Acordo de Paris: Brasil não impedirá acordos sobre mudanças climáticas na COP25

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Agência Brasil

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, fez da garantia de arrecadar mais dinheiro para os esforços ambientais do país sua principal prioridade na cúpula climática COP25. O evento acontece em Madri desde segunda-feira (2).

Embora grupos ambientalistas critiquem o governo do presidente Jair Bolsonaro por não impedir a elevação no desmatamento da Amazônia, o Brasil exige mais financiamentos internacionais para iniciativas domésticas.

Apesar disso, a comitiva brasileira não impedirá um acerto sobre os itens finais do Acordo de Paris que tratam de mudanças climáticas. Não se sabe como a demanda de Salles será considerada nas rodadas de conversas.

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O ministro disse no mês passado que, na COP25, ele descobriria quanto o Brasil receberia da quantia de 100 bilhões de dólares em financiamento ambiental anual, que havia sido prometida a países em desenvolvimento até 2020.

Negociação em paralelo

A alocação de recursos para países específicos não é parte das negociações da Organização das Nações Unidas (ONU). O objetivo dessas negociações é estabelecer regras sobre como o Acordo de Paris será implementado.

Marco Túlio Cabral, o segundo diplomata mais graduado do Itamaraty participando da cúpula, diz que “não tem nenhuma relação entre as coisas. Sim, o ministro veio aqui com esse pleito, ele tem argumentos bem fundamentados para fazer os pleitos que ele está fazendo, mas isso não tem nenhuma relação com os outros temas em negociação aqui”.

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Cabral, em reunião com representantes brasileiros não-governamentais, disse que “ele (o ministro) em nenhum momento estabeleceu esse vínculo. Essas coisas não estão ligadas. Esta negociação está acontecendo em paralelo”.

Para Salles, o Brasil deveria receber pelo menos US$ 10 bilhões da verba prometida a países em desenvolvimento.

Críticas

As políticas de Bolsonaro para o meio-ambiente recebem críticas de ambientalistas em todo o mundo. Um dos itens que foram contestados foram o incentivo a especuladores, grileiros e fazendeiros, que seriam os responsáveis pelo maior desmatamento da Amazônia em 11 anos. Bolsonaro diz que o Brasil tem um dos melhores registros ambientais do mundo, e acusa a imprensa de demonizá-lo.