Ações para lucrar com a alta no preço da carne

Weslley Almerindo
Colaborador do Torcedores
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Crédito: Reprodução / Alexas Fotos / Pixabay

Os preços da carne estão se tornando cada vez mais altos devido a alta exportação para outros países, devido a fatores como a guerra comercial e a peste suína na África. Dessa forma, ter um comportamento passivo perante essa alta tão grande está muito longe do perfil de um investidor. Assim, veja as melhores ações para obter um lucro nesse período.

Como se beneficiar com a alta?

Ao mesmo passo que os preços da carne aumentam, a demanda aumenta, as ações ganham valor e o mercado, como sempre, oscila.

Dessa maneira, os papéis dos grandes frigoríficos como a JBS e a Marfrig já subiram mais de 100% e a Ibovespa uma alta de 25,5%.

Contudo, o destaque vai para Minerva que registrou uma alta de 213%, o melhor desempenho do setor de proteínas do mundo, segundo a Bloomberg.

O que pensam os analistas?

Como de praxe, os analistas dizem que há espaço para mais.

Nessa perspectiva, o forte aumento do preço da carne deve beneficiar os resultados das empresas do setor de carnes.

Desse modo, segundo os analistas, mais oportunidades surgem e lucrar algo nesse processo é totalmente possível.

E a população?

A população sofre com a alta no preço no próprio bolsa e, devido a isso, procura outras alternativas.

Nesse sentido, dados recentes mostram um aumento no consumo de frango para substituir a carne bovina.

Contudo, isso continua não sendo tão vantajoso para a população brasileira, afinal, é só mais um aumento de demanda e consequentemente de preços. No entanto, a alta não chega a ser tão grande se compara a carne bovina.

Assim, segundo o Índice de Preços ao Consumidor, medido pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, o preço do frango aumento 1,34% em novembro.

Benefícios para as empresas

“Esse aumento do preço das proteínas deve continuar sendo positivo para as empresas do setor e, pensando no quarto trimestre, que sazonalmente é mais forte, com o Natal, além dos recentes dados mostrando o aumento do consumo das famílias, este deve ser um trimestre positivo para elas”, avalia Betina Roxo, analista da XP Research.

Em soma, Roxo reforça, ainda, a recomendação de compra para BRF (BRFS3), JBS (JBSS3), e Marfrig (MRFG3).

Com a visão positiva dos analistas, a JBS entrou para o ranking das ações mais recomendadas em dezembro, segundo levantamento feito pelo Infomoney com 13 casas de análises.

Ademais, na opinião dos analistas do Bradesco BBI, o efeito da mudança de hábito de consumo da população, chamado de trade-down, deve beneficiar mais o frango.

Dessa forma, projetam que os preços subam mais 30% em relação ao valor atual para reduzir a diferença em relação ao valor da carne bovina.

Além disso, segundo os dados da Bloomberg, a JBS tem incríveis 12 recomendações de compra e 4 de manutenção, enquanto para a BRF 11 casas de análise recomendam compra e 6 a manutenção.

Em relação a Marfrig e Minerva são 6 e 10 recomendações de compra para cada uma, respectivamente.

Para concluir, nenhuma casa recomendou a venda de alguma das 4 empresas.

A alta dos preços

Segundo dados da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), o valor de alguns cortes de carne bovina chegou a subir 50% em um período de menos de 3 meses.

Os motivos para alta são simples de serem explicados, havia uma baixa oferta de bois, pois a demanda não era demasiadamente alta, e de repente aumentou exacerbadamente.

Nessa lógica, a peste suína africana e a Guerra Comercial da China com os Estados Unidos foram os principais fatores para esse grande aumento na demanda, pois a China passou a importar muita carne do Brasil.

A consequência é cristalina, o valor do boi gordo teve uma alta imensa, tão grande que chegou aos maiores valores da história.

Dessa maneira, de modo mais prático, o preço saiu de R$ 155,70 no início de setembro e atingiu R$ 231 na semana passada, segundo o Centro Avançado de Estudos em Economia Aplicada (Cepea).

Os preços subirão ainda mais?

Para o presidente da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Martins, esta alta no preço foi “um ponto fora da curva” e, embora esteja havendo uma ‘acomodação”, os preços não voltarão mais ao patamar de 60 ou 90 dias atrás.

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Não obstante, para Ricardo Santir, diretor-executivo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), destacou que a alta das carnes deve se intensificar com as festas de fim de ano e seguir assim no primeiro semestre e 2020.

A expectativa dele é que os preços não voltem ao que era visto nos açougues e supermercados no início deste ano.

Em mais um ponto de vista, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, afirmou nesta quarta-feira que o mercado já sinaliza uma redução no valor da arroba do boi e que o preço da carne deve se normalizar em breve.

“Tivemos uma conjuntura momentânea de seca, falta de pasto e abertura de mercados, mas agora o preço da carne deve se estabilizar”, disse.