Alexandre de Moraes suspende nomeação de Ramagem na PF

Marcelo Hailer Sanchez
Jornalista, Doutor em Ciências Sociais (PUC-SP) e Mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP). Pesquisador em Inanna (NIP-PUC-SP). Trabalhei nas redações do Mix Brasil, Revista Junior, Revista A Capa e Revista Fórum. Também tenho trabalhos publicados no Observatório da Imprensa e revista Caros Amigos. Sou co-autor do livro "O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente" (AnnaBlume).
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Crédito: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, suspendeu, na manhã desta sexta-feira (29), a nomeação de Alexandre Ramagem como diretor-geral da Polícia Federal (PF). Moraes atendeu a um pedido feito pelo PDT. A posse de Ramagem estava marcada para às 15h de hoje.

Em seu despacho, Alexandre de Moraes afirmou que as acusações do ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, de que o presidente Bolsonaro tentou interferir no trabalho da PF somada Pas mensagens trocadas com Moro revelam “ocorrência de desvio de finalidade”

“Tais acontecimentos, juntamente com o fato de a Política Federal não ser órgão de inteligência da Presidência da República, mas sim exercer, os termos do artigo 144, §1º, VI da Constituição Federal, com exclusividade, as funções de polícia judiciária da União, inclusive em diversas investigações sigilosas, demonstram, em sede de cognição inicial, estarem presentes os requisitos necessário para a concessão da media liminar pleiteada”, declarou Moraes.

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A Advocacia Geral da União (AGU) declarou que vai recorrer da decisão.

Nomeação polêmica

Desde que Sergio Moro deixou o Ministério da Justiça e, entre as suas justificativas, alegou intervenção do governo Federal nas investigações da PF, parlamentares da oposição tem pedido para que o presidente Bolsonaro seja investigado. O termômetro subiu quando o nome de Alexandre Ramagem começou a ser aventado como um dos substitutos de Maurício Valeixo na PF. Isso porque Ramagem é amigo íntimo dos filhos do presidente.

Antes mesmo da confirmação do nome do novo diretor-geral da PF, fotos de Ramagem em uma festa com o Carlos Bolsonaro já circulavam pelas redes socais e portais da imprensa. Os senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Fabiano Contarato (Rede-ES) entraram com uma liminar para impedir a nomeação de Ramagem e suspender a exoneração de Valeixo. Na justificativa, os parlamentares alegavam que tal troca confirmaria as acusações de Moro por conta da proximidade de Ramagem com Carlos Bolsonaro. Porém, o juiz federal Ed Lyra, da 22ª Vara Federal do Distrito Federal, negou o pedido.