Alan Greenspan: o polêmico ex-presidente do Federal Reserve

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.

Crédito: Wikipedia

Por 19 anos, Alan Greenspan conduziu o Federal Reserve (Banco Central norte-americano), tendo exercido a presidência da instituição de 1987 a 2006. Durante a sua gestão, enfrentou importantes eventos de repercussão mundial, entre eles a crise dos mercados asiáticos em 1987 e os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001.

No período em que presidiu o FED, o economista era considerado uma das pessoas mais influentes do mundo, já que suas decisões afetavam toda a economia mundial. Nesse sentido, é atribuído a Alan Greenspan o período de expansão econômica mais longo dos EUA. No entanto, ele também é tido como um dos responsáveis pela crise do subprime, que iniciou em 2007 e, logo depois, atingiu economias no mundo inteiro. A seguir, saiba mais sobre a história dessa polêmica figura do cenário econômico mundial.

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Quem é Alan Greenspan

Alan Greenspan nasceu em 1926, na cidade de Nova York. Ao concluir o ensino médio, preferiu ser músico no prestigiado conservatório Juilliard a ingressar na faculdade.

No entanto, não demorou muito para que decidisse mudar de rumo e cursar economia na Universidade de Nova York. Além do bacharelado, foi nessa instituição que também recebeu os diplomas de mestrado e doutorado em Economia.

Em 1948, Alan Greenspan conseguiu seu primeiro emprego no National Industrial Conference Board. Tratava-se de uma organização sem fins lucrativos, onde o jovem economista fazia análises do mercado de aço, alumínio e cobre.

Anos depois, Greenspan atuou como chairman e presidente da Townsend-Greenspan & Co, empresa de consultoria financeira de Nova York. O economista atuou nessa empresa de 1954 a 1987, sendo esse período brevemente interrompido, de 1974 a 1977. Durante esses anos, ele assumiu o Conselho de Consultores Econômicos do governo Gerald Ford.

Após sua saída da Townsend-Greenspan, assumiu a presidência do Conselho de Governadores, em 1987. Pouco tempo depois, ocorreu o crash da bolsa (a famosa “Black Monday”). Porém, a reação de Alan Greenspan foi rápida, no sentido de garantir liquidez aos mercados.

Outros eventos econômicos importantes aconteceram durante o seu mandato. Alguns exemplos foram as duas recessões nos EUA e a crise dos mercados asiáticos em 1987. Logicamente, não dá para esquecer também o atentado às torres-gêmeas de 2011. Nesse período, Alan Greenspan atuava no governo de George W. Bush.

Defensores e críticos de Greenspan: o que dizem?

Durante sua atuação à frente do FED, Alan Greenspan era muito hábil no sentido de obter consenso entre diferentes polos sobre questões políticas. Além disso, muitos atribuem a ele o mérito sobre o período mais longo de expansão econômica dos EUA.

No entanto, boa parte do mercado também o responsabiliza pela bolha de crédito dos Estados Unidos, que culminou na crise do subprime em 2008. Durante muito tempo, Greenspan manteve as taxas de juros norte-americanas em níveis muito baixos. Isso acabou facilitando a expansão do crédito de má-qualidade. Dessa forma, ocorreu o crescimento da bolha imobiliária do país. Isso acabou desencadeando uma das piores crises econômicas do século.

Defensor da auto regulamentação dos mercados, pouco tempo antes do estouro da bolha, Greenspan se opôs à regulamentação do mercado de derivativos. Esse mercado transacionava os chamados “produtos tóxicos”, ou seja, as hipotecas e títulos de dívida que eram vendidos a investidores no mundo inteiro.

Nas próprias palavras de Alan Greenspan, “foi um erro supor que o interesse das organizações, especialmente dos bancos, fizesse com que elas protegessem seus próprios acionistas”. Essa declaração foi dada em 2008, ainda no início na bolha.

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