AES Tietê (TIET11) recusa proposta de fusão da Eneva (ENEV3)

Felipe Moreira
Felipe Moreira é Graduado em Administração de empresas e pós-graduado em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 6 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Crédito: Reprodução/AES Tietê

O Conselho de Administração da AES Tietê (TIET11) neste domingo (19) decidiu, por unanimidade, rejeitar a proposta hostil (ou não solicitada) da Eneva (ENEV3).

Segundo a companhia, a operação foi rejeitada por não atender ao melhor interesse da companhia e do conjunto de seus acionistas, tendo em vista, principalmente, a incompatibilidade existente entre os negócios e as estratégias da companhia e da Eneva.

A AES Tietê trabalha na geração de energia limpa e renovável, focada na sustentabilidade de longo prazo, sendo sua atuação, suas metas e suas diretrizes organizacionais alinhadas ao compromisso com as melhores práticas socioambientais e de governança (ESG –Environmental, Social & Governance).

Já a Eneva tem seu modelo de negócios centrado na geração, exploração e produção de hidrocarbonetos, com foco na geração térmica baseada em gás natural e carvão mineral.

Sendo assim, o Conselho de Administração da companhia entende que a junção dos negócios objeto da proposta hostil não é aderente aos princípios perseguidos pela AES Tietê, sendo contrária ao planejamento estratégico e operacional da companhia e pondo em risco a manutenção de seu modelo de negócios sustentável.

Incompatibilidade

A AES Tietê entende que de forma independente, é um ativo único no setor de geração de energia renovável no país. Se destacando das demais geradoras por constituir um veículo de crescimento em energia renovável.

Para companhia, a adoção do plano estratégico da AES Tietê, de forma independente, tem maior potencial para gerar valor aos acionistas do que em uma estrutura combinada nos termos da Proposta Hostil.

A combinação das operações implicaria a submissão da companhia a uma matriz energética distinta não renovável (carvão e gás), alterando o seu perfil socioambiental, a fusão poderia gerar consequências negativas quanto ao custo de capital da companhia e à liquidez de suas ações.

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A Eneva atua na exploração e produção (E&P) de hidrocarbonetos, as quais poderão não concretizar os resultados esperados caso não sejam encontrados patamares esperados nos campos explorados. Além disso, a operação proposta também exporia os acionistas da Companhia a outros riscos regulatórios (e.g., maiores restrições regulatórias, imposição de taxas, obrigação de compensação em mercado de carbono, etc.).

Subavaliação

De acordo com a Administração da AES Tietê, a proposta feita pela Eneva subavalia a companhia. A AES Tietê deveria ter um valor significativamente superior.

A companhia paulista diz que a Eneva superestima a junção dos negócios e considera sinergias diversos aspectos intrínsecos da própria Tietê, os quais são usufruídos pela companhia isoladamente.

Além disso, a proposta gera ineficiências, como o não aproveitamento do ágio que poderia ser gerado pela transação.

Alavancagem

Segundo a AES Tietê, a Eneva não apresentou nenhuma garantia firme de financiamento para pagamento da parcela em dinheiro, informando apenas que poderia utilizar suas linhas de crédito e do mercado de capitais para financiar a operação.

Diante do contexto vivenciado a companhia tem dúvidas sobre a viabilidade de se obter financiamento nesse montante e do custo de capital para referido financiamento.

No entendimento da administração da AES, o atual cenário impactado pela pandemia, não é propício para a implementação de operações altamente alavancadas.

Para AES Tietê,” ingressar neste momento em uma operação complexa e altamente alavancada seria não só inconveniente e inoportuno, como elevaria significativamente os riscos para seus acionistas. O momento requer que a administração se empenhe em fazer com que o fluxo de caixa e as reservas da companhia sofram o menor impacto possível, de modo a assegurar a implementação do plano de negócios aprovado”.

Negociações

A AES Tietê enviou à Eneva correspondência comunicando a decisão do Conselho de Administração de rejeitar a proposta de fusão e informando que sua administração está disposta a se reunir com representantes da Eneva para identificar a possibilidade de aprimoramento e adequação da proposta para melhor atender os interesses dos acionistas da AES.

A companhia paulista sugeriu entre as melhorias, a possibilidade de liquidez integral para os acionistas da companhia que não desejem migrar para a Eneva, tendo em vista a incompatibilidade existente entre os negócios das empresas.

Se a Eneva optar por apresentar nova proposta, poderá também optar por dilatar o prazo de negociação originalmente estipulado na proposta hostil.

A AES Tietê ainda realizará teleconferência hoje (20) para explicar os motivos para não aceitar a proposta.

ta-e-ai

 

 

Segundo relatório da XP Investimentos, a AES Tietê considera que os termos e condições da oferta (que classifica como “hostil”) não se adequam ao interesse da companhia e seus acionistas.

A Tietê ressalta a incompatibilidade de seus negócios, baseados em geração renovável, com a vocação da Eneva para geração termelétrica.

“Além disso, a companhia destaca riscos como exposição à atividade de Exploração e Produção (E&P) de hidrocarbonetos, distribuição de dividendos, subavaliação da companhia e elevado nível de endividamento da nova empresa após a fusão,” diz o relatório.

A Tietê ainda reforça uma menor projeção de sinergias após a oferta, falta de detalhes e compromisso firme de financiamento para o pagamento em caixa aos acionistas de R$6,89/unit, totalizando R$2,75 bilhões,  impossibilidade de amortização do ágio na aquisição e restrições de liquidez e incertezas econômicas em meio à pandemia de coronavírus.