Ao confirmar demissão, Moro alega ingerência, diz colunista do Estadão

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Divulgação/MJSP

O agora ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, está respaldado por provas documentais sobre as acusações graves que fez, em seu anúncio de demissão nessa sexta-feira (24), ao presidente da República, Jair Bolsonaro. É o que informa o colunista do jornal O Estado de S. Paulo Fausto Macedo.

“As acusações de Sérgio Moro contra ao presidente Jair Bolsonaro estão respaldadas em provas documentais. Interlocutores do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública relataram ao Estado que Moro e Bolsonaro tiveram inúmeras conversas, pessoais e de governo, especialmente pelo WhatsApp, canal usado pelo presidente para dar ordens aos subordinados”, escreveu o jornalista.

“Essas fontes observaram que Moro tem uma experiência de 22 anos na função de juiz criminal e sabe, como poucos, que não se acusa alguém sem provas concretas”, sublinha.

Crimes

O colunista mostra que Moro apontou sete crimes cometidos por Bolsonaro. O principal foi o interesse do presidente em interferir na autonomia da Polícia Federal, que estava, até ontem, sob o comando de Maurício Valeixo.

Essa interferência tinha como objetivo ter acesso a investigações sigilosas, muitas das quais comandadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

“O presidente também me informou que tinha preocupação com inquéritos em curso no STF e que a troca também seria oportuna na Polícia Federal por esse motivo”, disse Moro.

“O Palácio do Planalto já enfrenta inquérito no Supremo na área das fake news. Conforme o Estado revelou, as investigações conduzidas pela PF sobre o caso já chegaram a empresários que teriam financiado ataques nas redes sociais a opositores de Bolsonaro”, escreve o colunista.

Os ataques são geridos basicamente no chamado “gabinete do ódio”, liderado pelo filho do presidente, o vereador Carlos Bolsonaro, que chegou a ganhar uma sala no Palácio do Planalto.

Já o seu irmão, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) recorre constantemente ao Supremo Tribunal Federal para tentar impedir a continuidade da CPI das Fake News.

O caso do outro filho, o senador Flávio Bolsonaro, e de seu ex-acessor Fabrício Queiroz, pela “rachadinha” na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, é investigado pelo Ministério Público Estadual.

Bolsonaro tenta contra-atacar

“Você pode trocar o Valeixo, sim, mas em novembro, depois que o senhor me indicar para o Supremo”, contra-ataca Bolsonaro sobre o que teria dito Moro em conversa privada, antes de se demitir.

No longo pronunciamento realizado às 17h desse dia 24 de abril, Bolsonaro havia prometido “restabelecer a verdade” sobre as acusações de Sergio Moro. Mas a fala não esclareceu nenhum dos pontos apontados pelo ex-ministro.

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