Ações brasileiras são boa opção no médio prazo, diz Goldman Sachs

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Divulgação

O Goldman Sachs projeta uma recuperação a médio prazo para o mercado de ações no Brasil. De acordo com o banco, o Ibovespa deve chegar a 95 mil pontos em um prazo de até 12 meses. No início do ano, antes da crise do coronavírus, o índice batia recorde de 120 mil pontos. Atualmente, encontra-se próximo a 80 mil pontos.

O banco chama atenção para as ações do setor bancário, que, a seu ver, têm forte potencial de recuperação. “No médio prazo, de seis a 12 meses, gostamos do setor financeiro. O setor bancário está subvalorizado”, afirmou Caesar Maasry, chefe de estratégia de mercados emergentes do Goldman Sachs, ao Valor.

De acordo com Maasry, o fato de o Brasil ainda estar em uma escalada crescente de casos de Covid-19 coloca o país em situação desfavorável em relação a outros países emergentes, como os asiáticos. Estes seriam os favoritos nos próximos dois meses. No entanto, em quatro meses, o Brasil já pode voltar a ser atrativo.

“Em um horizonte de quatro meses, a América Latina, em particular o Brasil, pode ter performance superior. No curto prazo, nos próximos dois meses, continuamos preferindo Ásia”, disse.

De acordo com o banco, os mercados emergentes levam, em média, quatro trimestres para se recuperarem de crises como a que se apresenta.
No caso do Brasil, particularmente, a retomada deve ser um pouco mais lenta.

“A dinâmica fiscal do Brasil é particularmente esticada. Nossa projeção aponta para um déficit recorde de 8% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano. Esta é uma das razões para a recuperação mais lenta”, afirmou.

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Segundo ele, se o PIB demorar um ano para se recuperar, os lucros das empresas demorarão um ano e meio. E o mercado de ações voltará a subir em dois anos.

Pequeno investidor vai à bolsa, mesmo na crise

Apesar da crise, é crescente a entrada de novos investidores na bolsa brasileira. O que indica que o brasileiro já entendeu que “comprar na baixa” é umas principais lições de educação financeira.

Em março, o Ibovespa caiu 30%. Ainda assim, novos 300 mil investidores entraram na bolsa naquele mês. O investimento de pessoas físicas subiu para R$ 17 bilhões, cifra que chega a R$ 33 bilhões de janeiro a abril. Os novos investidores da bolsa, de janeiro a abril, somam 558 mil pessoas físicas.

Para Clara Sodré, assessora da EQI Investimentos, a taxa básica de juros em baixa e o senso de oportunidade explicam esse crescimento.

“Com a taxa básica de juros baixa, o investidor já entendeu que quem quer rentabilidade precisa correr riscos. Sabendo que as crises fazem parte do ciclo da bolsa e que a recuperação é só questão de tempo, isso tranquiliza”, avalia.

Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa básica da economia para 3% ao ano. E a expectativa é por novos cortes. A corretora XP, por exemplo, projeta Selic a 2,25% no próximo mês. O Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (11) pelo Banco Central, prevê 2,50% até o final do ano. Neste cenário, as ações despontam como investimento mais atraente.