sim, você deve se perguntar se é possível adiar a compra do produto para daqui a alguns meses.

Mesmo quem continua trabalhando deve ter esta atitude. A prioridade deve ser a formação de uma reserva de emergência.

Mantenha o hábito de fazer reserva

A ideia de guardar dinheiro todo mês veio para ficar. Por isso, não adianta fazer o controle de despesas apenas na hora da crise.

Segundo os especialistas, todos devem manter este cuidado no longo prazo.

“Uma dica de ouro para montar uma reserva é fazer aplicações automáticas, como se fosse um boleto obrigatório”, sugere a economista Andreia Fernanda, fundadora da consultoria de planejamento Rico Foco.

Segundo ela, esta é uma forma de se acostumar com o pagamento e a não contar com aquele valor disponível.

“Isso pode ser feito com qualquer valor. Afinal, só chega aos 6 meses de despesa guardados quem guarda o primeiro centavo”, destaca.

Enquanto organiza sua reserva de emergência, é recomendável aplicar estes recursos em ativos de renda fixa pós fixada com liquidez diária.

Bons exemplos são o Tesouro Selic, CDBs de liquidez diária e fundos indexados de curto prazo.