Ações que caem muito: o que fazer?

Victor Meira
Com formação em Ciências Sociais e Jornalismo, experiência em redação nas editorias de esportes, empregos, concursos, economia e política.

Crédito: Pixabay

Quando as ações caem muito, o que fazer? O mercado financeiro não é um ser estático que mantém naturalmente o preço das ações em uma linha de tendência elevada. Pelo contrário, ele é resultado de relações sociais e econômicas e é influenciado também pelo humor dos investidores.

Ou seja, o preço das ações das empresas varia de acordo com o desempenho do negócio, mas também com fatores externos, de macroeconomia e política.

Praticidade e precisão, saiba quais melhores investimentos e como melhorar rentabilidade de suas ações

Em muitos casos, o investidor, seja ele iniciante ou até experiente, fica desesperado quando o preço das ações cai muito. Apesar de ser uma situação complicada, agir na emoção e no calor do momento pode ser a pior decisão. 

A co-head da EQI Research, Aline Cardoso, destaca que o investidor precisa estar atento para não agir com os sentimentos de medo. Além disso, a pessoa deve ser o mais racional possível, usando como base um plano de longo prazo, baseado nos fundamentos das empresas. 

Infelizmente, uma queda acentuada no preço das ações é um fenômeno comum na bolsa de valores.

Por exemplo, o Magazine Luiza (MGLU3) era um dos ativos mais valorizados até meados de julho. Em 2020, as ações da companhia tiveram um ganho de 48,72%. Logo após, conseguiram chega a uma valorização de 70%. 

Contudo, a partir do meio do ano, as ações da MGLU3 recuaram tanto que atingiram uma desvalorização de 63,47% em 2021. A queda se acentuou mais ainda com a divulgação dos resultados financeiros da companhia. O que fez com que os papéis da companhia caíssem mais de 9% em um único dia. 

Fonte: Google Finanças

Aline Cardoso explica que os investidores devem analisar se os fundamentos da empresa continuam sólidos. “Nestes momentos de alta volatilidade, gosto de fazer um ‘back to basics’, ou seja, identificar se os fundamentos da companhia se deterioram ou se continuam sólidos”, afirma ela.

“Se os fundamentos de fato mudarem para pior, acredito que vender a ação possa ser a melhor solução. Não acredito em ir fazendo o preço médio para baixo, como muitos costumam fazer. Se o fundamento piorou, é porque então houve motivo para a ação cair além da volatilidade do mercado”, comenta Cardoso sobre a possibilidade de venda. 

Efeito manada

O efeito manada é um comportamento social compartilhado em que a explosão de um evento gera uma resposta espontânea de um grupo social. Isto é: uma ameaça provoca uma reação instintiva de fuga. Podemos ilustrar esta ação como um ataque de leões a um grupo de antílopes que fogem em disparada para fugir do agressor.

Nos investimentos, o efeito manada é produzido quando a oferta de um ativo provoca um alvoroço no mercado. Isto ocorre com o aumento ou a queda expressiva de uma ação. Levado por esse movimento, os investidores compram ou vendem porque o mercado recomenda. 

Agir sem pensar pode ser prejudicial para os investimentos. Aline Cardoso ressalta que o investidor deve ser racional e não se deixar levar pelas emoções. “Não pode se desesperar quando as ações começam a cair e nem quando elas estão subindo”, diz ela. 

A queda das ações como oportunidade de ganho

Normalmente, um investidor sem experiência encara a queda como uma consequência negativa. E, em muitos casos, até desiste da renda variável por medo de perder dinheiro. Contudo, vamos apresentar a versão do copo meio cheio. A queda de um ativo pode apresentar uma oportunidade de entrada. 

Como destacado antes, o mercado de ações não é estático. Pelo contrário, ele é volátil. O investidor pode aproveitar a volatilidade, usando os fundamentos técnicos, para ter ganhos. Inclusive, essa é uma estratégia que é bastante utilizada pelos traders.

Além disso, Aline argumenta que a queda das ações pode acontecer por diversos motivos. Desde a piora do cenário macroeconômico, passando por decepção por conta de resultados ou crescimento. E incluindo ainda mudanças na governança corporativa, fluxo vendedor de um ou mais grandes players, dentre outros. Porém, o investidor deve estar atento aos fatores que o levaram a escolher determinada ação para investir. 

No caso, Cardoso recomenda que a pessoa procure se informar se os valores da companhia continuam sólidos com as suas vantagens competitivas. Entre outros indicativos importantes estão barreiras de entrada e drivers de crescimento intactos. Se porventura eles continuarem os mesmos, “pode ser uma boa oportunidade de compra”. 

Diversificação da carteira de investimentos

Pode-se dizer que a diversificação dos investimentos é o super trunfo dos investimentos. Uma carteira com vários ativos pode proteger o patrimônio de eventuais perdas expressivas de apenas uma ação. Trocando em miúdos, é a história de evitar colocar todos os ovos em uma só cesta.

Por isso, faça uma carteira de investimentos com papéis provenientes de diferentes setores. Com riscos distintos e diversas fontes de receitas.

Essa estratégia é o que vai assegurar uma variação menor em tempos de crise, então estude essa possibilidade.