Ações de crescimento: o que são e como escolher?

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.
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Crédito: Reprodução / Freepik

Face à escalada dos juros (e tendência de continuidade pelos próximos meses), a renda fixa voltou a ser atrativa para o investidor. No entanto, quem deseja resultados acima da média no longo prazo, não pode deixar de considerar as ações de crescimento na carteira.

A seguir, saiba mais sobre o que são e como investir em ações de crescimento.

O que são as ações de crescimento?

Também conhecidas como small caps, essas empresas se caracterizam principalmente pelo potencial de crescimento.

Normalmente, os investimentos em ações de crescimento carregam mais risco do que as ações de empresas da velha economia. Isso porque demandam mais investimentos e atuam em segmentos ainda não totalmente consolidados. Por outro lado, quando se valorizam, essas ações podem ser o diferencial da carteira de qualquer investidor.

Não existe consenso sobre o valor exato para que uma empresa seja considerada uma small cap. Geralmente, o teto do valor de mercado dessas empresas oscila entre R$ 4 bilhões e R$ 6 bilhões. Dessa forma, dependendo do valor de mercado, podem ser consideradas small caps até mesmo as empresas líderes em seus segmentos.

Como investir nessas empresas?

Você pode tanto investir diretamente em small caps quanto em um ETF (Exchange Traded Fund) que acompanhe o desempenho dessas empresas. No caso das small caps, o ETF correspondente é o SMALL11.

Quais as melhores ações de crescimento para investir?

Recentemente, a quinta edição da Money Week abordou dois segmentos de small caps para investir: petróleo e tecnologia. Nesse sentido, o painel sobre o assunto contou com a presença de Hugo Queiroz, gestor e estrategista-chefe do TC Matrix, e Max Bohm, head em small caps do TC.

A seguir, entenda por que os gestores acreditam no potencial desses dois segmentos.

Small caps – petróleo e gás

Apesar da crescente procura por investimentos ESG, na opinião dos gestores, o setor de petróleo e gás continua em franco crescimento.

Isso porque o ESG ainda levará bastante tempo para que possa desenvolver todo o seu potencial. Para Max, é inegável o fato de que, cada vez mais, veremos mais carros elétricos, energia solar e eólica disseminados pelos países. Porém, em um horizonte de 10 anos, petróleo e gás continuarão sendo matrizes energéticas importantes mundialmente.

“É por isso que vemos esse setor com potencial grande de valorização. Principalmente quando falamos das empresas menores, que chegaram na bolsa mais recentemente”, conclui o gestor.

Por sua vez, Bohm cita duas empresas em específico nas quais acredita: 3R Petroleum e PetroRecôncavo. Isso porque ambas operam campos maduros, que eram da Petrobras, vendidos no programa de desinvestimento do governo.

“Com o petróleo acima de US$ 80 e com o trabalho dessas empresas no sentido de melhorar a eficiência operacional, pode-se extrair bons resultados desses ativos. Além disso, não podemos esquecer que, em breve, entraremos em uma fase de maior demanda pela commodity, que é o inverno europeu. Isso tende a manter o preço do petróleo alto, ao menos por mais alguns meses”, diz Bohm

Small caps – tecnologia

Antes de mais nada, é preciso esclarecer as diferenças que existem entre as empresas de tecnologia.

De acordo com Bohm, há setores de TI com muito potencial de crescimento. Da mesma forma, outros são bem pulverizados, e outros mais concentrados. Por isso, as análises devem ser feitas de formas diferentes.

Nesse sentido, Max dá o exemplo da Sinquia, empresa de software para o setor financeiro. Nesse sentido, a empresa é líder de marcado com apenas 7% de market share. Ou seja, há um grande espaço para que a companhia cresça e possa permanecer na liderança, pois atua em um mercado bastante pulverizado.

Por outro lado, existem empresas líderes que vieram para a bolsa, mas já possuem um share muito maior. É o caso da ClearSale e da Neogrid, que já tem quase 80% dos respectivos mercados. Nessa situação, o desafio de crescimento da companhia é muito maior.

Para Max, essas empresas precisarão encontrar novos nichos para que possam de fato expandir. Isso envolve, entre outros aspectos, capacidade para poder investir ou realizar aquisições no mercado.

Por fim, Queiroz observa o risco de execução das estratégias de crescimento das small caps. Isso porque todas as empresas estão expostas às incertezas do mercado e da política econômica local. Por isso, é fundamental avaliar bem o setor de tecnologia para saber quais as small caps que realmente valem a pena.

Small caps: carteira recomendada pelo BTG Pactual

A carteira recomendada de small caps possui 10 ações. Para novembro de 2021, os papéis selecionados pelo banco foram os seguintes: CBA (CBAV3), SLC Agrícola (SLCE3), 3R Petroleum (RRRP3), ClearSale (CSLA3), Desktop (DESK3), Sinqia (SQIA3), Orizon (ORVR3), Jalles Machado (JALL3) e Santos Brasil (STBP3). Cada empresa possui peso de 10% na carteira.