André Mendonça é o novo ministro da Justiça; Ramagem assume PF

Marcelo Hailer Sanchez
Jornalista, Doutor em Ciências Sociais (PUC-SP) e Mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP). Pesquisador em Inanna (NIP-PUC-SP). Trabalhei nas redações do Mix Brasil, Revista Junior, Revista A Capa e Revista Fórum. Também tenho trabalhos publicados no Observatório da Imprensa e revista Caros Amigos. Sou co-autor do livro "O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente" (AnnaBlume).

Crédito: Por Luis Macedo/Câmara dos Deputados

Edição do Diário Oficial da União (DOU) publicado na manhã desta terça-feira (28), informa que o presidente Jair Bolsonaro nomeou André Mendonça, que ocupava a Advocacia-Geral da União (AGU), para ocupar o Ministério da Justiça e Segurança Pública, e Alexandre Ramagem para o cargo de diretor-geral da Polícia Federal (PF). Para o lugar de Mendonça, na AGU, foi nomeado Jose Levi.

A decisão de Bolsonaro foi tomada na tarde de ontem (28) após reuniões com Mendonça e Jorge Oliveira, este um dos nomes cotados para assumir a cadeira que era de Sergio Moro no Ministério da Justiça.

 

Nomeação repleta de polêmicas

Desde que Sergio Moro deixou o Ministério da Justiça e, entre as suas justificativas, alegou intervenção do governo Federal nas investigações da PF, parlamentares da oposição tem pedido para que o presidente Bolsonaro seja investigado. O termômetro subiu quando o nome de Alexandre Ramagem começou a ser aventado como um dos substitutos de Maurício Valeixo na PF. Isso porque Ramagem é amigo íntimo dos filhos do presidente.

Antes mesmo da confirmação do nome do novo diretor-geral da PF, fotos de Ramagem em uma festa com o Carlos Bolsonaro já circulavam pelas redes socais e portais da imprensa. Os senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Fabiano Contarato (Rede-ES) entraram com uma liminar para impedir a nomeação de Ramagem e suspender a exoneração de Valeixo. Na justificativa, os parlamentares alegavam que tal troca confirmaria as acusações de Moro por conta da proximidade de Ramagem com Carlos Bolsonaro. Porém, o juiz federal Ed Lyra, da 22ª Vara Federal do Distrito Federal, negou o pedido.

“Terrivelmente evangélico”

“Antes mesmo da saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça, o nome de André Mendonça já tinha circulado pelo Palácio do Planalto. Isso se deu quando, questionado, em 2019, sobre um nome a ser indicado para o Supremo Tribunal Federal (STF) – Bolsonaro poderá indicar dois nomes – o presidente afirmou à época que escolheria um nome “terrivelmente evangélico”.

O nome em questão era o de Alexandre Ramagem, que atua há 20 anos como advogado da União.

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A saída de Moro

Em coletiva realizada na semana passada, o Ministro da Justiça, Sergio Moro, informou que está deixando o ministério. O motivo foi a repentina exoneração do diretor-geral, Maurício Valeixo, da Política Federal (PF) e a interferência do governo Federal nos trabalhos da PF. O futuro de Moro é incerto, porém, há movimentação para que ele se lance candidato à presidência da República em 2022.

“Ao conversar com o presidente eu disse que seria uma interferência política e ele disse que seria mesmo. Mas pra evitar impactos durante a pandemia, eu sugeri que trocássemos por alguém com perfil técnico. Eu sinalizei Disnei Rossete. Fiz a sinalização, mas não obtive resposta”, revelou Moro.

“Diante de todos esses motivos, não podia deixar de lado o meu compromisso com Estado de direito. Fiquei sabendo da exoneração pelo Decreto e em nenhum momento o diretor-geral pediu a sua exoneração. Fui surpreendido e achei isso ofensivo. Esse ato é uma sinalização de que o presidente me quer fora do cargo”, declarou Moro

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