Ambev (ABEV3): BTG mantém posição neutra e preço-alvo a R$ 13

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Divulgação

O BTG Pactual (BPAC11) divulgou relatório de análise da Ambev (ABEV3), esperando um forte crescimento de volume, impulsionado pela cerveja Brasil. Com isso, mantém a posição neutra para o ativo, com preço-alvo de R$ 13,00.

Após o fechamento desta quarta-feira (7), o ativo valia R$ 13,53 (alta de 1,42%).

A análise vem na expectativa de que os resultados do 3T20 apresentem um crescimento de volume anual de 3,4%.

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Entretanto, o mercado de cerveja no Brasil de apresentar uma forte expansão de 17% na comparação ano a ano.

“Embora, como no 2T20, esperemos que esta previsão alimente esperanças de que a Ambev possa finalmente reacender uma história de crescimento de volume mais consistente, também acreditamos que é importante qualificá-la”, dizem os analistas.

Há uma competição “ainda relutante, em meio às mudanças de canal durante a pandemia”.

Além disso, e, “talvez o mais importante, a temporada de precificação atrasada da Ambev durante o trimestre, que começou mais tarde do que o normal em comparação com os últimos anos”.

Qualidade dos ganhos para permanecer sob controle

A Ambev começou claramente a favorecer o crescimento do volume e a recuperação das ações, mesmo à custa dos preços.

Primeiramente, o BTG acredita que essa nova mentalidade centrada no consumidor é muito do que provavelmente se verá quando os resultados do 3T20 forem divulgados.

Deve vir “um aumento anual de preços mais tarde do que o normal (ainda mais tarde do que alguns de seus concorrentes), combinado com o mix de preços desfavorável causado pelos efeitos da pandemia (maior consumo fora do comércio, consumo unilateral) deve significar preços fracos”.

A receita líquida consolidada deve crescer mais 15% na comparação anual, para R$ 13,7 bilhões.

Isso graças ao câmbio favorável nas operações no exterior, com a desvalorização do real.

Além disso, o BTG prevê um EBITDA de R$ 4,6 bilhões, o que 4% maior na comparação ano a ano.

“A margem deve cair outros 340 pontos-base a/a para 33,5% com preço e mix fraco e custos mais altos”, diz o relatório.

O banco estima o lucro em R$ 2,3 bilhões.


Fonte: BTG Pactual

Cenário pós-pandemia da Ambev

A Ambev historicamente enfrentou bem as crises, lembra o BTG.

“Como no 2T20, acreditamos que a forte execução, a flexibilidade para se adaptar a mudanças de hábitos e a aceleração de novas tendências, como a digitalização, deram bons resultados”, assegura.

Mas o banco ainda vê “a proposta de valor da história do patrimônio com cautela”.

A Ambev permanece não apenas dependente do sucesso de suas marcas principais no canal on trade, que ainda está por se recuperar, como essa nova mentalidade comercial continuará a reduzir as margens.

Com alguns desses impactos positivos de natureza temporária, o BTG não vê motivos para alterar estimativas para 2021 e além.

“A inflação de alimentos também adiciona risco aos volumes de curto prazo”, segue o relatório.

“Negociando com prêmio para pares globais e sem desconto para histórico (apesar da qualidade de lucro inferior), permanecemos Neutros”, conclui.

Credit Suisse na mesma linha

O Credit Suisse reduziu o preço-alvo das ações da Ambev de R$ 20,00 para R$ 18,00.

O banco também observa margens mais pressionadas com a pandemia e com o real desvalorizado.

Contudo, o Credit Suisse manteve recomendação de compra.

O relatório do banco suíço tem o título de “o gigante acordou”.

O concorrente mais direto no mercado de cervejas é a Heineken, que deve se beneficiar também com a reabertura de bares e restaurantes.