Alphaville (AVLL3) espera levantar R$ 468 milhões com IPO

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
1

Crédito: Alphaville S.A. (AVLL3)

A Alphaville S.A. (AVLL3), holding que atua com o desenvolvimento de loteamentos urbanos fechados, está com tudo pronto para fazer sua estreia na bolsa brasileira no dia 6 de novembro. A precificação da oferta deve ocorrer no dia 4 em uma operação que pode movimentar cerca de R$ 468 milhões.

Na semana passada, a empresa, que tem como acionista o fundo de private equity Pátria, definiu a faixa indicativa de preços do IPO entre R$ 41,50 e R$ 47,80.

Cerca de 40% dos recursos levantados com o IPO serão usados para pagar dívidas, o restante será destinado à expansão nacional, compra de terrrenos e novos empreendimentos.

Confira principais Ações para investir em Outubro

A empresa traz para o mercado um case de sucesso na cidade de Barueri: o loteamento Alphaville, que tornou-se um bairro e um ícone de sustentabilidade e planejamento no país.

Por meio de sua controlada Alphaville Urbanismo, a empresa já lançou mais de 130 empreendimentos ao longo de quatro décadas.

A história de Alphaville

Alphaville Urbanismo, controlada pela Alphaville S.A., é reconhecida no desenvolvimento de loteamentos urbanos e condomínios fechados (gated-communities) para as classes média e alta.

Monitore completamente sua Carteira

A empresa surgiu em 1973, quando o engenheiro Renato Albuquerque se uniu ao amigo e sócio Yojiro Takaoka para criar o primeiro centro empresarial do Brasil para indústrias não poluentes.

Logo, eles notaram que quem passou a trabalhar ali precisava de moradias mais próximas da região. As pessoas queriam mais qualidade de vida, e assim surgiu o Alphaville Residencial. Assim, o condomínio tornou Barueri (SP) um polo econômico, consolidando um conceito de urbanismo sustentável que se espalhou pelo país.

Com projeto urbanístico dos arquitetos José de Almeida Pinto e Reinaldo Pestana, o Alphaville era a realização de uma verdadeira cidade planejada, com jardins, avenidas, ruas, canteiros e calçada em 500 hectares de terra. Assim, em quatro décadas o projeto se tornou um grande bairro, sendo o motor econômico da cidade de Barueri.

Um dado curioso é que o nome Alphaville foi inspirado no filme de mesmo nome do cineasta francês Jean-Luc Godard.

A proposta de criar loteamentos urbanos extrapolou o Estado de São Paulo e ao longo dos anos a Alphaville expandiu-se pelo país. Hoje está presente em 23 estados e em mais de 70 cidades do país. Já lançou mais de 130 empreendimentos em 60.000 lotes espalhados pelo Brasil.

Projetos e produtos da Alphaville

A empresa está há 46 anos no mercado, tem mais de 120 projetos em desenvolvimento e um banco de terrenos cujo potencial de venda é estimado em aproximadamente R$ 17 bilhões. Aproximadamente 62% do landbank corresponde a expansões de loteamentos existentes, ou em áreas próximas a tais loteamentos.

A linha de produtos da companhia é composta por três tipos de empreendimentos:

  • “Alphaville”: empreendimentos compostos por lotes com no mínimo 360 m², área de lazer de 25 a 30 mil metros quadrados, e tíquete médio de R$ 240 mil – com foco em clientes de alta renda (classe AA);
  • “Terras Alpha”: empreendimentos compostos por lotes com tamanho médio de 250 m² a 360 m², área de lazer de 12 mil a 15 mil metros quadrados, e tíquete médio de R$ 180 mil – com foco em clientes de renda média-alta (classe A);
  • “Jardim Alpha”: (produto em desenvolvimento) empreendimentos compostos por lotes com tamanho médio de 200 m² a 250 m², área de lazer de 6 mil metros quadrados, e tíquete médio de R$100 mil – com foco em clientes de renda média (classe B).

O IPO de Alphaville

Assim como a maioria das empresas durante a crise do coronavírus, a Alphaville também alterou seu pedido de IPO. Mas houve uma mudança durante o processo.

Em março,  foi protocolado na CVM o pedido de IPO da Alphaville Urbanismo. O pedido foi suspendo temporariamente e, em agosto, a empresa pediu a retomada do processo. Mas mudou de ideia, pedindo o cancelamento do IPO. No lugar, foi protocolado o IPO da Alphaville S.A., ou seja, da holding controladora da empresa.

Sob o código AVLL3 a Alphaville quer ser listada no Novo Mercado. Haverá oferta pública de distribuição primária e secundária de ações ordinárias.

A companhia tem 100% de seu capital detido por fundos de investimentos geridos pelo Pátria Investimentos.

Por fim, os coordenadores da oferta são o Itaú BBA, o BTG Pactual e a XP.

Destinação de recursos

A empresa pretende utilizar os recursos líquidos provenientes da oferta para: pagamento de contratos financeiros; investimentos operacionais; e despesas administrativas, de vendas e gerais. Assim, os principais objetivos são:

  • Pagamento antecipado de contratos financeiros;
  • A Alphaville pretende usar parte dos recursos captados na oferta para investimentos em software, pesquisas, despesas administrativas, de vendas e gerais e capital de giro para construção de casas;
  • A empresa pretende usar parte dos recursos captados na oferta para avaliar e aumentar sua participação em novos empreendimentos lançados. Assim, aumentaria o volume de receitas sem aumento de despesas operacionais;
  • Aquisição de terrenos: historicamente, a Alphaville não compra terrenos. Seu modelo de negócio é baseado em permutas financeiras ou físicas com os proprietários da terra. Mas a companhia entende que existem oportunidades, principalmente nas fases finais de aprovação;
  • Despesas administrativas, de vendas e gerais e outros relacionados a capital de giro.