Investimento no exterior: brasileiros buscam alta rentabilidade

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.

Crédito: Reprodução/Pixabay

Investimentos no exterior costumavam ser vistos pelos brasileiros como uma alternativa voltada apenas para milionários ou especialistas do mercado. No entanto, esta realidade está mudando. Com a crise econômica e a redução da taxa básica de juros no Brasil, as alocações no exterior são uma nova tendência, até mesmo para os investidores iniciantes.

Números do Banco Central apontam que o investimento líquido em carteira do brasileiro no exterior em 12 meses até março de 2021 somava US$ 8,3 bilhões. Só no primeiro trimestre, as saídas líquidas chegaram a US$ 1,6 bilhão. No ano de 2020, o brasileiro mandou para o exterior US$ 10,9 bilhões, na compra de ações, dívidas e fundos.

Os especialistas destacam que a mudança no comportamento dos brasileiros faz todo sentido. Afinal, o mercado de investimentos local representa apenas uma pequena parte do mercado global.

Segundo Elias Wiggers, assessor de investimentos daEQI Investimentos, existe uma regra conhecida como ‘3, 2, 1’. Em outras palavras, significa que o Brasil representa 3% do Produto Interno Bruto mundial. Ao mesmo tempo, representa 2% da renda fixa global. Já a bolsa brasileira representa 1% de todo o volume negociado no globo em termos de capitalização de mercado.

“Só por aí, já fica fácil entender o quanto você fica restrito se você tiver 100% das suas aplicações no Brasil”, diz.

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Vantagens da alocação no exterior

Investir no exterior pode significar a busca por rendimentos maiores. Mas traz ainda outras vantagens. A primeira é a correta diversificação de seus investimentos. O dólar será sempre a moeda forte e o real estará sempre suscetível a desvalorizações.

Além disso, com alocações no exterior, você passa a diversificar também geograficamente, garantindo proteção de mercados menos voláteis do que o brasileiro.

“No mercado global, você isola a carteira e não fica exposto às peripécias políticas do Brasil”, diz Lucas Collazo, estrategista de alocação da Rico.

E ainda tem mais: a economia americana, em especial, tem uma atratividade para o investidor que é só dela: as gigantes de tecnologia, que são, disparado, as empresas que mais valorizam.

Alocação no exterior: só para quem tem muito dinheiro?

Engana-se quem pensa que investir no exterior só vale para quem dispõem de grandes quantias e conta lá fora. Há boas opções mesmo para o investidor não-qualificado (ou seja, aquele que não possui mais de 1 milhão em ativos). E dá para investir daqui mesmo.

COE

O Certificado de Operações Estruturadas é uma versão brasileira das chamadas Notas Estruturadas, bastante populares nos Estados Unidos. É um tipo de aplicação que une a segurança da renda fixa com a rentabilidade da renda variável.

Ele é indicado para quem está começando a investir no exterior e ainda está receoso a respeito.

E tem uma vantagem muito interessante: a maioria dos COE têm capital protegido. Isto quer dizer que o investidor recebe de volta todo o valor investido, mesmo que ocorra uma perda no investimento.

O COE pode estar atrelado a ações nacionais e estrangeiras, índices da bolsa brasileira e das bolsas americanas. E também a taxas de juros, commodities, e moedas. É a combinação destes ativos garante segurança, ao mesmo tempo em que busca mais lucratividade.

Fundos de investimento

Também indicado para os investidores menos experientes no mercado externo, os fundos de investimento internacional trazem a vantagem de contar com gestores que acompanham e definem as melhores opções. Você pode optar por fundos de ações, mais agressivos, ou fundos multimercado, que são mais seguros por diversificar os investimentos.

BDR

O Brazilian Depositary Receipt, ou certificado de depósito de valores mobiliários, permite investir diretamente em empresas norte-americanas pelo mercado brasileiro. Esta opção é mais interessante para investidores com um perfil mais agressivo e que tenham experiência no mercado.

ETFs

Também é possível investir em fundos de índice (ETFs) que replicam ativos internacionais. Mas é cobrada taxa de administração.

Alocação no exterior: a relevância do assessor de investimentos

Apesar da boa oportunidade, o investidor deve ter em mente que vai navegar em águas desconhecidas. Portanto, é preciso ter boa informação e estar bem assessorado.

Contatar um assessor de investimentos é garantir uma terceirização profissional e capacitada para fazer a melhor escolha.

Atingir um patrimônio de R$ 100 mil é para poucos, o que amplia o desafio de busca pelas melhores aplicações para multiplicá-lo.