Antônio Luiz Seabra: conheça a história do fundador da Natura

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.
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Foto: Antônio Luiz Seabra

Dificilmente algum brasileiro não conheça ou não tenha usado algum produto da Natura, a gigante dos cosméticos. Com a compra da Avon no final de 2019, a companhia se tornou a quarta maior do setor de cosméticos do mundo.

Antônio Luiz Seabra é um dos fundadores da Natura, empresa criada em 1969. A seguir, saiba mais sobre a trajetória de sucesso do empresário, cuja fortuna é estimada em cerca de US$ 1,3 bilhão e que conseguiu associar fortemente a sua marca à sustentabilidade dos negócios.

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Quem é Antônio Luiz Seabra

O paulista Antônio Luiz Seabra, nascido em 1942, desde cedo demonstrou interesse por negócios e finanças. Com 15 anos, começou a trabalhar na empresa de seu pai, na área de custos.

A afinidade com a área o levou a cursar Economia logo após do colegial. Depois da graduação, começou a trabalhar na Remington, empresa que produzia computadores. Aos 21 anos já era superintendente da empresa, na qual atuou por oito anos.

No entanto, mesmo sendo superintendente, Seabra passou a se interessar mais pela química utilizada nos laboratórios da empresa. Dessa forma, decidiu sair da Remington para trabalhar em uma pequena fábrica de cosméticos.

Em 1969, aos 27 anos, Seabra firmou parceria com Jean Pierre Berjeaout, e deram início à fábrica de cosméticos que levava o sobrenome de seu sócio. No entanto, pouco tempo depois, a empresa passou a se chamar Natura, pois utilizavam compostos vegetais em suas formulações.

Modelo de negócio da Natura

O objetivo dos sócios era não ser somente produtores, mas também atuar no comércio varejista. Além disso, procuravam dar uma personalidade mais artesanal aos produtos, algo que remetesse à natureza e preocupação com valores ambientais.

Inicialmente, a empresa funcionava na Oscar Freire, em São Paulo. No entanto, Seabra utilizou o modelo de vendas de porta em porta, pois era muito comum na época. Inclusive ele próprio realizava essas vendas e, com a proximidade dos clientes, começou a dar consultorias sobre os produtos. Isso despertou o interesse das pessoas e foi uma das principais razões do crescimento da Natura nos anos seguintes, principalmente por causa das revendedoras.

Anos depois, em 1979, ingressa na empresa o administrador Guilherme Leal, que contribuiu para a aceleração da expansão do negócio.

Sustentabilidade

Desde o início das atividades, um dos principais diferenciais da Natura foi a sustentabilidade. Para evitar o desperdício, a empresa inovou ao utilizar refis. E, com a fabricação de produtos feitos a partir de carbono neutro, atenuou os impactos nocivos ao meio ambiente. Desde então, outras empresas e segmentos começaram a adotar essas práticas, mas foi a Natura a pioneira nessa estratégia sustentável.

Outra inovação em relação à sustentabilidade foi a elaboração da tabela ambiental. Nela, Seabra deixa claro para os consumidores como são feitos os produtos e as embalagens. Isso deixa ainda mais clara a preocupação da Natura com a redução dos danos ao meio ambiente.

O forte trabalho ligado à sustentabilidade rendeu a Seabra uma importante premiação em 2015. Naquele ano, o empresário ganhou o prêmio internacional “Champions of the Earth 2015”, na categoria “visão empreendedora”. A premiação foi cedida pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

Natura &Co

Em 2018, a companhia passou a se chamar Natura &Co. O motivo da mudança do nome foi agregar as marcas adquiridas Aesop, e The Body Shop. Segundo declarações da empresa na época, o novo nome foi criado com o objetivo de fortalecer o senso de comunidade, conexão e colaboração entre as diferentes marcas que compõem o grupo.

No final de 2019, foi a vez da companhia integrar mais uma grande empresa mundial de cosméticos: a norte-americana Avon, também reconhecida pelo modelo de vendas via consultoras. Com essa aquisição, a Natura passou a ser a quarta maior empresa do mundo do segmento de cosméticos.