AES Tietê (TIET11): falta clareza à proposta de fusão da Eneva (ENEV3)

Osni Alves
Jornalista (2007); Especializado em Comunicação Corporativa e RP (INPG, 2011); Extensão em Economia (UFRJ, 2013); Passou por redações de SC, RJ e BH (oalvesj@gmail.com).
1

Crédito: AES Tietê (TIET11): falta clareza à proposta de fusão feita pela Eneva (ENEV3)

Corretora de investimentos diz acreditar que falta clareza à nova proposta de aquisição que a Eneva (ENEV3) fez pela AES Tietê (TIET11).

De acordo com o analistas, há necessidade de maior clareza sobre o mérito estratégico, bem como existência de fato de sinergias com a fusão.

Isso porque, segundo ele, tanto a Eneva como a AES Tietê já são eficientes em termos de custos operacionais, segundo projeções de corretoras.

Conheça planilha que irá te ajudar em análises para escolha do melhor Fundo Imobiliário em 2021

Para ele, a Eneva possui 98% de sua capacidade já contratada no mercado regulado de energia (ACR).

Isso implica em pouca capacidade de geração excedente para mitigar os efeitos negativos de condições hidrológicas adversas sobre os resultados da AES Tietê.

Entretanto, ele diz concordar que a nova empresa, a ser formada pela fusão das duas, teria um perfil de geração de caixa mais estável que o das empresas separadas.

“É incerto se a fusão geraria benefícios adicionais como amortização de ágio ou de natureza fiscal”, disse.

TIET11: segunda maior empresa

O analista ressalta, porém, que a nova empresa seria a segunda maior geradora de energia privada no Brasil, com 6,1GW de capacidade total.

“A empresa ficaria atrás apenas da Engie Brasil, que possuí 10,6GW”, disse.

Para Francisco, a nova proposta sinaliza um potencial de ganho em relação ao preço atual da AES Tietê.

Na visão dele, porém, seria mais interessante aos acionistas minoritários da AES Tietê que a oferta previsse uma parcela maior de pagamento em caixa.

Também condições de direito de retirada para investidores que porventura não desejem ser acionistas da nova empresa.

TIET11: grau adicional de incerteza

Conforme Francisco, a possível fusão geraria, ainda, um grau adicional de complexidade para o BNDESPar em sua tentativa de desinvestir sua participação na AES Tietê.

Isso porque a troca de ações implica que o veículo de investimentos tenha que realizar uma nova oferta subsequente por sua nova posição em ações da Eneva.

TIET11: recomendação de compra

Francisco elenca que corretora de investimentos mantém recomendação de compra para a AES Tietê, com preço-alvo de R$16.

“Entretanto, nossas estimativas e metodologia de preço-alvo não levam em conta nenhum aspecto da fusão proposta”, frisou.

 

Guide Investimentos

Para a Guide Investimentos, o BNDES deverá recusar a proposta oferecida pela Eneva.

Isso porque a iniciativa de fusão não atende às expectativas de desinvestimentos que o banco de fomento pretende implementar na companhia.

Conforme a Guide, a AES Corp vai entregar proposta pela mesma fatia ao BNDES nesta sexta-feira (24).

A expectativa é que a companhia ofereça prêmio semelhante ao da Eneva, mas em dinheiro.

Para a Eleven, menos caixa

Para a Eleven, a nova proposta da Eneva disponibiliza menos caixa para o BNDESPar.

A gestora de investimentos lembra ainda que a AES Holding Brasil, controladora da AES Tietê, também poderá fazer uma oferta ao BNDESPar para evitar a fusão.

A solução para esse impasse agora está nas mãos do BNDESPar, entretanto, a Eleven diz acreditar que a empresa já esteja precificada em função desses eventos.

Por conta disso, a recomendação da compra por parte da Eleven é Neutro.

Veja o desempenho da TIT11 na Bolsa:

Fonte: tradingview.

TIT11: a proposta

A Eneva apresentou na quinta-feira (23) ao BNDESPar proposta de uma potencial operação de combinação de negócios com a AES Tietê Energia.

O BNDESPar abriu processo competitivo em 26 de junho de 2020 pela sua fatia na AES Tietê.

O BNDES Participações é o maior acionista da empresa paulista de energia, com 28,41% do capital total da companhia, sendo 14,4% em ações ordinárias e 37,5% de preferenciais.

Veja o desempenho da ENEV3 na Bolsa:

Fonte: tradingview.