Ambev (ABEV3) tem recuo de 51,4% no lucro no 2TRI20

Felipe Moreira
Especialista em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 7 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Crédito: Divulgação / Ambev

A Ambev (ABEV3) reportou um lucro líquido de R$ 1,271 bilhão no segundo trimestre, um desempenho 51,4% inferior ao registrado no mesmo período de 2019.

Conforme a Ambev, o desempenho foi afetado pela queda do Ebtida e despesas financeiras maiores.

O resultado financeiro líquido foi uma despesa de R$ 793,7 milhões, um aumento de 39,9% sobre as perdas financeiras.

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De acordo com a Ambev, o resultado foi impactado pela adoção do IFRS 16; perdas com instrumentos derivativos; depreciação do real e do peso argentino; impostos sobre operações financeiras e juros.

Ebtida recua mais de 28%

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebtida, na sigla em inglês) ajustado somou R$ 3,348 bilhões.

Isso significa um recuo de 28,6% sobre Ebtida alcançado em igual período do ano anterior.

A margem Ebtida atingiu 28,8% no trimestre, baixa de 9,8 pontos percentuais.

ambev-balanço

Receita cai 4,4%

Já a receita líquida atingiu a cifra de R$ 11,615 bilhões, baixa de 4,4% na comparação com igual período de 2019.

A Ambev atribui o desempenho à queda do volume de vendas, que foi impactado pelas restrições impostas pelo Covid-19 e pela consequente mudança nas ocasiões de consumo.

O lucro bruto teve retração de 19,1% no trimestre, atingindo R$ 5,813 bilhões.

Enquanto a margem bruta alcançou 50%, queda de 9,1 pontos percentuais.

Dívida Ambev

A dívida líquida da Ambev encerrou o segundo trimestre em R$ 10,010 bilhões.

A alavancagem financeira, medida pela relação dívida líquida/Ebtida ajustado, ficou em 2,98 vezes no final do trimestre.

Enquanto os investimentos somaram R$ 807,1 milhões no período, uma redução de 9,9% nos investimentos.

A companhia informou que iniciou o segundo trimestre com duas prioridades principais: garantir a solidez da sua posição financeira, preservando a liquidez no curto e no longo prazo e navegar o “novo normal” trazido pela pandemia do Covid-19: protegendo seus colaboradores e se adaptando às mudanças enquanto continua investindo no que acredita que se tornarão vantagens competitivas no futuro: foco no consumidor, nível de serviço ao cliente, transformação digital, inovação e o fortalecimento de nossos laços com o nosso ecossistema.

Veja os destaques do balanço da Ambev (ABEV3):

Tá e aí?

Na avaliação do BTG Pactual, a Ambev mostrou que mais uma vez está conseguindo superar a crise, possivelmente por meio de uma forte estratégia comercial e uma plataforma digital avançada. Daí o resultado trimestral melhor do que o esperado. O lucro da Ambev ficou acima das projeções do banco, assim como a receita. Já o Ebitda veio em linha e a margem Ebitda ficou abaixo.

Porém, o BTG Pactual encara a empresa com cautela, por considerar que a ainda é dependente do sucesso de suas principais marcas no comércio físico, que está em recuperação, e o novo foco no consumidor exige margens mais baixas. Assim, os analistas vêm poucas razões para alterar as estimativas para 2021 e os próximos anos. “Negociando com um prêmio em relação aos pares globais e históricos, a Ambev permanece neutra”, diz o documento, que informa um preço alvo de R$ 13,00.

A Eleven destacou que as vendas vieram acima do esperado. A surpresa foi o desempenho do volume de cerveja no Brasil, que caiu apenas 1,6% no trimestre. Outro ponto positivo foi a redução de 7,5% das despesas com vendas, excluindo a variação cambial, o que minimizou parcialmente a queda da margem bruta.

Mas, em razão da falta de clareza ainda sobre o cenário do consumo dos próximos meses e dos resultados das medidas adotadas pela Ambev, a casa mantém a recomendação de venda e preço-alvo de R$ 14 para a ação. “O real ainda depreciado em relação ao dólar deve continuar prejudicando a margem bruta da companhia, considerando a estratégia de hedge cambial de 12 meses.”