Ações de petroleiras: os desafios de investir no setor sob riscos e lucros

Matheus Gagliano
Colaborador do Torcedores
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Foto: Ações de petroleiras

Investir em ações de petroleiras sempre foi um negócio arriscado. Isso porque as companhias do setor investem bilhões de dólares em atividades de exploração. O resultado é que nem sempre esses aportes redundam em lucro aos seus investidores. Afinal, um poço pode nem sempre produzir aquilo que se espera.

Mas também há o contrário: se um campo for altamente produtivo, esses investimentos retornam aos bilhões, não só na forma de petróleo bruto. Mas em outros produtos derivados como combustíveis, gás liquefeito do petróleo (GLP), gás natural, plásticos, etc.

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No Brasil, a principal companhia é a Petrobras (PETR4), mas existem outras ações de petroleiras – principalmente estrangeiras – como Chevron, BP, Shell, Equinor – que são negociadas por meio das BDRs.

Outra companhia brasileira no setor é a PetroRio (PRIO3). Embora tenha uma operação bem menor que a Petrobras, conseguiu bons números em 2020. Em agosto do ano passado, a  empresa chamou a atenção nos últimos meses não só pelo volume de transações, como pela valorização dos papéis. Entre janeiro e agosto, acumularam alta de mais de 30% no ano. As ações foram de R$ 35,78 no início de 2020 para R$ 43,09 (14 de agosto). A relação preço/lucro da empresa foi de 17,99 vezes.

Confira abaixo o momento atual das petroleiras

Vacina e recuperação

O momento atual da demanda por petróleo sofreu, como os demais setores. Em novembro do ano passado, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), projetou que a crise de Covid-19 poderia causar uma redução 9,75 milhões de barris por dia no ano passado.

No entanto, no começo de fevereiro, a Opep divulgou uma outra projeção da Opep levando em conta o cenário para 2021. Nesse documento, a organização tem uma perspectiva mais otimista. Em resumo, a/posta que a vacinação em massa deve proporcionar uma melhoria da situação macroeconômica. Consequentemente, é esperada uma recuperação da demanda mundial por petróleo.

Tanto que esse otimismo, se confirmou no preço, que voltou a se recuperar. No dia 5 de março, o óleo tipo Brent, chegou a R$ 69,39. Ou seja, atingiu o maior patamar para esse barril desde maio de 2019.

Já o outro tipo de petróleo vendido no mundo, o WTI, negociado nos Estados Unidos, alcançou R$ 66,09. Esse foi o maior patamar desde abril daquele mesmo ano.

Como investir em petróleo

Existem várias formas de investir no setor por meio de ações de petroleiras. Uma delas é comprando diretamente ações da Petrobras. Além disso, é possível investir em fundos que aportam recursos somente na Petrobras.

Também há a possibilidade de investimento em petroleiras internacionais. Para isso, é necessário acessar os BDRs destas empresas na B3. Algumas delas são ExxonMobil, Chevron, Equinor, Shell, entre outras ações de petroleiras. Estas BDRs acompanham o desempenho das ações originais em seus mercado de origem, como Londres ou Nova York, que são os principais.

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Petrobras: de volta ao jogo

Pelos seus volumosos investimentos, a Petrobras ainda sofre com os efeitos da Operação Lava Jato. Tanto é que desde o governo Michel Temer a companhia vem realizando um programa de desinvestimentos. Vários foram os ativos vendidos desde então: BR Distribuidora; a Transportadora Associada de Gás (TAG), uma rede de gasodutos de transporte; entre campos de produção de petróleo e gás.

Um dos grandes problemas enfrentados pela empesa é a ingerência política em seu comando. Apesar de ser uma empresa de capital aberto, a União ainda é o sócio controlador. Ou seja, o governo é quem indica o presidente da companhia e seis membros do conselho de administração.

E foi o que aconteceu há algumas semanas. O presidente Jair Bolsonaro, descontente com a política de preços da petroleira, decidiu substituir Roberto Castello Branco do comando da petroleira. Em seu lugar, indicou Joaquim Silva e Luna. Também foram indicados mais seis nomes para o conselho de administração. O nome de Silva e Luna será avaliado pela Assembleia Geral Extraordinária (AGE), marcada para abril.

Rebaixamento

Mas não é apenas a Petrobras que enfrenta dificuldades. Apesar do otimismo esperado pela Opep para 2021, a agencia S&P Global Ratings anunciou o rebaixamento da nota de algumas empresas. Foram atingidas a francesa Total e a anglo holandesa Royal Dutch Shell. A agência de risco passou a francesa da nota “A+” para “A” e a Sheel de “AA-” para “A+”. O motivo é o cenário de transição energética e as mudanças climáticas, que podem piorar os riscos para o setor.

Além delas, também tiveram suas notas rebaixadas a ExxonMobil, Chevron e ConocoPhillips. Esse cenário adverso pode exigir saídas. Uma delas é uma possível fusão entre ExxonMobil e Chevron. Matéria do The Wall Street Journal citou que as duas empresas poderiam se unir, criando a segunda maior do mundo. Como a Chevron tem valor de mercado de aproximadamente R$ 164 bilhões e a ExxonMobil, R$ 189 bilhões, resultaria em uma gigante de R$ 350 bilhões.

O rebaixamento é um mal sinal para as ações de petroleiras, pois indicam que as companhias estão mais arriscadas.

Prejuízos

A possível fusão entre as duas companhias é justificável diante do últimos resultados financeiros.  A britânica BP, por exemplo, registrou no ano passado um prejuízo de US$ 20,3 bilhões. No ano anterior, o último antes da pandemia, a companhia havia registrado lucro líquido de R$ 4 bilhões.

A Shell teve um desempenho semelhante. A anglo-holandesa reportou prejuízo líquido de US$ 21,7 bilhões ante um lucro líquido de R$ 15,8 bilhões no ano anterior.

Fontes renováveis

Outra adversidade que as petroleiras têm enfrentado também são as fontes renováveis. Em 2018, a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, da Câmara dos Deputados, já havia aprovado uma proposta que obriga as concessionárias do setor a destinar 1% do valor bruto da produção de cada campo em pesquisa, desenvolvimento e inovação. Metade desses recursos terão de ir para fontes renováveis.

Mas as empresas buscam se adaptar aos novos tempos. A Equinor é um grande exemplo disso. A norueguesa, que antes se chamada Statoil, decidiu fazer um reposicionamento da marca pensando justamente nos tempos atuais. Em agosto do ano passado, a companhia entrou com pedido de licenciamento de parques eólicos offshore na costa do Rio de Janeiro e Espírito Santo.

Os projetos Aracatu I e Aracatu II, totalizam uma capacidade instalada de 4 gigawatts (GW). Cada um dos parques terá 2 GW. E há possibilidade de ampliação no projeto. Uma saída das petroleiras também tem sido o maior investimento em gás considerado o combustível de transição de uma matriz energética de hidrocarbonetos para uma matriz 100% limpa.

Tanto é que o governo tem buscado contratar termelétricas a gás natural para ajudar a intermitência da operação as eólicas e parques solares. Principalmente no Nordeste do país.

Em suma, por mais que os tempos sejam difíceis, as petroleiras sempre deram sinais e provas de que conseguem se adaptar aos novos tempos.

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