Agenda: IPCA, vendas no varejo, Anfavea e PMIs agitam semana

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)

Crédito: Divulgação

Uma agenda de indicadores econômicos de peso vão dar o tom aos mercados ao longo desta semana.

Entre eles estão a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), os números da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e os das vendas do varejo, consolidados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os indicadores apontarão os primeiros efeitos das medidas de flexibilização da atividade econômica no Brasil – mas também irão revelar mais impactos da crise provocada pela pandemia.

Nem todas as cidades no país reabriram a economia. Outras voltaram a fechar lojas, empresas e indústrias por causa da alta dos índices de contaminação do novo coronavírus.

E há municípios, capitais e estados que estão próximos a fases de reabertura ainda mais ampla.

Apreensão

Por tudo isso os números que serão divulgados não devem apresentar resultados robustos ou tão promissores.

É um cenário semelhante aos dos Estados Unidos, que têm registrado avanço da Covid-19 em estados como o Texas, Flórida e Califórnia, com nova paralisação das atividades.

A espera por uma vacina contra o vírus tem causado um efeito de sobe e desce, alternando apreensão e algum entusiasmo. nos mercados do Brasil e no exterior.

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Espera por uma vacina contra o vírus tem causado um efeito de sobe e desce no mercado

Indicadores externos

Nos EUA, há outros fatores que também continuarão ditando o humor das bolsas — entre os quais a ameaça de Donald Trump de impor sanções contra a China.

É que o Parlamento da China sancionou uma lei de segurança nacional para Hong Kong na última terça-feira (30), preparando o terreno para as mudanças mais radicais no estilo de vida da ex-colônia britânica desde que ela voltou ao controle chinês há 23 anos.

A China promete retaliar os EUA se o governo americano efetivar a punição econômica.

Essa atmosfera de incertezas no horizonte teve impacto no mercado acionário e cambial nesta semana e deve ser a tônica na próxima.

Bolsas, dólar e IFIX

A bolsa brasileira fechou semana com alta de 3,12%. A sexta-feira (3) contribuiu com leve alta de 0,55%, chegando a 96.764,85 pontos, após a estabilidade de 0,03% da quinta.

Na semana, a bolsa ficou com 3,12%. No mês, a alta é de 1,80%. No ano, as perdas são de 16,33%.

O dólar fechou em queda de 0,53%, e chegou a R$ 5,3191. No ano, o dólar acumula alta de 35,6%. Em junho a moeda subiu 1,9%.

O IFIX encerrou a primeira semana de julho com avanço de 0,01%. Em julho, o índice tem valorização de 0,25%. Mas no ano a queda é de 12,1%.

A semana anterior foi de relativa calmaria no cenário político, com a diminuição da tensão entre o Executivo e o Judiciário.

Mas a seguinte deve ter temperatura mais alta, com o prosseguimento dos inquéritos sobre os filhos do presidente Jair Bolsonaro no inquérito das fake news e no Caso Queiroz, o das rachadinhas.

O Supremo Tribunal Federal deve mandar de volta à primeira instância da Justiça no Rio de Janeiro.

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IPCA de maio mostrou deflação 0,38%, após o -0,31% de abril

Indicadores de inflação

O mercado aguarda o resultado de junho do IPCA. Será divulgado pelo IBGE na próxima sexta (10).

O índice de maio mostrou em maio deflação 0,38%, após o -0,31% de abril.

Foi o segundo mês consecutivo de queda nos preços e o menor índice desde agosto de 1998, quando ficou em -0,51%.

No ano, o IPCA acumula queda de 0,16% e, nos últimos doze meses, houve alta de 1,88%. É bem abaixo da meta de inflação de 4% do governo para 2020.

A queda da inflação ocorreu, principalmente, pela baixa de 4,56% nos preços dos combustíveis.

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Com a volta das atividades econômicas na maioria das cidades do país, espera-se que o IPCA revele inflação acima de 1,5%.

O Boletim Focus, divulgado na última segunda (29) pelo Banco Central, projetou para o IPCA alta de 1,63%. Há quatro semanas, essa previsão era de 1,55%.

Na segunda (4) o Focus trará outra indicativo de como sairá o IPCA na sexta.

Saem também esta semana outros dois termômetros da inflação: o IGP-DI de junho, na quarta (8), e prévias do IGP-M, na sexta, e do IPC-S, também na quarta.

Relatório de maio da Anfavea teve reflexo do retorno das atividades em algumas fábricas

Produção de veículos

Mais índices esta semana vão mostrar tendência da recuperação ou não da economia do país.

A Anfavea divulga nesta segunda os números relativos à produção de veículos automotores no Brasil em junho.

O relatório de maio apontou crescimento de 2.232% em relação a abril.

O número é reflexo do retorno das atividades em algumas fábricas após quase três meses de paralisação do setor, por conta da pandemia de coronavírus.

Os números acumulados do ano estão abaixo dos registrados em 2019.

De janeiro a maio de 2020 foram produzidos 630.819 unidades, 49,2% menos do que a produção anterior, de 1.241.155.

No último dia 2 de julho, a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) informou que as vendas de veículos tiveram crescimento de 93,5% em junho de 2020 em comparação com maio.

Mas há queda no ano: no primeiro semestre, o recuo foi de 36,13% em relação a igual período de 2019.

Vendas no varejo

Na quarta, o IBGE apresenta o resultado das vendas no varejo em maio.

As vendas no comércio varejista desabaram 16,8% em abril, na comparação com março, de acordo com a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC).

Na comparação com abril do ano passado, a queda também foi de 16,8%.

O resultado desta semana repercute os efeitos do isolamento social para contenção da pandemia de Covid-19.

Esse foi também o pior resultado desde o início da série histórica, em janeiro de 2000. E segunda queda consecutiva, com perda de 18,6% em março.

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Semana terá vendas no comércio varejista. Indicador desabou 16,8% em abril, na comparação com março

Semana será de PMIs

Nesta semana, os EUA terão outro termômetro da economia com o anúncio do PMI do setor de serviços.

O Índice dos Gerentes de Compras (PMI na sigla em inglês) apresentou leitura de 37,5 em maio, acima do esperado pelo mercado, de 36,9.

Em abril, o indicador atingiu sua mínima histórica, registrando 26,7 pontos.

O resultado foi divulgado pela IHS Markit. Toda leitura abaixo de 50 pontos indica retração econômica, enquanto que as acima de 50 apontam crescimento.

Sai ainda, na segunda, o ISM de serviços de junho, calculado pelo Institute of Supply Management (ISM).

O indicador ficou em 45,6 pontos em maio, ante 41,8 de abril. A projeção do mercado era por uma leitura de 44 pontos.

Mais índices para se observar os reflexos da crise sanitária na economia. A inflação ao produtor (PPI), de junho, será anunciada na sexta pelo Bureau of Labor Statistics.

O Índice de Preços ao Produtor (IPP ou PPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos apresentou alta de 0,4% em maio,ante-1,3% em abril.

A mediana projetada pelo mercado era de queda de 0,1%.