Alcolumbre: governo Bolsonaro “acabou”

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
1

Crédito: Wikimedia

O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (DEM-AP), disse, em reunião com líderes partidários, que o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) “acabou”. A informação é da revista Veja, em seu site. O encontro onde teria decretado o fim do governo aconteceu na residência oficial da presidência da Câmara dos Deputados, de Rodrigo Maia (DEM-RJ).

“A diferença é saber se ele chega a 2022”, disse ele, segundo presentes na reunião.

Maia tem organizado reuniões com vários líderes políticos e autoridades do Judiciário. Ninguém fala em impeachment abertamente, por achar que seria despropositado em um momento que o país enfrenta a maior crise sanitária em mais de um século.

Todos concordam que mais importante no momento é salvar vidas e procurar diminuir ao máximo o impacto que o novo coronavírus vai impor à economia e aos empregos.

Popularidade

Bolsonaro mantém sua base fiel de 30% de apoiadores. São eles que andam fazendo barulho e pressionando governadores e prefeitos a relaxar as medidas restritivas de isolamento social e quarentena. Querem o comércio aberto a qualquer custo.

O presidente anda esticando a corda ao máximo, ao sair pelas ruas, em desafio ao que vem orientando a Organização Mundial da Saúde (OMS) e seu próprio ministério da Saúde.

Entretanto, pesquisa recente do Datafolha mostrou que para 76% dos brasileiros, o mais importante neste momento é deixar as pessoas em casa. Apenas 18% querem acabar com o isolamento.

Outra pesquisa, do mesmo Datfolha, dá conta de que 35% aprovam gestão de Bolsonaro na crise do novo coronavírus e 33% reprovam.

Em outras palavras, há muito contraditório. Exatamente o que vem acontecendo no governo.

Alcolumbre e o Semipresidencialismo

Segundo a revista Veja, “a avaliação da cúpula do Congresso e de parlamentares influentes é a de que o governo terá de recolher escombros nos próximos anos, sem perspectiva concreta de tocar reformas estruturantes ou projetos de segurança pública, duas das principais vitrines de Jair Bolsonaro. Para um futuro governo, congressistas começaram a discutir, sob reserva, a hipótese de semipresidencialismo”.

A percepção é que Alcolumbre e o Senado, e não o Supremo Tribunal Federal (STF), quem devem derrubar qualquer tentativa da Presidência da República em decretar o fim do isolamento social, como Bolsonaro já ameaçou fazer.

Uma das formas mais eficientes de identificarmos o nosso perfil de investidor, é realizando um teste de perfil.

Você já fez seu teste de perfil? Descubra qual seu perfil de investidor! Teste de Perfil

Antecipando-se, porém, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, proibiu que o presidente derrubasse decretos de governadores e prefeitos que impõem o isolamento social como norma de combate ao avanço do Covid-19.

As autoridades entendem que o isolamento social em grande escala pode dar folga ao acanhado sistema de saúde brasileiro. O Amazonas, por exemplo, um dos estados mais atingidos do país, com 1.050 casos e 53 mortes, está com seus sistema colapsado.

Negativa

A Veja entrou em contato com o presidente do Senado.

O veículo informa que, “por meio de sua assessoria, Davi Alcolumbre negou que tenha feito a avaliação de que o governo Bolsonaro chegou ao fim. O relato, no entanto, foi confirmado por outros integrantes da reunião”.

“O presidente do Senado afirma que está focado em garantir a votação de medidas que possam mitigar as perdas decorrentes da pandemia de Covid- 19 e preocupado com a ameaça à vida de milhares de brasileiros”, respondeu à revista, em nota, a assessoria da Presidência do Senado.

LEIA MAIS
STF: estados e municípios têm autonomia para determinar isolamento social

Alcolumbre apela para o fim de conflitos que “não levam a lugar nenhum”