Adam Capital prefere as NTN-Bs aos pré-fixados, diz André Salgado

Osni Alves
Jornalista | osni.alves@euqueroinvestir.com
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Crédito: Adam Capital prefere as NTN-Bs aos pré-fixados, diz André Salgado

Sócio fundador da Adam Capital, o administrador André Salgado afirma que a gestora tem preferência pelos papeis NTN-Bs, que são títulos mistos, em oposição aos ativos pré-fixados. A empresa também está posicionada na ponta curta da curva por conta do coronacrise.

As Notas do Tesouro Nacional série B (NTN-B) são títulos com rentabilidade vinculada à variação do IPCA, acrescida de juros definidos no momento da compra. Por se tratar de um ativo que possui um componente pós-fixado, a rentabilidade a ser recebida pelo investidor vai variar até a data de vencimento.

“Um pedaço grande do nosso alfa é feito fora”, disse, em referência a boa parte de suas alocações estarem na Bolsa norte-americana.

“Tradicionalmente, a gente estava na parte mais longa da curva, mas esse cenário fez com que mudássemos, por considerar que há bom potencial de prêmios”, explicou.

E disse mais: “até 70% do nosso risco está alocado em mercados internacionais. Hoje, temos setores que claramente são mais resilientes e com bom valuation. Estamos comprados nesses e vendidos nos segmentos que sofrem mais”, reforçou.

As aéreas, os imobiliários e o varejo são alguns dos segmentos que mais sofrem nesta crise.

Ele conversou por videoconferência com Luis Fernando Moran, sócio da EQI Investimentos, na tarde desta segunda-feira.

Bancos Internacionais

Conforme Salgado, a Adam investe em bancos internacionais, tecnologia e setor de nuvem. Isso porque os bancos serão os canais de transmissão de todos esses auxílios governamentais.

“Hoje a gente tem, de maneira geral, um terço em equit global que é, basicamente, posição comprada em bancos de tecnologia dos EUA”, disse.

E complementou: “outros 40% são nosso livro de moedas que é uma posição ainda de Dólar forte contra emergentes, e Dólar forte contra o Euro. Mas, essa posição de Euros é balanceada contra o Franco Suíço.”

Já o restante da posição, segundo Salgado, é a de juros Brasil.

“Com portfólio equilibrado, a gente consegue render bem sem expor o cliente a essa volatilidade elevada. Vamos proteger o capital e gerar renda em longo prazo”, concluiu.

Recuperação em U

Para Salgado, o mercado não deve se recuperar do coronacrise em V. A afirmação do especialista dá a entender que o mercado deve se recuperar, portanto, em U. Ou seja, após atingir o fundo do poço, a economia vai demorar para voltar ao topo.

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A recuperação em V implica em rápido retorno aos patamares pré-crise.

“Essa é uma crise lenta, sem geografia específica e com reflexos sociais e econômicos demorados”, disse, acrescentando que o primeiro impacto é desinflacionário.

Isso porque as amplas medidas fiscais dos bancos centrais fazem com que a inflação se esconda. “Entendemos que há exagero na utilização de balanços dos bancos centrais”, frisou.