Contra recessão: Alemanha anuncia injeção de 750 bi de euros na economia

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)

Crédito: Freepik

O governo alemão prevê que a pandemia de coronavírus vá mergulhar a economia em uma recessão. Contra esse risco, o país anunciou neste segunda (23) um pacote de até 750 bilhões de euros.

A ideia é reduzir os danos do surto de coronavírus na maior economia da Europa. Desde 2013, Berlim não assumia dívidas desse porte.

“É um pacote muito grande, com muitas medidas”, disse Olaf Scholz, vice-chanceler alemão

Scholz falou sobre a injeção bilionária na economia em uma entrevista coletiva com o ministro da Economia do país, Peter Altmaier.

O vice-chanceler acrescentou que a Alemanha dobrará o número de leitos em unidades de terapia intensiva.

Ele está no comando do país desde que a titular Angela Merkel comunicou que entraria em quarentena por causa do Covid-19

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Coronavírus obriga montadoras a frear produção na América do Norte

Queda do PIB

O orçamento suplementar de 156 bilhões de euros do governo federal, a ser financiado com novos empréstimos, ressalta a determinação de Berlim de usar “tudo o que temos” para combater o impacto do surto de coronavírus, acrescentou Scholz.

Segundo Scholz, seus planos orçamentários se basearam na suposição de que o Produto Interno Bruto (PIB – a soma de todos as riquezas produzidas pelo país) ) cairá cerca de 5% este ano.

Fundo de estabilidade

O gabinete alemão aprovou nesta segunda-feira um projeto de lei que prevê um fundo de estabilidade econômica que receberá até 100 bilhões de euros, que pode assumir participações diretas em empresas como forma de frustrar aquisições estrangeiras.

O pacote inclui outros 100 bilhões de euros em crédito ao banco público de desenvolvimento KfW para empréstimos a empresas em dificuldades.

O governo concederá ao KfW uma autorização de dívida para ambas as medidas no valor de 200 bilhões de euros.

Isso significa que a nova dívida líquida total pode subir para 356 bilhões de euros este ano, dependendo de quanto as empresas estão usando as ferramentas.

Além disso, o fundo de estabilidade oferecerá 400 bilhões de euros em garantias de empréstimos para assegurar dívida corporativa sob risco de inadimplência, elevando o volume do pacote geral a até 750 bilhões de euros.

zona do euro confiança do consumidor

Montadoras vão ajudar

O governo da Alemanha resolveu aproveitar a interrupção das principais montadoras de veículos na Europa para pedir ajuda no combate ao coronavírus.

Segundo a Bloomberg, duas das principais fábricas, Volkswagen e Daimler, poderão concentrar suas produções na fabricação de máscaras e ventiladores, equipamentos fundamentais para enfrentar a Covid-19.

“A decisão cabe às empresas e elas devem decidir por si próprias”, afirmou à Bloomberg um porta-voz do ministério da Economia da Alemanha.

Um representante da Volkswagen também conversou com a reportagem e, por e-mail, confirmou que há conversas para o acordo acontecer.

BCE

Reforço na produção

De acordo com o representante da montadora, a empresa possui 125 impressoras 3-D industriais, normalmente usada para protótipos de automóveis, mas que podem executar a função de produzir equipamentos médicos.

Herbert Diess, presidente executivo do grupo, revelou que a empresa está reforçando a capacidade de produção de máscaras na China e a ajudando as autoridades de saúde alemãs com o fornecimento de equipamentos de medição de temperatura, máscaras, desinfetantes e materiais de diagnóstico.

A Daimler, dona da Mercedes, também confirmou o pedido de ajuda do governo alemão e o início das conversas para viabilizar o acordo.

Montadoras parando

Segundo informações da Reuters, algumas das principais montadoras de carros do mundo começaram a fazer cortes na linha de produção na Europa.

Representantes de funcionários das principais montadoras na Itália, Bélgica, França, Espanha e Alemanha cobram melhor controle no setor de higiene das linhas de produção como forma de garantir a segurança contra a Covid-19.

A Audi divulgou que tem enfrentado problemas por medo dos funcionários na hora de manusear ferramentas, enquanto a Fiat Crysler Automobiles (FCA) resolveu interromper a produção na maior de suas fábricas para se ajustar à queda na demanda.

Além dessas duas montadoras, a PSA, marca que reúne Peugeot, Opel e Vauxhall, divulgou que manterá as fábricas fechadas pelo menos até 27 de março.

A francesa Renault seguiu pelo mesmo caminho e manterá os 18 mil funcionários de suas 12 instalações em casa por tempo indeterminado.

“A continuidade das atividades de produção do grupo em outros países europeus depende da situação em cada país”, informou comunicado da montadora.

Reino Unido determina isolamento

Enquanto a Alemanha injeta bilhões de euros, o Reino Unido convoca Exército e pede moradores em casa.

A ideia do governo é convocar o Exército para entregar equipamento de proteção a hospitais nesta segunda-feira (23)

Autoridades orientaram as pessoas a ficarem em casa e ouvirem os alertas sobre distanciamento social, ou o governo adotará medidas mais extremas para deter o surto de coronavírus.

Militares ajudam

O governo afirmou que os militares ajudarão a enviar milhões de itens de equipamento de proteção pessoal (PPE), incluindo máscaras, a agentes de saúde que se queixam de escassez.

Até agora, 281 britânicos morreram do coronavírus, e nos últimos dias as autoridades do país aceleraram rapidamente as ações para tentar impedir a disseminação da doença e evitar uma repetição das milhares de mortes vistas em outros países.

Mas médicos da linha de frente se queixaram da falta de equipamentos e disseram que não se sentem seguros no trabalho.

Em uma carta em que pediram ao primeiro-ministro Boris Johnson que aumente os suprimentos de PPE, mais de 6 mil médicos da linha de frente disseram que se espera que coloquem a vida em risco com máscaras antiquadas e estoques baixos de equipamentos.

O secretário da Saúde, Matt Hancock, admitiu que tem havido problemas, mas que ações estão sendo adotadas, dizendo que o Exército usará caminhões dia e noite para levar suprimentos às equipes médicas.

*Com Agência Brasil

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