Ambev (ABEV3): Ebitda deve recuar 22% no 1TRI20, prevê XP

Osni Alves
Jornalista | oalvesj@gmail.com

Crédito: Ambev (ABEV3): Ebitda deve recuar 22% no 1TRI20, prevê XP

Os resultados da Ambev (ABEV3) no primeiro trimestre deste ano devem ser impactados negativamente pela pressão de custos, pelo ambiente comercial acirrado e pelo coronavírus.

Dessa forma, projeta a XP Invetimentos, o lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda, na sigla em inglÊs) deve recuar 22%, para R$ 4 bilhões.

Para a gestora, a companhia terá Ebitda consolidado de R$ 4 bilhões no primeiro trimestre de 2020, com margem de 33,8%, representando uma queda de 22% em relação ao Ebitda de igual período em 2019, e uma perda de 670 pontos-base de margem.

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Fonte: tradingview.

Cerveja Brasil

No segmento de Cerveja Brasil, a própria fabricante já projetava uma queda, menos acentuada, entre 17% e 20%. Porém, a estimativa do mercado é de menos 8,5% no volume na comparação anual, e um Ebitda de R$ 1,8 bilhão, menor 28% no comparativo anual (margem de 33,3%).

Conforme a XP, 55% das vendas do segmento de cerveja no país são realizadas para bares e restaurantes, fechados devido à quarentena do coronavírus.

“Além disso, o primeiro trimestre de 2019 foi excepcionalmente forte por conta de fatores exógenos como um Carnaval mais tarde e um clima mais quente e menos chuvoso”, informou.

Esses fatores, frisou, favorecem as vendas de cerveja e dificultam a comparação com o primeiro trimestre deste ano, cujo Carnaval aconteceu em Fevereiro e o clima foi mais ameno.

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Ambiente acirrado

De acordo com a XP, o ambiente de competição acirrado, principalmente por parte da Heineken, também incidirá no balanço da companhia.

“Tais fatores devem se traduzir, nas nossas estimativas, em um Ebitda de R$ 4 bilhões no primeiro trimestre de 2020, com margem de 33,8%, representando uma queda de 22% em relação ao Ebitda do ano passado, e uma perda de 670 pontos-base de margem”, disse.

A gestora diz esperar um ambiente ainda mais desafiador para a Ambev no curto prazo. No primeiro trimestre, os efeitos do coronavírus só foram sentidos efetivamente durante uma quinzena.

Ao longo do segundo trimestre, a potencial desaceleração da demanda deve afetar o resultado de maneira ainda mais intensa, que concomitantemente aos preços mais promocionais ao longo do ano e custos mais altos, devem manter as margens pressionadas.

Como comparativo, vale ressaltar que no primeiro trimestre de 2020, o volume total de cerveja da Heineken no Brasil caiu um dígito intermediário, ou cerca de 5%.

Seu portfólio de marcas premium e mainstream, no entanto,  cresceu duplos dígitos, ou seja, pelo menos 10%, com destaque para a marca Heineken, que cresceu mais de 50% no país no trimestre.

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Bebidas não alcóolicas

Para a XP, trata-se de segmento mais resiliente, com quedas de volume menores. No primeiro trimestre de 2020, a gestora estima queda de 2% na comparação anual, e um Ebitda de R$ 348 milhões, 4% inferior no comparativo anual, com margem de 32,5%.

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As quedas são menores do que as do segmento de Cerveja Brasil por dois motivos: a demanda por bebidas não alcóolicas é historicamente mais resiliente em momentos de crise; o canal de bares e restaurantes é menos relevante para o segmento, representando cerca de 35% das vendas (versus 55% para cerveja Brasil).

“Ainda assim, esperamos uma ligeira queda em volumes e preços, que também devem ser promocionais”, explicou.

América Latina

Conforme preta a XP, no primeiro trimestre de 2020 haverá aumento de 3% em volume na comparação anual, uma vez que igual período em 2019 foi bastante desafiador para o segmento.

Assim, a base de comparação é relativamente mais fraca, mesmo diante da crise do coronavírus.

Vale ressaltar que mais da metade do resultado do segmento vem da Argentina e do Paraguai, onde predomina o canal de supermercados e pequenas mercearias, que seguem abertas durante a quarentena, evitando maiores quedas de volume.

Por outro lado, cerca de 25% do resultado do segmento vem da Bolívia, onde predomina o canal de bares e restaurantes, sendo que o país está enfrentando uma quarentena extremamente severa.

“Estimamos Ebitda de R$ 844 milhões para o segmento, 34% inferior na comparação anual, e margem de 40%”, informou.

América central

No primeiro trimestre de 2020 para América Central, a XP estima queda de volume de 8,5% na comparação anual, uma vez que os dois principais países do segmento estão passando por medidas de isolamento social bastante severas.

Na República Dominicana, um forte toque de recolher foi imposto pelo governo federal. Cerca de 40 mil pessoas já foram presas desde o início da quarentena no país por desobedecer ao “toque de recolher” às 17h.

Já no Panamá, foi imposta uma Lei Seca, em que a produção, assim como a venda de bebidas alcóolicas foram suspensas pelo governo.

Trata-se do país com o segundo cenário mais desafiador para a Ambev, atrás apenas da Bolívia. Estimamos um Ebitda de R$ 584 milhões para o segmento, em linha com o do ano anterior, e margem de 37,6%.

Canadá

No primeiro trimestre de 2020 para o Canadá, a XP projeta aumento de 2% em volume na comparação anual, uma vez que se trata de um mercado mais resiliente, em que predomina o canal de venda em supermercados.

O consumidor canadense tem poder de compra elevado e, culturalmente, já tinha o hábito de estocar alimentos e bebidas, então com o início da quarentena houve um primeiro momento de aumento da demanda.

Do lado de preços, estes também são bastante estáveis no país. A única questão é que, como os preços cobrados em supermercados são inferiores àqueles em bares e restaurantes, com o fechamento dos últimos o preço médio poderia cair, potencialmente impactando a receita do segmento.

“Estimamos um Ebitda de R$ 365 milhões, 11% superior na comparação anual, e margem de 24%.”