Ações do setor de materiais de construção ganham com rali da demanda

Natalia Gómez
Editora, é jornalista especializada no mercado de investimentos há 17 anos. Formada pela PUC-SP, teve experiências em veículos como Agência Estado, Valor Econômico e Revista Você SA; e na área de comunicação corporativa e relações públicas para instituições financeiras.
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Um dos efeitos do auxílio emergencial dado pelo governo federal neste ano foi a alta da procura por materiais de construção, e esse movimento já ficou visível na bolsa de valores.

Ações de empresas que fornecem insumos – como Duratex (DTEX3), Lojas Quero Quero (LJQQ3) e Gerdau (GGBR4) têm se beneficiado desse movimento.

Nos últimos 30 dias, essas empresa sobem 10%, 18% e 23%, respectivamente. No mesmo período, o Ibovespa acumula queda de 1,2%.

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Além do auxílio emergencial, o fato de as pessoas estarem passando mais tempo em casa explica o movimento. Isso porque as famílias estão gastando com reformas residenciais e pequenas construções.

Ao mesmo tempo, já está ocorrendo uma retomada da economia que se reflete em setores mais sensíveis, como a construção civil, segundo o analista da Terra Investimentos, Regis Chinchila.

As vendas de materiais de construção foram as que mais cresceram em agosto, ficando atrás somente dos móveis e eletrodomésticos. A alta foi de 22,7% em relação a agosto de 2019, de acordo com o IBGE.

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De acordo com Henrique Esteter, analista da Guide, as ações dessas empresas ainda têm espaço para subir mais. “Mesmo com a alta recente, essas empresas ainda estão se recuperando da queda de preços das ações durante a crise”, explica.

Confira quais empresas da bolsa têm sido mais beneficiadas pela tendência:

Gerdau vende aço para construção

A siderúrgica Gerdau é uma das empresas que surfam essa onda porque fornece produtos como vergalhões, pregos e arames.

O aumento da demanda por materiais tem sido tão expressivo que deve garantir mais um reajuste de preço do aço longo em outubro na casa dos 10%. De acordo com relatório do BTG Pactual, seria o terceiro aumento consecutivo de preços.

Segundo o banco, o aumento das vendas deve continuar a aumentar a valuation (avaliação das ações) das empresas do setor siderúrgico. “Mantemos nossa visão positiva para o setor e reiteramos a Gerdau como nossa preferida”, destacou o BTG.

De acordo com dados do Instituto Aço Brasil, as vendas domésticas de aços longos cresceram 9% em agosto, na comparação anual. Com isso, somaram 741 mil toneladas.

No início de agosto, o presidente da Gerdau destacou que as vendas do segundo trimestre para o varejo de materiais de construção foram as maiores desde março de 2015.

Isso se explica pelos incentivos governamentais dados a uma parte da população em meio à pandemia. “Houve um aumento das reformas em residências em meio à quarentena”, destacou.

Além disso, ele citou entregas recordes de pregos e arames agropecuários, além de acessos crescentes em canais digitais de vendas.

Duratex fornece painéis de madeira

Outra empresa que ganhou destaque no cenário atual foi a Duratex. Ela produz painéis de madeira.

Nesta semana, o Bradesco BBI elevou o preço-alvo para a companhia para R$ 21 por ação. Antes, o preço-alvo era R$ 17,41. A recomendação de Outperform (acima da média de mercado) foi mantida para o papel.

Segundo os analistas do BBI, a recuperação da demanda continua a um “ritmo forte”. A instituição citou que os volumes de painéis de madeira podem subir 30% no terceiro trimestre ante o mesmo período de 2019.

Além disso, o banco citou alta de preços, com ganhos de market share. Para o terceiro trimestre deste ano, o BBI projeta um Ebitda recorde para a Duratex, de R$ 395 milhões. Um ano antes, o Ebitda foi de R$ 238 milhões. O resultado deve ser impulsionado por aumento de volumes e margens em todas as divisões.

O relatório do Bradesco BBI disse que as reformas domésticas e a demanda por mobília no Brasil estão muito aquecidas. Em junho, o volume de painéis de madeira da Duratex cresceu 30%. E o banco acredita que a tendência vai continuar no segundo semestre.

Finalmente, o banco afirmou que os clientes da Duratex ainda não renovaram seus estoques. Ou seja, isso pode ocorrer no quarto trimestre de 202o ou no primeiro semestre de 2021. “Construtoras também devem começar a demandar produtos da Duratex com mais intensidade ao longo de 2021.”

Quero-Quero avança no interior

Um dos IPOs realizados neste ano foi o da Lojas Quero-Quero, que vende materiais de construção. A companhia foi um dos seis papéis que se valorizaram neste ano após a estreia na bolsa.

De acordo com o economista daEQI Investimentos Pedro Ivo, a empresa tem conseguido um bom resultado porque sua atuação é focada em cidades de pequeno e médio porte da região sul do país.

“Com atuação regional, a empresa tem conseguido fazer vendas digitais com competência, de forma personalizada e com frete rápido, ganhando muitas vezes das big players do setor”, explica.

Em agosto, a empresa levantou quase R$ 2 bilhões na sua oferta inicial de ações. A rede gaúcha expandiu sua operação nos três Estados do Sul nos últimos anos. Agora, o objetivo é abrir lojas em todos os Estados, avançando em cidades pequenas e médias.

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