Como Alex Behring entrou para o top 10 dos bilionários

Paulo Amaral
Jornalismo é meu sobrenome: 20 anos de estrada, com passagens por grandes veículos da mídia nacional: Portal R7, UOL Carros, HuffPost Brasil, Gazeta Esportiva.com, Agora São Paulo, PSN.com e Editora Escala, entre outros.

Em 2020, o ranking dos maiores bilionários brasileiros ganhou um novo nome. O carioca Alexandre Behring da Costa, de 53 anos, fez sua estreia no TOP 10 da revista Forbes, com  uma fortuna de US$ 6,3 bilhões (dado de julho).

O patrimônio de Behring vem do império construído pelos empresários Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira, com quem ele trabalha desde a década de 1990.

Hoje,  é presidente do conselho de administração da Kraft Heiz, uma das maiores companhias de alimentos do mundo.

Ferramenta ajuda na escolha de suas ações de acordo com balanços

Também comanda o conselho da Restaurant Brands International, dona das redes Burger King e Tim Hortons.

Alexandre Behring, sócio da 3G Capital

Alexandre Behring, sócio da 3G Capital, está na lista de bilionários da Forbes Foto: Youtube

A trajetória de Behring está diretamente relacionada ao estilo de gestão do trio Lemann, Telles e Sicupira. Juntos, eles criaram a maior cervejaria do mundo, a AB Inbev. Os três sempre defenderam que os melhores talentos devem ser premiados e promovidos a desafios maiores.

Foi o que aconteceu com Behring, que também virou sócio, junto com os chefes, do 3G capital,  uma empresa de investimentos que aplica parte do patrimônio em companhias nos Estados Unidos.

Jorge Paulo Lemann: bilionário revolucionou o capitalismo brasileiro

Telles e Sicupira: como eles ficaram bilionários 

Primeiros passos

Formado em engenharia eletrônica pela PUC do Rio, Behring começou a estagiar no Citigroup quando ainda estava na faculdade. No banco, trabalhava com redes internas de informação.

Em 1988, quando tinha apenas 22 anos, tornou-se sócio na Modus OSI Tecnologias, empresa que prestava serviços para bancos.

Cinco anos mais tarde, vendeu sua participação no negócio e foi cursar MBA na Harvard Business School. Ficou entre os melhores da turma. Dali, seguiu para um estágio no banco de investimentos Goldman Sachs, onde a meritocracia e cultura de competição imperam.

Missão dada é missão cumprida

Os caminhos de Behring e do trio de empresários brasileiros se cruzaram em Harvard. Beto Sicupira, que na época comandava o GP Investiments no Brasil, deu uma palestra na turma do garoto carioca. O palestrante ouviu de um professor elogios ao estudante brasileiro.

Com faro para encontrar novos talentos, Sicupira contratou Behring como analista do GP em 1994. Em um ano, o jovem foi promovido a sócio e pouco tempo depois já seria colocado à prova.

Mesmo sem entender nada de ferrovias, foi escalado para tocar a Rede Ferroviária Federal, rebatizada de ALL após ser comprada pelo GP.

Ao assumir a missão, em 1997, Behring recebeu um conselho de Beto Sicupira. “Durante o primeiro ano você e seu time não façam nada que tenha a ver com o negócio”, disse o empresário. “Façam coisas que exijam apenas bom senso, enquanto aprendem como funciona a empresa. Se vocês fizerem coisas muito ligadas ao negócio, há grande chance de sair bobagem.”

Trem da ALL

Alexandre Behring revolucionou a ALL no fim dos anos 90 Foto: Divulgação

Na ALL, Behring adotou a receita do trio: demissões, metas para toda a empresa e corte de custos em todos os níveis possíveis.

Em pouco menos de dez anos, a companhia passou de estatal sucateada a maior operadora logística de trens da América Latina.

Em NY, Behring tem um novo desafio

Em 2004, aos 37 anos e ainda loiro, Alexandre Behring deixou o comando da ALL, que presidia em nome do GP Investiments, para iniciar outra empreitada.

O GP foi o primeiro fundo de private equity do País, criado em 1993 por Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles para comprar empresas em dificuldade, reestruturá-las e vendê-las com lucro mais tarde.

No início dos anos 2000, os sócios venderam suas participações para os acionistas mais jovens e deixaram o GP para se dedicar à consolidação global da indústria cervejeira. Essa onda de aquisições culminou com a criação da AB-Inbev, dona de marcas como Budweiser e Stella Artois.

Na fase pós-GP, o trio de empresários criou o 3G Capital, com sede em Nova York, para investir em companhias americanas.  Foi essa a empreitada que Behring assumiu em 2004, quando se mudou de Curitiba, com a mulher e a filha de um ano, para viver nos Estados Unidos.

Quando fala dessa época, o carioca conta que, assim que chegou ao 3G, “tinha um mandato para fazer qualquer coisa, menos comprar empresas”. Nos primeiros anos, foi o que ele menos fez mesmo.

Mas isso começou a mudar em 2010. Em setembro daquele ano, o 3G comprou o Burger King, por US$ 4 bilhões.  Três anos depois, adquiriu a fabricante de condimentos Heinz, por US$ 28 bilhões.

Em 2015, junto com o megainvestidor Warren Buffett, os brasileiros compraram a Kraft por US$ 62,3 bilhões.  Dois anos depois, eles tentaram comprar a Unilever, mas não conseguiram.

Burger King e Tim Hortons

Burger King é a segunda maior rede de hamburguerias do mundo Foto: Divulgação

A primeira aquisição feita pelo 3G sob o comando de Behring foi a rede Burger King. Em 2010, a empresa vivia em litígio com os franqueados nos Estados Unidos e parecia fadada à falência.

Pouco mais de dois anos após a aquisição, a rede de fast food conseguiu uma valorização de quase seis vezes no mercado.

“Aplicamos inovações em nossas plataformas e investimos em campanhas de marketing bastante criativas. Procuramos dar aos nossos clientes várias razões para voltarem aos nossos restaurantes”, comentou ao Financial Times, em 2017.

Hoje, o Burger King é a segunda maior rede de hamburgueria do mundo, com 17 mil lanchonetes.

Em 2014, o 3G comprou a franquia canadense de café e fast food Tim Hortons por US$ 11,4 bilhões. Com a nova aquisição, os brasileiros  criaram a Restaurant Brands Internacional, que passou a controlar as duas redes.

A Tim Hortons se orgulha de “vender 8 a cada 10 xícaras de café” em todo o Canadá.  Em 2019, a empresa expandiu  seus negócios para a China e, atualmente, conta com 14 unidades em solo asiático.

Kraft Heinz

Nem só de bons negócios vivem os bilionários, como Alexandre Behring. A Kraft Heinz é um bom exemplo disso.

A fusão da empresa de condimentos com a Kraft, em 2015, é uma das frustrações de Jorge Paulo Lemann, o chefe de Behring. No ano passado, ele chegou a dizer que o “sonho grande da Kraft Heinz acabou”.

O inferno astral da companhia começou com a tentativa fracassada de aquisição da Unilever.

A companhia vem enfrentado dificuldade para expandir suas receitas. Na avaliação do mercado, os produtos e marcas da Kraft Heinz não conseguiram acompanhar a transformação dos hábitos alimentares dos consumidores.

A Kraft Heinz vale hoje, em julho de 2020, um terço do que valia em fevereiro de 2017.

(Com edição de Naiana Oscar)