Agronegócio: em abril, exportações superam a barreira dos US$ 10 bi pela primeira vez

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Reprodução / Aprosoja

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) anunciou nesta sexta-feira (15) que as exportações do agronegócio brasileiro atingiram valor recorde para um mês de abril, passando pela primeira vez a barreira de US$ 10 bilhões, chegando a US$ 10,22 bilhões. O recorde anterior havia sido estabelecido em 2013, quando as exportações foram de US$ 9,65 bilhões.

Segundo nota emitido pelo MAPA, “o recorde foi obtido em função, principalmente, do incremento dos embarques da soja em grão que cresceram 73,4%, com 16,3 milhões de toneladas, ou quase 7 milhões de toneladas a mais nesse mês em relação ao do ano anterior”.

O ministério informa ainda que a China, retomando suas atividades pós-pandemia do novo coronavírus, manteve-se como o principal mercado importador do produto brasileiro, com a compra de 11,79 milhões de toneladas ou 72,3% da quantidade total exportada.

Soja

“No contexto de crise internacional do Covid-19, houve forte crescimento da demanda por soja brasileira, com antecipação das exportações do produto”, explica nota do ministério.

Assim, a receita das vendas da soja em grão, neste mês, foi de US$ 3,30 bilhões, em abril do ano passado, para US$ 5,46 bilhões agora, um crescimento expressivo de US$ 2,16 bilhões, o que representa 65,45%.

O MAPA assinala que o complexo soja foi o principal setor exportador do agronegócio brasileiro em abril de 2020 em valor. Suas exportações foram responsáveis por 59,7% do valor exportado pelo Brasil em produtos do agronegócio ou um terço do valor total exportado pelo Brasil em abril (US$ 6,10 bilhões de US$ 18,31 bilhões). Esse valor foi recorde da série.

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Participação do agronegócio na Balança

A participação do agronegócio nas exportações brasileiras em abril também aumento, atingindo o recorde de 55,8% de tudo o que o país vende para fora. Em abril de 2019, essa participação era de 42,2%.

Contribuiu para o saldo positivo o fato das importações de produtos do agronegócio terem caído de US$ 1,21 bilhão, em abril de 2019, para US$ 1,01 bilhão, um recuo de 16,7%.

As exportações dos cinco principais setores exportadores do agronegócio subiram de 85,9% de participação em abril de 2019 para 90,3% em abril de 2020, informa o MAPA.

Os cinco principais setores exportadores foram: complexo soja (59,7%), carnes (12,6%), produtos florestais (8,9%), complexo sucroalcooleiro (5,1%) e café (4,0%). O aumento da participação dos cinco principais setores é função do crescimento expressivo da participação do complexo soja, que passou de 47,2% de participação em abril de 2019 para 59,7% de participação em abril de 2020.

Os cinco principais setores exportadores do agronegócio brasileiro responderam por 90,3% do valor exportado nesse mês de abril.

Acumulado do ano

No primeiro quadrimestre deste ano, as exportações brasileiras do agronegócio somaram US$ 31,40 bilhões, uma alta de 5,9% em relação ao mesmo período no ano anterior.

As vendas externas representaram o melhor resultado do acumulado entre janeiro e abril na série histórica e com 46,6% foram responsáveis por quase metade das exportações totais brasileiras.

As importações, por sua vez, alcançaram US$ 4,57 bilhões, o que representa uma queda de 4,5% no acumulado do ano. Como resultado, o saldo da balança comercial do agronegócio foi superavitário em US$ 26,83 bilhões no período.

Mercados para o agronegócio

Em abril de 2020, as exportações brasileiras do agronegócio cresceram 53,3% para a Ásia (excluindo o Oriente Médio), saindo de US$ 4,14 bilhões para US$ 6,34 bilhões. A Ásia agora tem 62% de participação nas exportações do agronegócio brasileiro – em abril de 2019, era 50,6%.

Somente outras três regiões apresentaram aumento das aquisições de produtos do agronegócio no período: União Europeia, que saiu de US$ 1,37 bilhões para US$ 1,49 bilhões, alta de 9,6%; África (tirando Oriente Médio), de US$ 376 milhões para US$ 421,00 milhões, alta de 11,8%; e Europa Ocidental, de US$ 131,47 milhões para US$ 221,42 milhões, expressiva alta de 68,4%.

O mercado de maior queda foi o Oriente Médio, que caiu de US$ 771,37 milhões em abril de 2019 para US$ 451,99 milhões este ano, baixa de 41,4%.

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