Ações da Oi (OIBR3 OIBR4) caem após aprovação de aditamento do PRJ

Giovanna Castro
Jornalista formada pela UNESP.
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Foto: Loja da Oi

As ações da Oi (OIBR3 OIBR4), após iniciarem a quarta-feira em alta, registram queda às 16h20, com a aprovação de aditamento ao Plano de Recuperação Judicial. OIBR4 estava em queda de 3,31%, a R$ 2,92, e OIBR3 caía 2,15% a R$ 1,82.

A companhia teve sua proposta de mudanças no plano de recuperação judicial aprovada em assembléia virtual de credores realizada na terça-feira (8).

A empresa, que tem 25 mil credores, dos quais mais de 5 mil se cadastraram para o evento, conforme informou o Estadão, conseguiu o apoio necessário para dar início a uma reestruturação ampla dos seus negócios.

O plano envolve a venda dos ativos de operação de telefonia e internet móveis para outras operadoras concorrentes, TIM (TIMP3), Vivo (VIVT4) e Claro, que juntas ofereceram proposta de R$ 16,5 bilhões.

As torres, data centers e parte da rede de fibra ótica também serão leiloadas, o que deve levantar mais de R$ 22 bilhões a serem usados no pagamento antecipado de dívidas e investimentos futuros.

A companhia de infraestrutura Highline do Brasil, do fundo americano Digital Colony, também fez oferta de valor não revelado.

Assim, a Oi passará a se dedicar exclusivamente no setor de infraestrutura de fibra ótica.

O presidente da companhia, Rodrigo Abreu, disse durante a assembléia que o objetivo é ter “uma empresa mais leve”. “Acreditamos que vamos criar uma empresa que gera valor e confiança para todos os seus stakeholders (públicos-alvo)”, explicou.

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Acréscimo de valor para os acionistas

Para o Bradesco BBI, a aprovação do plano pode representar um acréscimo de valor significativo para os acionistas.

“Esperamos a aprovação do plano para desbloquear um valor significativo para os acionistas da Oi. Em nossa análise, estabelecemos um preço-alvo de R$ 3,20 para a Oi em nosso cenário de aprovação do plano, assumindo R$ 15 bilhões para os ativos da Oi Mobile e 60% de haircut para os bancos” disse a instituição em nota.

A expectativa é de que haja um aumento de R $ 1 bilhão na dívida líquida por conta da redução no haircut, que seria compensado pelo aumento de R $ 2,3 bilhões no VPL da Oi Mobile.

“Com a aprovação, vemos um caminho claro e mais sustentável para a Oi, pois a empresa poderá focar inteiramente na sua implantação de FTTH, que vem apresentando excelentes resultados e é onde vemos as maiores oportunidades hoje no segmento de telecom”, escreveu o banco.

Além disso, segundo o relatório, os resultados alcançados mostram o trabalho diferenciado que a gestão vem realizando, o que reforça a visão otimista sobre a empresa. “Reforçamos nossa classificação de “outperform” para OIBR3 e mantemos nosso preço alvo de R $ 2,10 por enquanto, mas vemos um risco de alta significativo para isso”, concluiu.

Recuperação judicial

A Oi entrou em recuperação judicial em junho de 2016 por acumular dívida bruta de R$ 64 bilhões com cerca de 55 mil credores.

Um plano de recuperação foi aprovado em dezembro de 2017. Nele, a dívida foi reduzida em R$ 36 bilhões por meio de descontos, parcelamentos no longo prazo e conversão de créditos em ações.

Na assembleia desta terça-feira (8), a classe I, dos credores trabalhistas, apresentou 99,8% de votos favoráveis entre os presentes, informou o Valor.

Ja a classe II, de credores com garantia real, da qual o BNDES era o único integrante, a aprovação foi de 100%.

No grupo dos credores quirografários presentes à AGC, 96,84% dos presentes votaram a favor do aditamento, representando 68,15% do valor total dos créditos desta classe.

Os votos favoráveis entre as microempresas corresponderam a 99,2% dos participantes da assembleia.

Com a alienação dos ativos, a Oi pretende diminuir o endividamento e concluir a recuperação judicial em maio de 2022.

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Impasses durante a assembleia

Apesar da aprovação, a assembleia da Oi (OIBR3 OIBR4), que durou cerca de 12 horas em discussões, foi marcada por divergências com bancos credores.

O Itaú Unibanco, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, entre outras instituições financeiras locais, criticavam o ponto da proposta que previa deságio de 60% e 55% no valor da dívida a ser paga pela empresa.

Esses deságios são superiores aos da versão original do plano, de 2017. O Itaú se posicionou dizendo que “o deságio de 60% proposto incide sobre recursos públicos. Não há como admitir isso”.

“Não houve apresentação de justificativa razoável para piora nas condições de pagamento da Caixa, Banco do Brasil, Itaú e alguns outros poucos credores”, pontuou o procurador da Caixa, Armando Borges.

Os bancos pediram a suspensão da assembleia em 30 dias, mas o pedido foi negado pelo administrador judicial do processo. Em contraproposta, a Oi ofereceu 55% a 50% de deságio.

A empresa estaria em um embate com os bancos desde junho, quando divulgou sua intenção de reformular o plano de recuperação.

As instituições financeiras também questionaram a participação dos bondholders na assembleia.

Isso porque, na visão dos bancos, isso geraria conflito de interesses, já que os bondholders se tornariam acionistas após a conversão das dívidas em ações da Oi.

Segundo o Estadão Conteúdo, embora a Justiça tenha autorizado a participação dos bondholders na votação desta terça, as decisões foram monocráticas e podem, eventualmente, ser revistas – fato que abriria espaço para questionamentos da assembleia.

Futuro da Oi (OIBR3 OIBR4)

Com a proposta, o objetivo da Oi (OIBR3 OIBR4) é tornar-se uma empresa focada em fibra ótica, prestando serviços de banda larga ao público em geral.

A companhia também pretende oferecer suas redes de forma neutra para as demais operadoras de 4G e 5G. Assim, sua atuação seria por meio de outras empresas e não diretamente com o público, por meio de planos de telefonia móvel com o nome Oi.

Hoje, a Oi já tem a maior rede de fibra ótica do Brasil e uma das maiores do mundo, com 388 mil quilômetros, informou o Estadão Conteúdo. A companhia planeja, com o novo direcionamento, chegar ao marco de 32 milhões de clientes até 2024.