Aliansce Sonae (ALSO3): ‘precisamos de liquidez para manter empregos’, diz presidente

Osni Alves
Jornalista | osni.alves@euqueroinvestir.com
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Presidente da Aliansce Sonae (ALSO3), Rafael Sales disse que o segmento precisa de liquidez para manter os empregos. O setor foi um dos mais afetados pelos impactos do coronavírus.

Sales comparou os efeitos da pandemia a um meteoro que atingiu em cheio o setor. A Aliansce Sonae administra 39 centros comerciais em 13 Estados, dos quais, dez em São Paulo.

“Tivemos 100% de paralisação. Isso não ocorreu nem com as companhias aéreas, que ainda mantiveram alguns voos”, disse em entrevista ao Estadão na sexta-feira (1).

Para segurar o tranco, a administradora já investiu R$ 300 milhões para ajudar lojistas de seus shoppings. Trata-se de renegociação de alugueis e outros custos operacionais.

Embora faça inúmeras contas para saber quando poderá encerrar o auxílio aos locatários, como redução dos valores de condomínio, a empresa ainda não chegou à conclusão.

Isso porque o cenário ainda é nebuloso. Ninguém sabe ao certo quando a crise irá acabar e se no pós-crise as pessoas irão voltar ao consumo, visitando shoppings, galerias e lojas.

Para Sales, “é indiscutível que a indústria de shoppings e o varejo encontram-se entre os segmentos da economia mais prejudicados pelas medidas de combate à covid-19.”

Se de um lado o empresariado apoia as medidas de quarentena, por outro estas mesmas medidas afetam de forma severa a capacidade de geração de recursos do segmento.

Veja o desempenho na Bolsa:

Fonte: tradingview.

Olhar para fora

De acordo com o executivo, ao observar a Ásia, onde a pandemia iniciou, mas já arrefeceu, os shoppings estão abertos há algum tempo.

“O Brasil mal teve tempo de sair da recessão e já enfrenta um problema desse tamanho, que é global. No ano passado, tivemos na Aliansce Sonae a ocupação ou substituição de locatário de 750 lojas nos nossos 39 shoppings”, disse.

E acrescentou: “a maior parte desses lojistas é de pequenos empreendedores ou donos de franquias, que não têm recebido apoio suficiente de governos e dos bancos, pelo que temos acompanhado. É um grande banho de água fria para o setor.”

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Suporte aos lojistas

Conforme Sales, a Aliansce promoveu isenção de aluguel em maio, desconto de 50% no aluguel de março e parcelamento desta outra metade em seis vezes, a partir de outubro.

“Também conseguimos reduzir o impacto no fluxo de caixa com descontos progressivos nas taxas condominiais, que já estão em 50%”, disse.

Para o Dia das Mães, segunda data mais importante para o varejo, a administradora está criando uma página nos sites e redes sociais de cada um dos nossos shoppings, indicando as lojas que fazem venda online ou via Whatsapp.

“Até semana que vem, esperamos que todos os nossos shoppings já estejam entregando produtos nos seus estacionamentos, no formato drive thru”, frisou.

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O que o setor espera?

Segundo Sales, o segmento aguarda financiamentos e reduções de impostos. Muitos lojistas têm dificuldade para acessar linhas de crédito que tinham antes da pandemia.

A retomada do setor será gradual. A volta dos consumidores será lenta. O setor não espera um grande número de fechamento de lojas, e a judicialização ainda está muito baixa.