Anbima: rentabilidade das debêntures sobe e percepção de risco cai

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)
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Crédito: Guia de Investimentos

Passado um ano do início da pandemia de Covid-19 no Brasil, a rentabilidade média das debêntures voltou a subir, ao mesmo tempo em que os spreads, que medem o risco desses papéis, tiveram redução, segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Entre março de 2020 até o mesmo mês de 2021, o retorno acumulado do IDA-Geral (Índice de Debêntures Anbima) é positivo, de 10,7%. Resultados como esse podem ser acompanhados diariamente no Relatório de Precificação, divulgado pela associação.

Anbima: IDA-DI

Outro movimento que expressa a recuperação dos títulos corporativos ao longo de um ano é o descolamento dos resultados em relação aos seus benchmarks.

O IDA-DI, por exemplo, teve retorno de 8,13% em 12 meses, contra 2,2% do DI no mesmo período. Já o IDA-IPCA valorizou 15% contra 6,10% do IPCA entre março de 2020 e de 2021.

“São dados que indicam não apenas a melhora na percepção de risco dos investidores, como a resiliência do segmento, mesmo em um ambiente de incerteza que perdura até hoje”, afirma Hilton Notini, gerente de Preços e Índices da Anbima.

Anbima:  percepção de risco no mercado de debêntures

A queda gradual da percepção de risco no mercado de debêntures também teve reflexos na trajetória do spread médio diário desses papéis ao longo do último ano.

Utilizando como métrica a média ponderada dos prêmios das debêntures que compõem a carteira do IDA-DI sobre a curva de DI futuro, os spreads dos papéis alcançaram 4,31% de prêmio em março de 2020, período em que o mercado estava predominantemente vendedor, com busca por liquidez.

A partir do último trimestre de 2020, essa trajetória começou a apresentar maior estabilidade e, no fim de março de 2021, chegou a um spread médio entre 1,7% e 1,8%.

Para as debêntures que compõem o IDA-IPCA, utilizando neste caso a média ponderada dos prêmios sobre um título soberano de mesmo rendimento, os spreads se mantiveram elevados nos últimos 12 meses, com queda expressiva a partir de dezembro de 2020 e resultado de 0,77% no fim de março de 2021.

Relatório de precificação da Anbima

O acompanhamento diário dos títulos em mercado, tanto os corporativos (como debêntures, CRIs e CRAs) quanto os públicos, é feito no Relatório de Precificação.

O informe, que completa um ano neste mês, detalha todo o processo de coleta, apuração e comparação de preços.

Também são incluídos os resultados dos índices que servem de referência para cada tipo de papel, com gráficos comparativos dos retornos dos ativos.

O material conta ainda com a análise do desempenho das curvas de juros e com dados sobre a negociação de debêntures no mercado secundário.

“Criamos o relatório no início da crise sanitária para contribuir com as análises do mercado em um período que está sendo marcado por turbulências. Ele também é um instrumento que comprova a transparência dos nossos processos de precificação, então o intuito é que permaneça entre as nossas publicações fixas”, diz Notini.