Aegea (AEGP23) vence leilão de PPP no Mato Grosso do Sul

Paulo Amaral
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A Aegea Saneamento (AEGP23), que tem como sócio o fundo soberano de Cingapura, venceu, nesta sexta-feira (23), seu segundo leilão na mesma semana.

Desta vez, a companhia, que tem entre os sócios o fundo soberano de Cingapura, levou uma PPP.

A vitória deu a Aegea a concessão da Parceria Público-Privada de serviços de esgoto em 68 cidades do Mato Grosso do Sul, organizado pela estatal local Sanesul na B3.

Tio Huli, EconoMirna, Natalia Dalat e outros tubarões dos Investimentos.

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A companhia ofereceu deságio de 38,46% sobre o valor unitário máximo estabelecido no leilão, de R$ 2,21, alcançando a vitória com a oferta de R$ 1,36 no preço unitário.

O projeto de PPP

O projeto que será tocado pela Angea terá como principal objetivo “universalizar os serviços de esgotamento sanitário nos municípios atendidos pela Sanesul nos próximos 30 anos”.

Segundo informações da B3, ele abrangerá 1,7 milhão de habitantes nos 68 municípios, quase a totalidade do Estado, que possui 79 cidades.

A vitória obrigará a empresa a investir, durante os 30 anos de contrato, R$ 3,8 bilhões sendo R$ 1 bi em obras e o restante na operação e manutenção do sistema de esgoto nas 68 cidades.

Base de clientes sobe com vitória

O êxito no leilão desta sexta-feira fará a base de clientes atendidos pela Aegea subir para 10,6 milhões.

A companhia encerrou o primeiro semestre com lucro líquido de R$ 346,3 milhões praticamente triplicando o saldo de 2019.

A geração de caixa medida pelo Ebitda no período subiu 28%, para R$ 715 milhões, segundo balanço da companhia.

A empresa encerrou junho com dívida líquida de R$ 3,86 bilhões, uma expansão de cerca de 13% na comparação anual.

Por outro lado, a alavancagem no período recuou de 3,34 vezes para 2,86.

Aegea já havia vencido leilão na terça

Há três dias, a Aegea venceu outro leilão – a licitação da Parceria Público-Privada (PPP).

A companhia será responsável pelo esgotamento sanitário do município de Cariacica e de alguns bairros da cidade de Viana, na região metropolitana de Vitória, no Espírito Santo.

O leilão foi realizado na B3, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES).

No total, sete licitantes disputaram o certame. Um dos critérios de seleção foi a oferta de maior desconto sobre o valor da tarifa de esgoto estabelecido no edital.

O consórcio vencedor apresentou proposta com valor unitário de R$ 0,99, equivalente a um deságio de 38,13%.

Sucesso

Segundo o secretário Nacional de Saneamento do Ministério de Desenvolvimento Regional, Pedro Maranhão, o leilão foi um sucesso.

Afirmou que, a partir de 2033, vão beneficiar 100 milhões de pessoas que não têm esgoto, 35 milhões sem água tratada, 3,1 mil lixões.

“Não só a questão da saúde e da qualidade de vida, mas a questão ambiental. Esse é o maior projeto que mitiga o meio ambiente do mundo”, disse. Afinal, além de tratar o esgoto de 100 milhões, também equivale despoluição de rios, lençóis freáticos, lagos e represas.

De acordo com o BNDES, a concessionária vencedora prestará serviços de coleta e tratamento de esgoto para 423 mil habitantes. A parceria será com a Companhia Espírito Santense de Saneamento (Cesan).

A intenção é garantir a universalização do acesso à rede de esgotamento até o décimo ano de contrato. Atualmente, apenas 48,3% da população da região têm coleta de esgoto.

De acordo com o edital da licitação, a concessionária tem que investir R$ 580 milhões em infraestrutura de saneamento básico ao longo dos 30 anos de contrato.

Além disso, desse total, R$ 180 milhões devem ser aplicados nos primeiros cinco anos.

Concessões

De acordo com o BNDES, desde a sanção do novo marco regulatório do saneamento básico, o projeto de concessão administrativa de Cariacica é o segundo que foi licitado.

Em primeiro lugar, no dia 30 de setembro, a BRK Ambiental foi selecionada. A empresa é concessionária responsável pelos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário da região metropolitana de Maceió, Alagoas.

Ainda mais, o secretário destacou o teste que o setor de saneamento passou durante a pandemia. “Não tem uma atividade econômica no mundo que passou por um teste tão difícil como foi a pandemia”, disse.

“O que não tem é mais investimento público, mas esse marco regulatório trouxe um caminho para a universalização”, completou.

O diretor de Infraestrutura, Concessões e PPPs do BNDES, Fábio Abrahão, disse que banco ficou “extremamente feliz” com o resultado.

“Faremos muito mais, tanto no setor de saneamento quanto diversos outros de infraestrutura”, afirmou.

Futuras licitações

Por fim, ressaltou que entre os projetos em modelagem no banco estão licitações em estados como Acre, Amapá e Ceará. No Rio Grande do Sul, além da capital Porto Alegre, há municípios do interior.

Conforme o diretor, há também o projeto da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) e da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa).

Um dos próximos passos é atrair investidores internacionais, além de manter os nacionais interessados nas oportunidades que estão a caminho.

“A nossa preocupação é montar um pipeline extenso para os próximos dois ou três anos, justamente para dar um conjunto de oportunidades para o mercado investidor que não venceu agora. Estamos falando de pelo menos 15 ou 16 leilões nos próximos dois anos. É bastante extenso”, afirmou o diretor.

*com Agência Brasil

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