Anbima revisa inflação de 2020 para 2,8%; Selic deve ficar em 2%

Victória Anhesini
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
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Foto: Anbima revisa inflação para 2,8% até o fim de 2020

A Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) divulgou nesta quarta-feira (28) a projeção da entidade para a inflação de 2020, que deve ficar em 2,8%, abaixo da meta prevista pelo governo de 4%. 

A estimativa estava em 2% desde abril, entretanto subiu após uma conjunção de fatores, como a recomposição das margens de lucro e a alta nos preços dos alimentos, segundo economistas do Grupo Consultivo Macroeconômico. Eles também destacam commodities e os desalinhamentos pontuais entre demanda e oferta que surgiram com a pandemia de Covid-19.

Projeções e opiniões dos analistas

Entre as projeções, 33% situam-se entre 3% e 3,2%, seguidas do intervalo entre 2,6% e 2,8%, com 29% das estimativas. A mínima e a máxima previstas estão em 2,4% e 3,1%, respectivamente.

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Contudo, a perspectiva do quadro inflacionário, especialmente para o próximo ano, não foi consenso entre os economistas. Alguns avaliam que aumentou a possibilidade de aceleração inflacionária, apesar de a mediana do IPCA de 2021 se manter em 3%, a mesma apurada em setembro. Há previsões que o IPCA acumulado em 12 meses fique entre 4% e 5% em meados do ano que vem.

Entretanto, parte dos analistas acredita que a ociosidade relevante na economia reduz a possibilidade de haver cenário inflacionário dessa magnitude. Lembrando que o fim dos estímulos fiscais a partir de dezembro reforça esse argumento.

Para a Selic, o grupo manteve a estimativa de 2% até o fim de 2020.

Em relação à atividade ecpnômica, os economistas apontaram uma trajetória de recuperação gradual e revisaram a taxa de queda do PIB de 5% (da reunião anterior) para 4,8%.

Por fim, a projeção da taxa de câmbio para o fim deste ano subiu de R$ 5,21 para R$ 5,40. Se concretizada, corresponderá a uma desvalorização anual de 34% do real.

Trajetória da Selic

Na última reunião do Copom, realizada dias 15 e 16 de setembro, o Banco Central decidiu manter a taxa Selic em 2%. Essa estabilidade veio depois de nove cortes consecutivos. As novas decisões sobre a Selic devem ser divulgados nesta quarta-feira (28).

Na ata da última reunião, a autoridade monetária sinalizou que a política monetária deve ser mantida como está pelos próximos meses. Isto porque reduções adicionais na taxa de juros poderiam ser acompanhadas de instabilidade nos preços dos ativos.

Segundo o Copom, o cenário poderia seguir assim por 2021 e, possivelmente, até 2022. Só mudaria se a inflação não seguisse na trajetória desejada – a meta é 4%.

Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central e que traz semanalmente as projeções do mercado financeiro para os principais indicadores econômicos, projeta há 17 semanas a Selic a 2% até o final de 2020.

Já para 2021, o último Focus prevê aumento da Selic: de 2,50% para 2,75%, indicando que algo já mudou na percepção do mercado.

PIB e risco fiscal

Ainda mais, no debate fiscal, os analistas argumentaram que mesmo o governo cumprindo o teto de gastos no ano que vem, ainda permanece muita incerteza em relação às contas públicas. 

Foi ressaltado que a dívida bruta caminha para 100% do PIB. Contudo, ainda não há cenário previsível para o encaminhamento das reformas estruturais. 

A situação atual já se expressa na maior inclinação das curvas de juros e de câmbio. Além disso, também expõe a própria dificuldade de rolagem da dívida pública. Com a redução dos prazos dos títulos colocados em mercado, indica-se uma quantidade considerável de papéis com vencimento no primeiro semestre do ano que vem.

As projeções dos principais indicadores fiscais se mantêm relativamente estáveis, ainda que em patamares elevados. A estimativa do déficit primário é de 12% para o final de 2021, com a previsão de dívida bruta em relação ao PIB situando-se em 94,4% no final deste ano.