Alta do dólar: oportunidades no mercado de ações

Natalia Gómez
Editora, é jornalista especializada no mercado de investimentos há 17 anos. Formada pela PUC-SP, teve experiências em veículos como Agência Estado, Valor Econômico e Revista Você SA; e na área de comunicação corporativa e relações públicas para instituições financeiras.

O dólar está no centro das atenções do mercado financeiro, depois da forte valorização da moeda durante a pandemia do coronavírus. Nesta hora, muita gente se pergunta como ganhar dinheiro com a alta do dólar.

Existem alguns investimentos clássicos para ganhar com a alta do dólar. São eles fundos cambiais, COEs de dólar e também o mercado futuro de dólar, conforme explicado nesta matéria.

Mas além disso, você sabia que também é possível ganhar com a alta do dólar na sua carteira de ações? Isso é possível porque existem ações que tendem a acompanhar o movimento do dólar. Ou seja, quando a moeda norte-americana sobe, as ações tendem a subir junto.

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Em geral, são empresas brasileiras que têm muitos negócios no exterior. Por exemplo, a exportação de produtos para outros países. Com isso, a receita destas companhias é “dolarizada”. Quando o dólar sobe de valor, a receita em reais aumenta.

Outra forma de expor a sua carteira de ações ao dólar é comprando ações no mercado internacional.

Dólar protege contra choques mundiais

Antes de detalhar as alternativas acima, é importante explicar qual é o papel do dólar na sua carteira de investimentos. Por ser considerado um ativo muito seguro, o dólar atrai os investidores de todo o mundo quando ocorre uma crise.

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Em outras palavras, quando uma crise mundial acontece, os investidores vendem suas posições em países emergentes e compram dólar. Pode-se dizer que o ouro tem um papel semelhante na hora da crise.

Durante a pandemia do coronavírus, o papel defensivo do dólar ficou ainda mais evidente. Quem tinha uma parte da carteira exposta à moeda viu esta fatia se valorizar, compensando perdas em outros tipos de ativos.

Neste ano, o dólar chegou perto de R$ 6 em meados de maio. Depois, o mercado viu algum alívio, mas não se descarta um novo movimento de alta da moeda.

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Um dos motivos é a contínua queda da taxa básica de juros no Brasil, que estimula a saída de dólares do país e sua consequente apreciação. O mercado estima que a Selic deve ficar abaixo de 2% até o final do ano.

Agora que você já sabe qual é o papel do dólar na carteira, confira em detalhes como ter uma carteira de ações “dolarizada”.

Empresas brasileiras expostas ao dólar

Investir em ativos que tenham maior exposição à moeda norte-americana é uma boa pedida. Isso faz parte da ideia principal em qualquer carteira de ações, que é buscar uma diversificação entre os setores da economia.

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“Independente do cenário, se mais otimista ou pessimista, o ideal é fazer alocações em vários segmentos como forma de minimizar os riscos de mercado”, explica Lucas Carvalho, analista da Toro Investimentos.

Neste contexto, é indicado olhar para setores que têm uma expectativa positiva de longo prazo e também uma maior exposição ao comércio exterior.

Entre eles estão os setores de mineração e celulose/papel. Nestes mercados, Vale e Klabin são boas opções, segundo Carvalho.

Vale

Além de ser uma das maiores mineradoras do mundo, a Vale (VALE3) tem uma vantagem competitiva frente às suas rivais. Isso porque a qualidade do minério de ferro tem um nível de pureza superior.

Outra vantagem é que a empresa revisou seu guidance projetando uma menor produção este ano.

Mesmo com o cenário da pandemia, o preço do minério de ferro está estável. Isso porque vários países estão incentivando obras de infraestrutura. Principalmente a China.

Com todos estes fatores, o faturamento da Vale deve permanecer forte, segundo a Toro.

Klabin

A Klabin é uma das maiores empresas de produção de celulose e papéis. Do total da receita líquida, 41% é oriunda do mercado externo. Isso deixa a empresa menos exposta ao cenário brasileiro.

No momento, a normalização dos estoques de celulose estão acontecendo, ainda que de forma gradual. Futuramente, isso poderá ampliar os preços da commodity e beneficiar o faturamento da Klabin.

Além de mineradoras e produtores de celulose, outro setor atrativo é o de frigoríficos, segundo a Genial Investimentos. O setor também é um forte exportador brasileiro. Por isso, se beneficia dos mesmos movimentos que impactam as outras exportadoras.

Equilíbrio é fundamental

Como ficou claro, em momentos de aversão a risco, o dólar se aprecia em relação ao real. Isso tende a impactar o faturamento de empresas com viés exportador e, consequentemente, puxa os preços das suas ações na Bolsa para cima.

No entanto, quando existe uma tendência de alta bem definida para os ativos brasileiros, estas empresas podem ter um retorno abaixo da média de mercado.

Por esta razão, o ideal é alocar em ativos ligados à economia doméstica e outros ligados ao dólar. O percentual de alocação nestes ativos vai depender do perfil de capital do investidor e da carteira. “Em geral, a exposição de 10% em cada ativo, mantendo outras ações no portfólio, pode ser interessante”, explica o analista.

Comprar ações no exterior

Outro caminho para ter uma parte da carteira de ações exposta ao dólar é investir em ações no exterior.

Para isso, é preciso abrir uma conta em uma corretora de valores no exterior. Desta forma, é possível comprar ações de forma direta.

Segundo a analista de fundos internacionais da Spiti, Francine Balbina, muitas corretoras dos Estados Unidos permitem a abertura de conta por investidores não residentes.

Ela recomenda que o investidor verifique se existe necessidade de investimento mínimo. Também é preciso levar em conta que os investimentos no exterior são tributados no Brasil.

Sobre os setores, Francine avalia que o setor de tecnologia é o mais atrativo nos Estados Unidos. “Independentemente da crise e da pandemia, é um setor que tende a continuar crescendo. E tem poucas opções nesta área no Brasil”, explica.

Entre as vantagens das empresas de tecnologias estão a liquidez elevada, o caixa robusto e a resistência a momentos de stress de mercado.

Em geral, a Spiti recomenda que os investidores tenham cerca de 20% da carteira em renda variável. Deste montante, uma fatia de pelo menos 5% deve ficar alocada no exterior.

Vale destacar que também é possível investir no exterior a partir de fundos de investimento situados no Brasil. Existem fundos com investimentos internacionais que oferecem proteção cambial, ou seja, não têm o impacto do câmbio.

No entanto, também existem fundos de investimento com investimento no exterior sem esta proteção. Neste caso, os ganhos são beneficiados em cenários de alta do dólar. Estes são uma opção para quem deseja dolarizar a sua carteira.

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