Agronegócio: 3TRI21 foi positivo para a maioria das empresas do setor

Renata de Souza
Colaborador do Torcedores
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O Brasil é o terceiro maior produtor agrícola do mundo e este setor é um dos pilares econômicos do país. Os principais papéis do agronegócio listados na B3 (B3SA3) são de companhias como: JBS, Minerva, Marfrig, BRF, Brasil Agro, Kepler Weber, Raízen, SLC Agrícola, São Martinho, Boa Safra, Três Tentos, M.Dias Branco e Terra Santa.

A maior parte das companhias citadas registraram avanço no lucro líquido no terceiro trimestre. Somente a M.Dias Branco (MDIA3) registrou recuo. Enquanto a BRF foi a única a reportar prejuízo no período. O desempenho das empresas demonstra a força do agronegócio brasileiro.

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Marfrig (MRFG3) registra resultado histórico

A Marfrig (MRFG3) registrou um lucro líquido de R$ 1,67 bilhão no balanço do 3TRI21, aumento de 148,7% na comparação ano a ano.

Ebitda da Marfrig (MRFG3) somou R$ 4,73 bilhões no balanço do 3TRI21, elevação de 115,6% na comparação ano a ano. Segundo a companhia, esse foi o maior resultado histórico da Marfrig.

De acordo com a empresa, a histórica performance no trimestre é explicada pelo recorde da Operação América do Norte, que compensou a menor lucratividade da Operação América do Sul, pressionada pelo maior custo de matéria prima.

A receita líquida atingiu R$ 23,63 bilhões no período, uma elevação de 40,4% na comparação anual.

A Marfrig destacou que esse crescimento se deve ao maior volume de vendas e melhores preços em todas as operações, “reforçando o excelente momento de proteína bovina, que teve seu preço valorizado em todas as regiões do globo”.

O BTG elevou o preço alvo das ações da Marfrig de R$ 21 para R$ 27, o que reflete a visão de que as margens mais normalizadas irão gradualmente aparecer em 2022.

Apesar disso, o BTG permanece neutro quanto à recomendação do papel, já que os múltiplos parecem menos atraentes em comparação com o histórico com base em spreads normalizados.

JBS (JBSS3) tem crescimento em todas as unidades de negócio

A JBS (JBSS3) reportou um lucro líquido de R$ 7,586 bilhões no 3TRI21, incremento de 142% na comparação ano a ano.

No 3TRI21, a receita líquida foi de R$ 92,62 bilhões, alta de 32,2% na comparação ano a ano.

Conforme a companhia, foi registrado um crescimento em reais em todas as unidades de negócio: Seara (+38,2%), JBS Brasil (+35,3%), JBS USA Bovinos (+34,2%), JBS USA Suínos (+42,2%), e PPC (+21%).

No terceiro trimestre, o Ebitda ajustado foi de R$ 13,92 bilhões, aumento de 11,4% na comparação ano a ano. A margem Ebitda foi de 15%.

A companhia aprovou o pagamento de dividendos no montante de R$ 2,37 bilhões, correspondentes a R$ 1 por ação.

Conforme o BTG Pactual (BPAC11), o valuation da JBS ainda está descontado. Isso porque, segundo o banco, os múltiplos da JBS continuam a parecer razoáveis em relação ao histórico e aos pares, especialmente para uma empresa mais enxuta, com percepção de risco sendo reduzida e mais focada.

“A distribuição acelerada de caixa aos acionistas é uma vantagem em um setor que por muito tempo não conseguiu equilibrar crescimento e estrutura de capital. Continuamos com rating de compra em relação a outras ações de proteína”, afirmam os analistas. O preço-alvo é de R$ 45.

Minerva (BEEF3): diversificação geográfica eleva lucro em 24%

A Minerva (BEEF3) reportou lucro líquido de R$ 72,4 milhões no terceiro trimestre de 2021. O valor representa um crescimento de 24% em relação ao mesmo período do ano passado.

De acordo com o relatório, a companhia atribui esse crescimento à diversificação geográfica, que permite arbitrar os mercados, reduzindo o risco e a volatilidade. Além disso, a diversificação proporciona o aumento da eficiência operacional e financeira, maximizando a rentabilidade.

No 3TRI21, o EBITDA consolidado da Minerva atingiu R$ 648,1 milhões, um aumento de 156,9% no comparativo anual. Enquanto a margem EBITDA foi de 8,8% no período.

A companhia encerrou o último trimestre com resultado financeiro negativo de R$ 464,0 milhões. Nesse sentido, o impacto da desvalorização do real frente ao dólar foi de R$ 119,3 milhões, e a rubrica “Outras Despesas” também apresentou resultado negativo, de R$ 61,8 milhões.

De acordo com o BTG, os resultados atestam a assertividade da mentalidade orientada para vendas e distribuição de produção diversificada da Minerva.

A alavancagem permanece em níveis confortáveis, os dividendos estão aparecendo e a pressão nas margens causada pela oferta limitada de gado no Brasil está sendo compensada pelas exportações em expansão para a Ásia (principalmente China) e para as Américas.

O valuation parece pouco exigente com um potencial positivo para as estimativas de curto prazo e deve continuar a ser um piso para o preço das ações.

Assim, o BTG permanece neutro para Minerva, com preço-teto de R$ 12.

Raízen (RAIZ4) chega a R$ 1 bilhão de lucro, 2,5 vezes maior no 2TRI21 da safra

A Raízen (RAIZ4) fechou o trimestre encerrado em setembro de 2021 com um lucro líquido 2,5 vezes maior em relação ao mesmo período do ano anterior.

No 2TRI 21 do ano safra, o lucro líquido foi de R$ 1,07 bilhão contra R$ 429,4 milhões do mesmo período de 2020.

Ebitda ajustado da Raízen (RAIZ4) no 2TRI21 da safra subiu 19,5%. Assim, o indicador passou de R$ 2,73 bilhões para R$ 3,26 bilhões ao fim da safra do 2º trimestre de 2021.

O resultado foi recorde para a empresa, refletindo expansão dos resultados do segmento de renováveis e marketing e serviços, bem como pelo início da consolidação dos resultados da Biosev.

Já a receita líquida da Raízen (RAIZ4) ampliou 59,4%. Ou seja, passou de R$ 30,6 bilhões para R$ 48,9 bilhões.

Boa Safra (SOJA3): lucro líquido de R$ 88 milhões no 3TRI21

A Boa Safra (SOJA3) reportou lucro líquido de R$ 88 milhões no terceiro trimestre de 2021. O valor representa um crescimento de 227,6% frente ao mesmo período do ano passado.

No terceiro trimestre de 2021, a receita líquida cresceu 92,1% comparada ao mesmo período do ano passado. Já a receita líquida acumulada dos últimos 12 meses atingiu R$ 873,3 milhões, aumento de 55,7% no comparativo anual. Segundo a empresa, a melhora do desempenho deve-se ao incremento do volume de vendas e a novas biotecnologias.

O Ebitda acumulado dos últimos 12 meses foi de R$ 151,7 milhões, alta de 45,5% no comparativo anual. O principal responsável pela performance foi o aumento da receita operacional líquida.

São Martinho (SMTO3) registra lucro de R$ 368,41 mi no 2TRI da safra 2021/22

A São Martinho (SMTO3) reportou um lucro líquido de R$ 368,41 milhões no segundo trimestre do ano safra de 2022. No mesmo período do ano imediatamente anterior, a companhia havia registrado um lucro de R$ 313,31 milhões.

A receita líquida atingiu R$ 1,42 bilhão no período, um aumento de 54% na base anual. O resultado é decorrente, principalmente, do melhor preço médio de comercialização de etanol (+68,2%), açúcar (+43,0%), e cogeração (+47,9%).

O lucro antes de juro, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado somou R$ 790 milhões, um aumento de 66%.

SLC Agrícola (SLCE3) reverte prejuízo e lucra R$ 113 milhões no 3TRI21

A SLC Agrícola (SLCE3) somou R$ 113,7 milhões de lucro líquido no terceiro trimestre de 2021 (3TRI21). Assim, reverteu o prejuízo de R$ 35,7 milhões do 3TRI20.

Os principais fatores que contribuíram para o aumento do lucro líquido foram o incremento no Resultado Bruto e o resultado positivo da mensuração do valor justo das propriedades para investimento.

O Ebitda ajustado da SLC Agrícola (SLCE3) cresceu 36,6%. Assim, passou de R$ 241,1 milhões para R$ 330,6 milhões no 3TRI21. O resultado foi recorde para o período.

As principais variações no trimestre foram: o maior Resultado Bruto das culturas, adicionado a mensuração do valor justo das propriedades para investimento, parcialmente compensado pelas despesas Gerais e Administrativas. No trimestre a Terra Santa contribui com um EBITDA Ajustado de R$ 17,1 milhões.

Já a receita líquida subiu de R$ 920,5 milhões para R$ 942,3 milhões. Ou seja, alta de 2,4%.

Kepler Weber (KEPL3) registra alta de 78,7% no lucro no 3T21

Kepler Weber registrou lucro líquido de R$ 41,1 milhões no terceiro trimestre de 2021 (3TRI21), crescimento de 78,7% na comparação com igual período de 2020.

A Kepler Weber reportou Ebitda ajustado 64,4% maior no 3TRI21 no comparativo anual. O indicador saltou de R$ 38,5 milhões para R$ 63,3 milhões.

A receita líquida da empresa teve alta de 63,9% no 3TRI21. Assim, o indicador passou de R$ 330,5 milhões para R$ 201,6 milhões.

Terra Santa (LAND3) reverte lucro e prejuízo

A Terra Santa (LAND3) reportou prejuízo líquido de R$ 354 mil no 3T21, revertendo lucro de 4,4 milhões. Esse é o primeiro balanço que a companhia publica depois de concluir o desmembramento de sua operação agrícola para vendê-la à SLC.

A receita líquida somou R$ 15,5 milhões no 3T21, alta de 143,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O Ebitda, na sigla em inglês ajustado cresceu 61,2% na comparação com igual etapa de 2020.

Brasil Agro (AGRO3) tem alta no lucro

A Brasil Agro (AGRO3) divulgou os resultados referentes ao desempenho da empresa no período de julho a setembro de 2021, que representam o primeiro trimestre da safra 2022.

No período, a companhia reportou um lucro líquido de R$ 107,87 milhões ante um lucro de R$ 75,65 milhões um ano antes.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado somou R$ 190,64 milhões no trimestre, um aumento de 179% sobre a base anual.

A receita líquida atingiu R$ 378,08 milhões no trimestre, um incremento de 70% na comparação ano a ano.

“Esse crescimento é explicado principalmente pelo aumento dos preços unitários faturados para todas as culturas e o maior volume comparado ao 1T21”, destacou a empresa.

O destaque foi para as receitas de algodão, que avançaram em 447%, para R$ 8,91 milhões, seguido por receitas de soja, com alta de 104%, para R$ 136 milhões.

Três Tentos (TTEN3) tem alta de 1,4% no lucro do 3TRI21

A Três Tentos (TTEN3) registrou alta de 1,4% no lucro líquido do terceiro trimestre de 2021 (3TRI21) no comparativo anual. O indicador cresceu de R$ 96,6 milhões no 3TRI20 para R$ 97,9 milhões no 3TRI21.

Ebitda ajustado da Três Tentos (TTEN3) teve alta de 33,3% no comparativo anual. Assim, o indicador cresceu de R$ 110,8 milhões para R$ 147,5 milhões ao fim do 3TRI21.

A receita líquida da Três Tentos (TTEN3) dobrou no comparativo entre os anos. Ou seja, passou de R$ 853,6 milhões no 3TRI20 para R$ 1,72 bilhão no 3TRI21.

A companhia apresentou crescimento em todos os três segmentos de atuação, com destaque para Grãos.

M.Dias Branco (MDIA3) lucra R$ 196,6 milhões no 3TRI21, queda de 26%

A M.Dias Branco (MDIA3) reportou um lucro líquido de R$ 196,6 milhões no 3TRI21, recuo de 26% na comparação ano a ano.

A empresa explicou que a queda se deu pelos efeitos não recorrentes de receitas de créditos extemporâneos reconhecidos no 3T20.

A receita líquida da M.Dias Branco (MDIA3) atingiu R$ 2,18 bilhões no balanço do terceiro trimestre. Um ano antes, a companhia havia registrado uma receita líquida de R$ 2,02 bilhões.

Na visão por região, a receita líquida nas regiões de Ataque (Sul, Sudeste e Centro-Oeste) e Defesa (Norte e Nordeste), no comparativo com o 2T21, cresceu 5,7% e 13,1%, respectivamente.

A companhia reportou um Ebitda de R$ 286,6 milhões no trimestre, queda de 12,6% sobre o mesmo período de 2020.

BRF (BRFS3): prejuízo líquido de R$ 277 mi no 3TRI21

A BRF (BRFS3) registrou prejuízo líquido de R$ 277 milhões no terceiro trimestre de 2021 (3TRI21), revertendo lucro líquido de R$ 219 milhões em igual período de 2020.

De acordo com a empresa, o prejuízo apurado é principalmente decorrente do resultado financeiro, dada a atualização do valor justo da opção de venda relacionada à combinação de negócios da “put option” Banvit.

A BRF reportou Ebitda ajustado 3,9% maior no 3TRI21 no comparativo anual. O indicador saltou de R$ 1,317 bilhão para R$ 1,367 bilhão.

Enquanto isso, a margem Ebitda caiu de 13,2% para 11%.

A receita líquida da empresa teve alta de 24,6% no 3TRI21. Assim, o indicador passou de R$ 9,943 bilhões para R$ 12,390 bilhões.

Apesar do prejuízo, o BTG aponta que BRF obteve um bom trimestre, com margem mais forte do que o esperado. Foi reportado pela empresa o EBITDA na linha de R$1,36 bilhão, com a margem de 11%.

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