Alimentos: exportações impulsionam resultados de empresas do setor de proteínas

Mitchel Diniz
Colaborador do Torcedores
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Crédito: Reprodução / Marfrig

As empresas do setor de proteínas apresentaram resultados mistos no segundo trimestre de 2021 (2T21), mas foram igualmente impactadas por aumentos nos custos de produção. Para as produtoras de carne bovina, pesou a disparada do preço do boi gordo, que foi repassada ao consumidor final e resultou em retração de demanda. Já o segmento de proteína suína e de frango sofreu com a alta dos insumos, como milho e farelo de soja.

A demanda de mercados internacionais, por outro lado, teve grande relevância nos resultados positivos de algumas dessas empresas. Isso aconteceu por causa da flexibilização mais intensa das regras de distanciamento social. O segundo trimestre marcou a reabertura da economia em importantes mercados consumidores dos frigoríficos brasileiros, como os Estados Unidos.

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JBS (JBSS3): Resultados recordes com vendas no exterior

A maior empresa de proteínas do mundo bateu recordes no 2T21. O lucro da companhia no período ficou em R$ 4,38 bilhões, com um crescimento de 29% na comparação anual.

A receita líquida da companhia aumentou 27% em relação ao segundo trimestre do ano passado, para R$ 85,6 bilhões. “Destaque para as divisões norte-americanas JBS Beef e Pilgrim’s Pride, sendo as maiores contribuições para a cifra”, aponta um relatório da Levante Ideia de Investimentos.

Aproximadamente 65% do lucro com as operações da empresa (EBITDA) veio da JBS Beef. A subsidiária se beneficiou com forte demanda por carne, tanto no mercado norte-americano como na exportação, permitindo repasse de preços, mesmo com a alta de custos. “A companhia segue uma grande geradora de caixa”, afirmam os analistas da Levante.

A XP Investimentos, porém, observa que o cenário segue desafiador no Brasil. “A divisão de frango e suínos [Seara] foi impactada por aumento nos custos de milho e farelo de soja. A divisão de carne bovina, JBS Brasil, apresentou ligeira melhora nos resultados”, dizem os analistas da casa de investimentos.

Marfrig (MRFG3): Exposição ao mercado norte-americano garantiu bons resultados

A demanda por carne bovina nos Estados Unidos também impulsionou o resultado da empresa. Mais da metade (65%) das receitas do frigorífico vem do mercado norte-americano. Assim, a Marfrig também apresentou números recordes, com um lucro líquido de R$ 1,7 bilhão no 2T21, 9% maior que o registrado no mesmo período do ano passado. A receita líquida ficou em R$ 20,6 bilhões.

“O cenário no mercado americano está muito forte tanto em termos de oferta quanto em demanda em função da alta disponibilidade de gado e uma retomada mais robusta da economia americana”, dizem os analistas da Genial Investimentos em relatório. O resultado ficou acima do projetado pela casa de investimentos.

A empresa pagou R$ 5 bilhões na aquisição de 23,4% do capital da BRF e aguarda aprovação da autoridade antitruste para compra de mais uma fatia, de 8,9%. Ao todo, a Marfrig deve ficar com 32,3% da BRF.

O frigorífico também anunciou o pagamento de dividendos de 958 milhões em setembro.

“Gostaríamos muito de saber se a Marfrig conseguiu evoluir sua política de dividendos para algo mais recorrente que permitisse aos investidores persegui-la ao longo do tempo”, dizem os analistas do BTG Pactual em relatório.

BRF (BRFS3): Prejuízo com custos financeiros e endividamento alto

A companhia fechou o 2T21 com um prejuízo líquido de R$ 199 milhões, revertendo o lucro de R$ 307 milhões obtidos no mesmo período do ano passado. De acordo com os analistas do BTG Pactual, a participação de mercado da BRF no mercado brasileiro continua “diminuindo gradativamente”, com preços e volumes de processados inferiores aos concorrentes.

“O prejuízo líquido foi de fato uma decepção, arrastado por custos financeiros acima do esperado, uma vez que endividamento continua alto”, dizem os analistas do BTG. Já o relatório da Genial Investimentos destaca que a margem da BRF está muito ruim, diante de custos elevados da matéria-prima.

“Além disso, o foco do business é em carne de frango e suínos, que deveria apresentar margens melhores do que o negócio de carne bovina (que é o foco dos concorrentes). Os preços de grãos em altas históricas e a situação financeira desafiadora da empresa nos mantêm cautelosos”, afirmam os analistas da Genial.

Minerva (BEEF3): Unidade fora do país faturou mais que a divisão brasileira

A Minerva não ficou no prejuízo no segundo trimestre, mas o lucro líquido da empresa caiu 54% em relação ao mesmo período do ano passado, para R$ 116,7 milhões. A receita líquida da empresa foi de R$ 6,3 bilhões, puxada sobretudo por exportações.

“Mesmo com a disparada nos preços de sua matéria prima (o boi gordo) e de restrições às exportações, a Minerva entregou um desempenho positivo para o intervalo, em razão da forte demanda por proteínas animais ao redor do globo”, aponta relatório da XP Investimentos.

A empresa comercializa carne bovina “in natura”, derivados e atua também na exportação de gado vivo. A Genial Investimentos destaca a participação da Athena Foods, unidade fora do país que engloba Paraguai, Uruguai, Argentina, Colômbia e ultrapassou a divisão Brasil nos resultados pela primeira vez.

“A vasta presença e variedade geográfica da companhia permitiu agir de forma rápida às mudanças de mercado, de modo a preservar o nível de produção, mantendo as margens saudáveis”, diz relatório da Levante Ideia de Investimentos.

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