Agro: Segmento ganha relevância no PIB e empresas vão à bolsa

Osni Alves
Jornalista desde 2007. Passou por redações e empresas de comunicação em SC, RJ e MG. E-mail: oalvesj@gmail.com.
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O Brasil é um país predominantemente agrícola e, embora boa parte de sua população esteja concentrada nos grandes centros, onde o segmento industrial desponta, no entorno das grandes cidades ainda é possível encontrar polos agroindustriais.

Saindo das capitais e regiões metropolitanas em direção ao interior do país, a característica do agronegócio se acentua. E o setor tem um peso considerável na composição do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2020, alcançou 26,6% de participação.

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Para se ter ideia da força do agro, seis empresas acessaram a bolsa em 2021: Jalles Machado, Boa Safra, 3 Tentos, Agro Galaxy, Raízen e Vittia. Também neste ano a Boa Safra realizou um follow-on, que é quando uma empresa faz uma nova distribuição de ações.

Agro na B3

Essa movimentação na B3 é considerada um recorde e atrai cada vez mais a atenção dos investidores para o agronegócio.

Cabe ressaltar que, diferentemente de décadas atrás, quando o segmento era mais familiar e pouco tecnológico, atualmente o setor conta com produtos e serviços de última geração à disposição, inclusive com startups que desenvolvem soluções exclusivas para agricultura, pecuária, silvicultura e outros subsetores do agronegócio.

Para se ter ideia, os leilões de bois e cavalos que acontecem no país, e podem ser acompanhados pelos canais segmentados na TV e internet, movimentam cifras milionárias e apresentam animais de porte como verdadeiras estrelas, com direito a assessoria de imprensa e de relação com investidores. É uma economia paralela que não deixa nada a desejar.

Setor sucroalcooleiro

O setor sucroalcooleiro é um dos mais visados por parte dos investidores que já despertaram para os ativos do agronegócio. Não à toa, pois este segmento faz parte da cadeia dos combustíveis.

Trata-se da agroindústria responsável pela extração do açúcar, do álcool e de outros derivados da cana-de-açúcar.

Em relação à gasolina, por exemplo, cabe ressaltar que um dos solventes utilizados com frequência é o etanol (álcool). Segundo a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a porcentagem obrigatória de etanol anidro combustível que deve ser adicionado na gasolina é de 25%.

Commodities

Embora estas commodities possam ser cíclicas, é praticamente consenso entre analistas que o movimento das companhias em direção à bolsa é um caminho sem volta.

A depender das condições de mercado, uma empresa pode dar sequência ao seu processo de listagem para abertura de capital (IPO) ou declinar provisoriamente, até que o ambiente seja favorável. Porém, desistir da B3 não é algo que se veja com frequência.

Do lado do investidor, existem outros fatores que devem ser sempre levados em consideração, como o câmbio, questões climáticas, o hedge (seguro), o custo do caixa atrelado ao preço da produção. Talvez, o mais importante seja observar como a empresa trabalha sua gestão de risco.

Ações

Cotação das empresas agro em 2021 apresentam média de alta na casa dos 24,18%. Veja:

Marfrig MRFG3, +34,86%
BRF BRFS3, +10,03%
JBSJBSS3, +46,24%
MinervaBEEF3 +17,25%
Klabin KLBN4, +13,52%
Suzano SUZB3, +23,18%

Companhias fora do índice:

SLC Agrícola+79,78%
BrasilAgro+6%
São Martinho+15,5%
Kepler +26,31%
Metisa +4,32%

Influências

Olhando os indicadores do agronegócio com base na posição de 15 de outubro, é possível observar que entre as commodities de interesse direto do Brasil, apenas o suco de laranja se apresenta no campo negativo, com baixa de 0,43%.

  • Algodão +3,60% com contrato para dezembro em 111 centavos de dólar por libra-peso;
  • Açúcar +1,63%;
  • Soja +0,65%, US$ 12,13 (novembro), e 0,93%, US$ 61 (dezembro);
  • Milho +1,14%, US$ 5,22 para liquidação em dezembro;
  • Trigo +1,09%;
  • Café Arábica +0,23%

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