Acordo pós-Brexit entre UE e Reino Unido terá efeito positivo no Brasil

Paulo Amaral
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Crédito: Reprodução / Pixabay

O acordo comercial pós-Brexit, finalmente formalizado entre Reino Unido e a UE, quase um ano após os britânicos deixarem o bloco, terá efeitos positivos até para o Brasil.

De acordo com reportagem da BBC, o principal setor do País que deverá ter um ganho a partir de 1º de janeiro de 2021, quando a parceria comercial terá seu reinício, será o das exportações.

Segundo os termos do compromisso, não haverá cobrança de tarifas quando bens cruzarem as fronteiras entre as duas regiões, nem limites para a quantidade de produtos e serviços que pode ser comercializada.

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O acordo abrangerá as trocas comerciais que chegaram a 668 bilhões de libras (R$ 4,7 trilhões) em 2019. “Esse acordo elimina uma enorme zona de incerteza que pairava sobre o Brexit, principalmente com relação ao comércio”, apontou Mauricio Santoro, professor de relações internacionais na UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro).

“Com o acordo, fica estipulado que a maior parte desse comércio vai continuar a acontecer sem barreiras, o que por si só já é muito importante”, complementou.

O impacto dessas medidas pós-Brexit no Brasil, segundo Santoro, ocorrerá porque o Reino Unido é um parceiro comercial importante do País, embora com peso menor do que China e Estados Unidos, por exemplo.

Em 2019, a soma das importações e exportações entre os dois países foi de US$ 5,29 bilhões (R$ 27,6 bilhões). “Agora, vai depender muito de como a economia britânica vai se adaptar a esse novo cenário pós União Europeia. Há uma possibilidade interessante de que as exportações do agronegócio brasileiro acabem aumentando para o mercado britânico, tomando espaço que hoje é das exportações da União Europeia. Há expectativas boas nesse sentido”, apostou.

De acordo com o professor Maurício Santoro, o Brasil ganha também com uma União Europeia mais estável, sem no nervosismo gerado pela demora do acordo pós-Brexit.

Efeito pós-Brexit não será imediato no Brasil

José Augusto de Castro, presidente-executivo da AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil), avaliou que, apesar de o Brasil não ser beneficiado imediatamente com o acordo, pode se favorecer indiretamente, com o aumento da corrente de comércio global, o que beneficiaria as exportações brasileiras de commodities.

“É uma ótima notícia, um presente de Natal para o comércio internacional, que ganha uma perspectiva real de crescimento nos próximos anos. É mais um fator positivo, que cria uma expectativa favorável para que 2021 seja um ano diferente de 2020, com mais comércio, menos pandemia, mais vacina e a volta ao normal.”

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