‘Afastamento entre Poderes gera insegurança para investidores’, diz Dória

Marcello Sigwalt
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“O afastamento entre Poderes aumenta a crise e gera insegurança entre investidores”, afirmou o governador paulista João Dória (PSDB-SP), ao criticar a postura política do governo de Jair Bolsonaro na relação com o Legislativo e Judiciário. Ele falou à ‘Folha de S. Paulo’.

“O estímulo a manifestações contra o Congresso não contribui para a estabilidade do país e para o processo democrático. Não tenho nada contra manifestações públicas, elas são parte da democracia, mas não cabe a um Poder constituído incentivá-las”, criticou.

Presidenciável de primeira hora à corrida eleitoral de 2022, Dória entende que “o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) desrespeita o Congresso e o Judiciário, aumentando a crise econômica e política do país e aglutinando contra si governadores de estado.”

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Entre seus pares, ‘atingidos’ pelo presidente, Dória citou o baiano Rui Costa  (PT), o cearense Camilo Santana (PT) e o fluminense Wilson Witzel (PSC).

Bolsonaro

Pacto federativo

“Isso demonstra o desprezo dele [Bolsonaro] pelo pacto federativo e a falta de compromisso democrático de governar com todos”, assinalou.

Em seu rol de críticas à atuação do governo, Dória foi além, ao afirmar que “a política prejudicou a economia” e que “o Brasil não pode ser governado com ódio.”

Entre os exemplos da condução, a seu ver, ‘equivocada’, de Bolsonaro da pauta política, Dória citou a “disputa pelo manejo de R$ 30 bilhões do Orçamento, a convocação de atos públicos contra o Congresso e a aprovação da pauta-bomba de R$ 20 bilhões”, segundo ele, em retaliação aos deputados.

Mortes pelo Coronavírus

Novo coronavírus

Dória também alfinetou o agora rival político sobre a atitude do governo no trato da pandemia causada pelo novo coronavírus.

“O presidente está ausente desse processo, e cometeu o equívoco de minimizar o efeito do coronavírus. Creio que ele estava um pouco desinformado”, disparou.

Cercado de potes de álcool gel por todos os lados – colocados em pontos estratégicos no Palácio dos Bandeirantes, para desinfecção das mãos – Dória elogiou a atuação do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, no combate à pandemia.

coronavírus, covid-19

Equilíbrio

“O ministro tem conduzido até aqui muito bem o processo, com equilíbrio, amparo de informações corretas, e não de forma intuitiva ou política”, admite, mas ainda lançando farpas indiretas contra o presidente.

“Ele [Mandetta] tem realizado uma boa interação com o governo de São Paulo. Espero que não se contamine. Não pelo vírus, mas pela falta de ação republicana. Até aqui, tem se comportado exemplarmente”, afirmou.

Ainda sobre os efeitos da crise na economia, Dória adiantou que seu governo tomará medidas para preservar o ritmo de crescimento da economia paulista.

Vamos manter a vitalidade econômica do estado que mais cresceu em 2019, com 2,8% de aumento no PIB. Tivemos R$ 101 bilhões em novos investimentos em 2019”, revela.

Índole conturbada

Na avaliação de Dória, “a política econômica foi totalmente prejudicada por uma índole política conturbada, agravada por ódios, ataques, distanciamento do Congresso, relações tumultuadas com o Judiciário, inadequadas com a imprensa”, disparou.

“Tudo isso gerou um clima de conflagração no país e, claro, prejuízo à economia”, completou.

O governador bandeirante também criticou o papel do Poder Executivo no motim da PM cearense, ao decretar o estado de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) naquele Estado.

“É preciso governar o Brasil, não a Aliança (partido que Bolsonaro pretende criar), ou para os que lhe são simpáticos e lhe adulam”, concluiu.