Afya compra iClinic, startup de serviços para médicos, por R$ 182,7 mi

Paulo Amaral
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Crédito: Divulgação

A Afya, grupo de educação com foco em saúde, anunciou nesta terça (13) a compra da iClinic, empresa de tecnologia com foco em médicos, por R$ 182,7 milhões.

Essa é a segunda investida da Afya no setor. Em julho, o grupo fechou a aquisição da PEBMED, plataforma tecnológica de auxílio à tomada de decisões clínicas, que frequenta o top 10 de apps com maior geração de receita no Brasil nos últimos quatro anos.

“Nossa empresa é vocacionada para cuidar de toda a carreira do médico, desde a graduação até a última especialização. A chegada de healthtechs ao grupo Afya já está desenhada há mais de um ano”, revelou Virgílio Gibbon, CEO da companhia.

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“Estávamos muito atentos a este setor, que organiza e agiliza a rotina do médico. E com tudo o que vimos durante a pandemia, com profissionais de saúde sobrecarregados e diante de desafios inéditos, estas startups ganham ainda mais relevância, oferecendo suporte para que o médico possa se concentrar na sua atividade, junto aos pacientes”, completou.

O executivo deixou claro que o negócio sacramentado tem como objetivo tornar a Afya uma referência ainda maior no setor do País.

“Com a aquisição da iClinic para nossa plataforma, a Afya dá mais um passo para se tornar o balcão único para os médicos do Brasil”.

O contrato prevê a manutenção de Rafael Bouchabki, Felipe Lourenço e Leonardo Berdu, fundadores da iClinic, no negócio, mas, agora, como executivos da Afya.

“Fazer parte do maior grupo de educação médica do país nos gera inúmeras oportunidades. O ramo de educação, por exemplo, já estava no nosso radar”, explicou Lourenço.

“Utilizar a nossa ferramenta, que é de uso diário do médico, como plataforma de distribuição de cursos, como o de telemedicina, gestão de clínicas e consultórios e finanças para médicos, tem um potencial imenso”, completou.

iClinic cresceu durante a pandemia

A iClinic, que opera por meio de assinatura (SaaS), divulgou em seu balanço que realiza, em média, 680 mil atendimentos por mês, com médicos de 50 especialidades atendendo a mais de 1.300 cidades brasileiras.

Segundo Felipe Lourenço, desde que foi criada, a startup comprou a carteira de clientes de três empresas: a P2D Prontuário Universal, a Consultório Digital e a divisão brasileira da indiana Practo.

“Temos 23 mil usuários ativos. Durante a pandemia ganhamos mais de 3 mil clientes, entre consultórios e clínicas em todos os estados do país”, explicou.

A iClinic possui atualmente 110 colaboradores, que se dividem entre os escritórios de São Paulo e Ribeirão Preto. O grupo passa a fazer parte da VP de Inovação e Serviços Digitais da Afya, liderada por Julio De Angeli.

Afya também expandiu na graduação

O investimento na área da graduação também vem marcando a gestão do grupo Afya em 2020.

Em fevereiro, o grupo, que é o maior em número de vagas em faculdades de Medicina do País (2.143), anunciou, em fevereiro, o Centro Universitário São Lucas (UniSL), com três campi em Rondônia e 182 vagas anuais de Medicina autorizadas pelo MEC.

Em agosto, ampliou a presença no Nordeste com a aquisição da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba (FCMPB) e, no mesmo mês, a empresa anunciou ainda a compra da Faculdade de Ensino Superior da Amazônia Reunida (FESAR), em Redenção, no Pará.

Em outubro, a companhia anunciou que aumentou sua presença com cursos de Medicina para 10 estados: além de Minas Gerais, Tocantins, Piauí, Bahia, Pará, Rondônia, Rio de Janeiro, Paraná e Paraíba, o grupo está operando também no Maranhão, no município de Santa Inês, onde obteve autorização do MEC para início do curso de Medicina por meio do Programa Mais Médicos, do governo federal.

Softbank passa a ser sócio minoritário na Afya

O negócio envolvendo a Afya e a iClinic transformou o Softbank, que havia investido na health tech, em sócio minoritário do grupo educacional, seu primeiro investimento na área no País

O fundo de venture capital se encaixou no negócio porque parte da transação foi paga em dinheiro (61,5%) e outra em ações (38,5%).ya

Segundo Paulo Passoni, sócio do fundo, a companhia ainda tem US$ 3 bilhões para investir em startups na América Latina.

A Afya, que tem o capital aberto na Nasdaq, está avaliada hoje em US$ 2,4 bilhões.

Essa é a segunda empresa de capital aberto que o Softbank passa a deter uma participação no Brasil.

Antes da Afya, o fundo também havia se tornado sócio do Banco Inter, que tem papéis negociados na B3 e é avaliado em R$ 14,5 bilhões.

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