Quais são as melhores ações de educação na bolsa?

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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A educação foi fortemente afetada pela crise do coronavírus e o investidor que aposta neste setor sentiu o baque nos últimos meses.

Como a volta à normalidade depende de uma vacina (que é promessa para daqui alguns meses na visão mais otimista), o cenário não é muito favorável no curto prazo.

“O setor de educação atualmente parece pouco atrativo em função das incertezas elevadas sobre os resultados nos próximos trimestres. Ele é altamente dependente de mobilidade social e foi bastante afetado”, afirma Fernando Siqueira, gestor de renda variável da Infinity Asset.

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Mas, para o investidor que tem tempo e paciência, o setor é, sim, ainda muito promissor, como apontam os especialistas.

“A crise da Covid não vai durar para sempre. Logo mais o mundo terá a vacina e voltamos à normalidade”, diz Pedro Galdi, da Mirae Asset.

Como a crise afetou o setor de educação?

A pandemia afetou em cheio a educação. Primeiro porque, com a necessidade do distanciamento social para impedir a proliferação do vírus, os alunos deixaram as salas de aula.

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De maneira inesperada, as escolas tiveram que investir pesado na transição para um modelo digital de ensino.

Depois, a crise gerou muita inadimplência e também evasão, com a renda familiar ficando incompatível com a manutenção da mensalidade.

Por fim, o gasto com pessoal, que representa boa parte dos custos de uma escola, não pode ser reduzido de maneira significativa, mesmo com as salas de aula  fechadas.

Como resultado, as empresas do setor tiveram resultados muito ruins, especialmente no segundo trimestre – o mais impactado pela crise que teve início no Brasil no final de março.

As duas maiores empresas do setor tiveram resultados ruins: a Cogna (COGN3) teve um prejuízo de R$ 451 milhões. A Yduqs (YDUQ3), prejuízo de R$ 79,5 milhões.

O grupo Ser Educacional (SEER3) registou lucro de 54,7 milhões, mas ainda assim com perda de 7,3% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Na bolsa, as ações também confirmam que o período não é favorável. Do início do ano até aqui, as ações da Cogna caíram 49%. As da Yduq, 40%. E as da Ser Educacional, 48%.

  • Confira aqui os resultados do segundo trimestre das principais empresas de educação

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Apesar disso, para Bruno Musa, da Acqua Investimentos, o cenário não deve ser encarado com desânimo. “O potencial da educação na bolsa é imenso. É um setor que tem e vai continuar tendo muitas fusões e aquisições e tem muito espaço de valorização dos papéis”, afirma.

Musa explica que, por ser um setor com poucas ações listadas, o resultado bom ou ruim de uma única empresa acaba afetando as ações de todas as outras e o investidor deve ficar atento a isto, para avaliar com critério o que já está ou não precificado.

“Uma ação acompanha a outra, pela dinâmica própria do setor. Por exemplo, os papéis da Yduqs caíram 6% antes da divulgação do seu balanço, mas isso porque o balanço da Cogna apontou muita inadimplência e evasão. Os investidores entenderam que isso se repetiria na Yduqs e o movimento foi antecipado”, esclarece.

Então, quais ações de educação comprar?

Os analistas são unânimes em afirmar que sairá na frente a empresa que apostar em ensino à distância (EAD), sistemas de ensino fundamental e médio (com pouca oferta e muita demanda) e em escolas de medicina. Isso porque, de acordo com os especialistas, a taxa de evasão é baixa nesse curso de graduação.

Confira abaixo as principais recomendações.

Yduqs (YDUQ3)

A Yduqs, que tem grande participação em cursos de medicina e bons resultados com a expansão de cursos à distância, desponta como a favorita. Ela é a principal indicação de compra no setor para o Credit Suisse e também para Infinity Asset e Mirae.

Antiga Estácio, ela fez aquisições de outros grupos importantes nos últimos anos, como Ibmec, de finanças, UniToledo (centro universitário de Araçatuba, no interior de São Paulo) e Damásio Educacional, forte na área de direito.

“O papel da Yduqs é nossa melhor escolha. Acreditamos que a empresa teve uma postura conservadora e que mantem um balanço saudável”, afirma Maurício Cepeda, do Credit Suisse. Ele projeta um potencial de valorização de 21% para os papéis da empresa.

Cogna (COGN3)

A Cogna, antiga Kroton, é o maior grupo educacional do país. Ela é recomendada pela Mirae, assim como a Yduqs.

Já para o Credit Suisse, o papel tende a se desvalorizar um pouco mais, alcançando R$ 6. Isso porque o grupo tem forte exposição ao crédito estudantil do ensino superior, que sofreu uma redução significativa para o próximo ano. Mas ela atua em todos os níveis escolares, da pré-escola à pós-graduação.

Ser Educacional (SEER3)

Para o Credit Suisse, o grupo Ser tem recomendação neutra de compra.  A justificativa é que o crescimento na graduação, onde ela atua mais fortemente, tende a ser limitado. Mesmo assim, o banco classifica a empresa como “responsável e com níveis adequados de recebíveis e alavancagem”. Também salienta que o grupo tem capturado oportunidades de ensino a distância. E, em menor escala, tem aproveitado o crescimento da medicina.

Ânima (ANIM3)

A Ânima foi o destaque entra as empresas de educação nos balanços do segundo trimestre. Ela surpreendeu ao reverter o prejuízo do segundo trimestre de 2019 em lucro de R$ 8,9 milhões neste ano. E, por isso, merece a atenção do investidor.

Fazem parte do grupo as faculdades Una (de Goiás e Minas Gerais) e São Judas (de São Paulo). Também UniBH (de Minas Gerais) e UniSociesc (de Santa Catarina). Além de Escola Brasileira de Direito e a HSM Educação Executiva. E a filial brasileira da escola internacional de gastronomia Le Cordon Bleu, em São Paulo.