Ações: quais setores na bolsa são mais impactados com pandemia

Natalia Gómez
Editora, é jornalista especializada no mercado de investimentos há 17 anos. Formada pela PUC-SP, teve experiências em veículos como Agência Estado, Valor Econômico e Revista Você SA; e na área de comunicação corporativa e relações públicas para instituições financeiras.

Embora todo o mercado esteja sendo afetado pela pandemia do coronavírus, alguns setores da econonomia devem ter impactos operacionais mais altos que outros. 

Isso certamente vai se refletir nas ações das companhias e na velocidade que elas devem se recuperar após a crise. Veja quanto a bolsa tem caído nos últimos dias:

O tombo é grande, mas o impacto não será igual para todos. Confira alguns dos setores que devem sofrer mais com a situação atual:

Turismo e aéreas em queda

Por razões óbvias, empresas diretamente ligadas ao turismo e aviação devem sofrer impactos operacionais relevantes. 

O presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) declarou para a Folha de São Paulo esta semana que a situação é séria, e que as empresas estão adotando medidas para reduzir custos. 

Além disso, as companhias já anunciaram que farão cortes nas ofertas de voos domésticos e internacionais. Além da Gol e da Azul, a CVC é outra companhia que deve ter seus resultados impactados pela crise.

Outro fato importante foi o rebaixamento das companhias. Segundo relatório da Elite Investimentos, a Moody’s já rebaixou o rating da Azul e da Latam de B1 para B3 em razão da rápida e crescente disseminação da doença.

O rating da Gol entrou em revisão para um possível rebaixamento.

Para ter uma ideia do prejuízo: a agência de risco estima que as três empresas devem ter queda de tráfego de 70% no segundo trimestre.

Varejo deve ter dificuldades

Varejistas como GPA e Carrefour são exemplos de varejistas que terão efeito negativo nos seus negócios.

Vale citar que no primeiro final de semana depois de decretada a pandemia, o comércio da cidade de São Paulo recuou 16,3% em relação ao final de semana anterior, segundo a Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

Além da crise de demanda, os especialistas destacam que pode haver também um problema de oferta. A crise deve afetar principalmente os produtos importados da Ásia.

Isso porque pode haver congestionamento nos portos e limitação da produção. Entre os itens mais sensíveis estão eletroeletrônicos, itens farmacêuticos e vestuário.

Outro problema é que uma eventual redução na produção de fábricas nacionais também pode gerar um impacto negativo na oferta.

Para a XP, as ações mais resilientes no setor de varejo devem ser a Magazine Luiza – devido ao caixa elevado e boa posição online – e a Renner, que tem baixa alavancagem.

Segundo relatório do Google Retail AIT, as empresas varejistas mais afetadas pelo dólar mais alto serão Centauro, Renner e Hering.

Já a baixa do PIB será mais grave para Via Varejo, Magazine Luiza e B2w. Ainda segundo o relatório (que cita como fontes Goldman Sachs e JP Morgan), a redução do crédito vai impactar as empresas mais alavancadas, como a Via Varejo.

Um sopro positivo deve surgir para as empresas que são forte na venda online, como B2W, Mercado Livre e Magazine Luiza. No entanto, estas duas últimas trabalham com vendedores menores que têm níveis estoques mais baixos, o que pode causar problemas.

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Shoppings terão desafio

O setor de shopping centers também pode ter impactos operacionais devido ao fechamento das operações e redução dos horários de funcionamento em vários locais do país. 

Em relatório, a Terra Investimentos destacou que a BrMalls anunciou a suspensão das atividades de três shoppings no Estado do Rio de Janeiro por conta do surto de coronavírus.

A Multiplan decidiu encurtar os horários dos centers administrados a operar temporariamente das 12h00 às 20h00. Esta foi uma recomendação da Associação Brasileira de Shopping Centers. 

Além disso, varejistas que concentram atividades em shoppings, como Centauro, C&A, Lojas Renner e Riachuelo também devem ser negativamente afetados pela queda na circulação dentro dos shoppings, destacou o Google AIT.

Incertezas na distribuição de combustíveis

Empresas como Cosan e Ultrapar podem sofrer um impacto médio a alto devido à pandemia, segundo a XP. O primeiro efeito negativo foi a perda de estoques causada pela desvalorização do preço do petróleo.

Os analistas ainda não preveem restrições do fluxo de pessoas e mercadorias até o momento. Mas destacam que isso teria um efeito muito negativo caso se concretize.

Bancos também vão sofrer

Embora os bancos também devam sofrer com o coronavírus, aqueles que estiverem bem capitalizados devem ser mais resistentes que outros.

Como exemplo, a XP destacou que o Banco do Brasil está em uma situação melhor. Isso ocorre devido à sua exposição ao crédito rural. Outro ativo menos afetado neste setor, para a XP, é o Itaú Unibanco. O motivo é sua alavancagem menor e à sua baixa volatilidade histórica na bolsa.

Em relatório divulgado no último domingo (15), o Morgan Stanley reiterou a sua recomendação overweight (exposição acima da média do mercado) para os American Depositary Receipts (ou ADRs) dos quatro maiores bancos brasileiros listados em bolsa: Itaú Unibanco (ITUB4), Bradesco (BBDC3;BBDC4), Santander Brasil (SANB11) e Banco do Brasil (BBAS3).

Segundo reportagem da Infomoney, no entanto, os preços-alvos foram reduzidos devido à piora nas expectativas para a economia.

O preço-alvo dos papéis do Itaú caíram de US$ 12 para US$ 9; do Bradesco de US$ 11,50 para US$ 8,50; do Santander de US$ 13 para US$ 9,80, e do BB de US$ 69 para US$ 55.


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