Amazon (AMZO34): Jeff Bezos vai ao espaço

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Reprodução / Blue Origin

Jeff Bezos, criador e dono da Amazon, é o homem mais rico do mundo. Quando chegar a hora do empreendimento privado de Bezos, a Blue Origin, enviar turistas ao espaço, cobrando por isso, claro, ele quase certamente estará entre eles.

“Suspeito que ele será – e está, de fato, ansioso para ser – um dos primeiros cidadãos particulares a se lançar no espaço”, escreve Walter Isaacson, um biógrafo-em-andamento de Bezos.

“Você já estremece ao pensar nas gargalhadas do Sr. Bezos ecoando pelos céus”, escreve a The Economist sobre a nova empreitada do megaultramultimilionário.

Juliano Custódio. Henrique Bredda. Luiz Barsi. Gustavo Cerbasi.

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Bezos e seu sonho de infância

É fácil supor que, para o homem de 56 anos que tem (e vende) de tudo, o turismo espacial é um projeto de vaidade.

Ele lança foguetes de seu rancho no oeste do Texas.

Sua careca lembra a de seu ídolo, o Capitão Jean-Luc Picard, de “Star Trek”.

Ele está realizando um sonho de infância.

Em 1982, disse a seus colegas de escola: “a espaço, a fronteira final… me encontrem lá!”.

Ele, definitivamente pode tentar. Dinheiro para isso ele tem. Mais do que qualquer pessoa no planeta.

Inventar e viajar

No entanto, descartar sua busca espacial como uma combinação de crise da meia-idade e dinheiro para queimar seria subestimar o zelo missionário que move o Sr. Bezos, e que “Invent & Wander”, uma coleção de 23 anos de cartas aos acionistas da Amazon e outras reflexões, ilustra.

Seu trabalho na Terra ainda não terminou.

A Covid-19 o trouxe de volta ao comando da Amazon.

Nesta semana, a Amazon (AMZO34) divulgou lucro líquido de US$ 6,331 bilhões no terceiro trimestre de 2020, o que representa US$ 12,37 por ação.

É um aumento de 196,67% em comparação com o lucro líquido de US$ 2,134 bilhões, ou US$ 4,23 por ação, no terceiro trimestre de 2019.

Mas sua biografia em construção é principalmente voltado para o passado.

Deixa uma sugestão tentadora de que você precisa examinar a estratosfera para ver o que vem a seguir.

O que isso significa para o futuro da Amazon fica frustrantemente vago.

A Blue Origin

É difícil imaginar empreendimentos mais diferentes do que varejo e foguetes.

Por mais revolucionárias que sejam as duas empresas, existem poucas empresas mais obstinadas do que a Amazon, e poucos conceitos mais sonhadores do que a colonização espacial.

A Amazon é um monumento ao consumidor, e vale US$ 1,6 trilhão.

Sua plataforma promete preços implacavelmente mais baixos, entrega mais rápida e maior variedade – bem como poder de computação em nuvem mais rápido, no caso da Amazon Web Services (AWS).

A visão da Blue Origin, financiada pela venda das ações do Sr. Bezos na Amazon, é utópica.

É “possibilitar um futuro onde milhões de pessoas vivam e trabalhem no espaço para beneficiar a Terra”.

Ela espera conseguir isso criando veículos de lançamento que possam pousar e ser totalmente reutilizáveis.

New Shepard, sua espaçonave suborbital, completou mais de uma dúzia de voos.

No entanto, está anos atrasada para levar turistas ao espaço, como prometido e intencionado.

Por enquanto, o principal cliente da Blue Origin é o governo e não parece que isso vai mudar tão cedo.

É preciso entender que ir ao espaço, para pessoas comuns e endinheiradas, é uma questão de desejo pessoal, não uma necessidade.

Sem poupar despesas

As duas empresas operam com diferentes graus de transparência e velocidade também.

A Amazon é uma empresa pública desde os três anos de idade.

Seu lema ao ser criada era “crescer rápido” e sua busca obsessiva por inovar inclui a disposição para o fracasso.

A Blue Origin foi mantida em segredo por anos após seu nascimento, em 2000.

Ela se autodenomina uma tartaruga, não uma lebre. Não há pressa. Seu lema é “passo a passo, ferozmente”.

Como disse Bezos, “se você está construindo um veículo voador, não pode economizar”.

É mais ou menos como John Hammond, o milionário personagem de Richard Attenborough, em “Parque dos Dinossauros”: “não poupamos despesas”.

O passo a passo da Blue Origin é para que o final não seja como o filme de Spielberg, uma tragédia.

Concorrência

Bezos diz aos funcionários para terem medo dos clientes, não dos concorrentes. Blue Origin é uma retardatária.

Ela está tentando alcançar a SpaceX, o negócio de foguetes de Elon Musk, da Tesla, outro plutocrata louco pelo espaço.

Outros rivais incluem Virgin Galactic, o empreendimento de Richard Branson, magnata britânico.

Fortes do setor aeroespacial, como Lockheed Martin e Northrop Grumman, são colaboradores e concorrentes.

A Boeing é uma empresa poderosa.

Ainda assim, na Amazon, Bezos provou que pode administrar negócios tão diversos. Como ele escreveu em 2015, Amazon e a AWS podem parecer diferentes, mas compartilham princípios básicos semelhantes sobre os quais atuam.

O mesmo pode ser verdadeiro para Amazon e Blue Origin.

Stairway to heaven

Suas visões são dominadas por uma narrativa simples.

O foco da Amazon é a satisfação do cliente, por trás do qual funcionários, fornecedores e acionistas se alinham.

A crença central da Blue Origin é que foguetes reutilizáveis ​​reduzirão os custos de modo que o acesso ao espaço seja possível para muitos.

Esses mantras são repetidos indefinidamente.

As duas empresas compartilham uma ambição de tirar o fôlego.

Do Kindle e AWS ao Echo e Alexa, a Amazon frequentemente oferece aos clientes mais do que pensaram que precisavam.

Com a Blue Origin, o Sr. Bezos espera poder desencadear a atividade empresarial, permitindo que outros sigam seu “caminho para o espaço” e criem uma nova era para os negócios.

Mais importante, ambas as empresas estão imbuídas da devoção de Bezos ao longo prazo.

Em suas missivas sobre a Amazon, ele reafirma repetidamente sua intenção de investir para ganhar a liderança de mercado em uma variedade de setores, em vez de priorizar os lucros de curto prazo.

Os horizontes da Blue Origin são medidos em décadas, senão em séculos.

É um longo caminho aos céus.

Bezos em órbita

O que sua fixação pelos céus diz sobre o futuro de Bezos na Amazon continua sendo uma questão incômoda.

A biografia não sugere controvérsias como o tratamento que o império online dispensa a vendedores terceirizados, o esvaziamento das ruas comerciais ou a supressão dos esforços de sindicalização.

Isso repete o clichê de que é o “primeiro dia” para a Amazon, embora os concorrentes no e-commerce e a nuvem aumentam.

Não dá para saber se a AWS, sua divisão mais lucrativa, deve ser desmembrada ou quando Bezos pode deixar o cargo.

Mas deixa claro que a Blue Origin, como disse Bezos no ano passado, é “o trabalho mais importante que estou fazendo”.

Um dia, isso pode levá-lo não apenas para a órbita, mas também para longe da nave-mãe.

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