Abinee: covid-19 afeta 70% do setor eletroeletrônico brasileiro

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Reprodução / Senai

A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) realizou uma terceira pesquisa entre seus membros e constatou que o impacto do novo coronavírus, conhecido como Covid-19, sobre o setor aumentou para 70% das empresas entrevistadas. Esse número só aumenta desde a primeira sondagem, em fevereiro, quando foi de 52%. Na segundo, às vésperas do Carnaval, eram 57% com problemas por causa da epidemia.

A Abinee entrevistou 50 indústrias do setor eletroeletrônico. A intenção é saber quantas estão com dificuldades de produção por conta de problemas no recebimento de materiais, componentes e insumos provenientes da China. O desabastecimento é mais latente entre os fabricantes de produtos de celulares e computadores.

O presidente-executivo da Abinee, Humberto Barbato, diz que a nova pesquisa indica o agravamento da situação das indústrias que dependem dos componentes externos.

Para Barbato, as dificuldades atuais alertam para o problema da dependência de materiais e componentes provenientes de um único mercado: “a situação revela nosso alto índice de vulnerabilidade em relação à importação de componentes. O País tem uma oportunidade impar de fazer as reformas estruturais, como a tributária, que tornarão a produção nacional competitiva internacionalmente. Do contrário vamos continuar vulneráveis”.

Quadro atual segundo a Abinee

Neste novo levantamento da Abinee, 6% das pesquisadas já operam com paralisação parcial em suas fábricas, contra 4% do anterior. Outras 14% já programaram paralisações para os próximos dias, também de forma parcial. Na pesquisa anterior, esse montante era de 15%.

Enquanto na pesquisa de 20 de fevereiro, pré-Carnaval, 54% das empresas não tinham previsão de parar suas atividades, agora esse número caiu para 48%.

Assim, passou de 17% para 21% o total de empresas que informaram que não devem atingir a produção prevista para o primeiro trimestre deste ano. O número reforça a preocupação do setor.

Conforme essas associadas, a produção do período deverá ficar, em média, 31% abaixo da projetada, 8 pontos percentuais acima do que o levantamento anterior, mostrando o pessimismo com o cenário atual.

Segundo o estudo, “quase metade das empresas (48%), no entanto, as projeções devem ser mantidas; outras 31% afirmaram que ainda não é possível dar essa indicação”.

As empresas devem demorar, em média, cerca de dois meses para normalizar o ritmo da produção, após a retomada dos embarques de materiais, componentes e insumos da China. Mas não há ainda prazo para alcançar essa normalização.

Para 54% das empresas, caso essa situação se prolongue por mais um mês e meio, haverá risco na entrega do produto final para os clientes. Foi a primeira vez que as indústrias pesquisadas deram essa indicação.

Participação da China

No total do que é necessário para a indústria brasileira, 40% é produzido aqui mesmo no Brasil. Os outro 60% são importados, mostrando como o Covid-19 impacta no setor.

O Brasil compra da China 42% de todos os componentes eletroeletrônicos importados para a produção nacional, correspondendo a 25% do que é necessário para a indústria local.

O resto da Ásia responde por 38,3% das importações, ou 23% do consumido pelo setor no Brasil. O resto do mundo só fornece 18,5% dos insumos ao Brasil, ou 12% do que é necessário para a indústria.

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