Inflação e Orçamento são foco do investidor na próxima semana

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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A última semana foi marcada principalmente pelo novo pacote de investimentos em infraestrutura anunciado por Joe Biden. Com duração de oito anos e mais de US$ 2 trilhões, ele deve alavancar o mercado de trabalho nos EUA.

O contraponto é que o anúncio de aumento de 28% nos impostos das empresas causa receio no mercado. Isto deve encarecer a produção no país e pressionar a inflação, elevando os juros logos e ampliando a força do dólar sobre as outras moedas.

Dos EUA também veio o anúncio de que o mercado de trabalho se recupera bem, com o payroll, folha de pagamentos não-agrícolas, registrando crescimento de 916 mil empregos em março, enquanto a taxa de desemprego caiu para 6%.

O resultado ficou acima da expectativa do mercado, que projetava a abertura de 675 mil postos de trabalho. Já o nível de desemprego ficou em linha com o consenso de mercado.

No Brasil, a semana foi intensa e de troca-troca no governo e mais instabilidade. O presidente Jair Bolsonaro promoveu uma mini-reforma, trocando seis postos do primeiro escalão do governo. As mudanças mais barulhentas foram nos ministérios de Relações Exteriores e da Defesa.

O último acabou ocasionando também trocas nas Forças Armadas, com substituição dos comandantes de Exército, Marinha e Aeronáutica, abrindo uma nova frente de crise para Jair Bolsonaro.

O mercado de trabalho também surpreendeu, com Caged revelando um saldo de 401 mil postos formais em fevereiro, muito acima da expectativa. A inflação segue preocupando, com IGP-M acelerando 31,10% em 12 meses.

Focus

Para esta semana, destaque para o Boletim Focus, na segunda-feira (5), com as projeções para inflação, câmbio e Selic.

Após a última elevação da taxa básica de juros, de 2% para 2,75%, o mercado acompanha as projeções sobre os próximos passos do Comitê de Política Monetária (Copom), já certo de que novas elevações devem ser apresentadas na reunião de maio.

Inflação

Também segue no radar o IPCA de março, indicador oficial de inflação, que deve ser anunciado na sexta-feira (9).

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado uma prévia do indicador oficial de inflação do país (IPCA), subiu 0,93% em março. O resultado fica 0,45 ponto percentual acima do de fevereiro (0,48%). E é o maior resultado para um mês de março desde 2015, quando o índice foi de 1,24%.

Orçamento

O investidor também acompanha com atenção os desdobramentos quanto a vetos ou não ao Orçamento de 2021. O projeto aprovado pelos parlamentares transferiu recursos de despesas obrigatórias para emendas parlamentares, o que coloca em risco do teto fiscal e, consequentemente, coloca o presidente Jair Bolsonaro em situação bastante delicada e suscetível a pedidos de impeachment.

Segunda-feira, 5 de abril

  • Boletim Focus
  • IPC-Fipe
  • IPC-S de março
  • PMI composto e de serviços EUA
  • PMI composto e de serviços da China

Terça-feira, 6 de abril

  • PMI composto e de serviços do Brasil
  • Taxa de desemprego zona do euro
  • Taxa de desemprego zona do euro
  • Expectativas de inflação ao consumidor zona do euro

Quarta-feira, 7 de abril

  • PMI de serviços e composto da zona do euro
  • PMI de serviços e composto do Reino Unido
  • IGP-DI março
  • Vendas de veículos de março no Brasil
  • Ata do Fomc

Quinta-feira, 8  de abril

  • Inflação ao produtor zona do euro
  • Inflação (consumidor e produtor) China
  • Novos pedidos de seguro-desemprego nos EUA

Sexta-feira, 9 de abril

  • IPCA março
  • Inflação ao produtor nos EUA