Abilio Diniz: a trajetória de sucesso e as confusões do bilionário

Paulo Amaral
Jornalismo é meu sobrenome: 20 anos de estrada, com passagens por grandes veículos da mídia nacional: Portal R7, UOL Carros, HuffPost Brasil, Gazeta Esportiva.com, Agora São Paulo, PSN.com e Editora Escala, entre outros.
1

Crédito: Endeavor

Abilio Diniz é um ícone do empreendedorismo brasileiro.  Aos 83 anos, ele é um dos empresários mais bem sucedidos do País e também um dos mais ricos. Sua fortuna, segundo a revista Forbes, é de US$ 2,2 bilhões (em julho de 2020).

Apaixonado por esportes e com uma personalidade combativa, nunca foi do tipo que se dá por vencido. Com esse perfil e por circular há muitos anos no centro do poder, suas disputas (familiares e societárias) se tornaram famosas.

Além de ser bom de briga, sempre se mostrou ser muito bom de negócios. Abilio Diniz foi o responsável por fazer um pequeno empreendimento familiar fundado em São Paulo, em 1948, se tornar a maior varejista nacional: o Grupo Pão de Açúcar.

Aprenda a interpretar o cenário dos investimentos com leituras de 5 minutos. Conheça a EQI HOJE

A história dele daria um livro. E já deu mesmo – mais de um.  Além de duas autobiografias, há ainda uma biografia escrita pela jornalista Cristiane Correa  em 2015 (Abilio – determinado, ambicioso, polêmico).

Hoje, ele tem participações em empresas como Carrefour e BRF, onde também é conselheiro, e comanda a Península, gestora que ele criou em 2006 para administrar seu patrimônio bilionário.

Pão de Açúcar, fundado por Abilio Diniz

Supermercado Pão de Açúcar, fundado por Abilio Diniz

Como Abilio começou

A história do Grupo Pão de Açúcar, e do empresário Abilio Diniz começa com uma pequena doceria fundada em 1948 por seu pai, Valentim dos Santos Diniz,  na Avenida Brigadeiro Luiz Antônio, em São Paulo.

Valentim, um imigrante português, batizou seu negócio de Pão de Açúcar (a primeira coisa que viu quando chegou ao Brasil). Abilio, na época, tinha 12 anos.

Mais tarde, formou-se em  administração de empresas pela Fundação Getúlio Vargas. Seu sonho era ser professor, mas foi convencido pelo pai a abraçar uma nova empreitada, novidade na época no Brasil.

Seu Valentim inaugurou, em 1959, o primeiro supermercado da rede Pão de Açúcar e o filho mais velho ficou para ajudá-lo.

No fim dos anos 60, a rede já tinha 60 unidades em 17 cidades, com Abilio à frente das principais decisões. Sua tática era copiar os grandes varejistas dos Estados Unidos e da Europa.

Abilio Diniz em 1971

Abilio Diniz em 1971

Até hoje ele costuma dizer que, “quem não tem competência para criar, tem que ter coragem para copiar”. 

Disputas e sequestro

No fim da década de 70, em meio a uma disputa societária com os irmãos, Abilio Diniz se afastou dos negócios e aceitou um convite do governo da época para participar do Conselho Monetário Nacional.

Sob os holofotes de Brasília, Abilio foi alvo de um escandâlo envolvendo o Pão de Açúcar. O empresário foi acusado de sabotar o Plano Verão, estocando produtos para driblar o congelamento de preços.

A década conturbada terminou de forma traumática para o empresário. Abilio foi sequestrado em São Paulo e passou seis dias em um cativeiro de 5 metros quadrados até ser encontrado pela polícia.

Abertura de capital

Enquanto Abilio ficou afastado da empresa, seus irmãos tocaram o Pão de Açúcar e tomaram decisões que se mostraram equivocadas. A rede foi superada pelo rival Carrefour e quase quebrou. Seu Valentim teve de chamar o filho mais velho de novo.

Foi seguindo o lema “corte, concentre e simplifique” que Abilio Diniz colocou seu trabalho de gestor à prova e, em 1994, ao se tornar sócio majoritário do Grupo Pão de Açúcar, começou um esforço para colocar o negócio nos trilhos de novo. Com muito suor e a custa de muitos empregos, ele conseguiu.

Das cerca de 600 lojas, restaram 260. Com isso, 28 mil funcionários foram demitidos para reequilibrar as finanças e salvar o negócio da família.

Em 1995, o GPA fez sua oferta pública inicial de ações (IPO), e estreou como a primeira companhia varejista de alimentos na Bovespa.

A operação rendeu ao grupo US$ 112,1 milhões, suficientes para colocar em curso o plano de consolidação do empresário. Com o dinheiro, Abilio comprou uma série de supermercados menores.

Quatro anos depois do IPO, o dono do Pão de Açúcar precisava de mais dinheiro para manter o crescimento. Isso fez com que ele acabasse vendendo uma fatia de 24,5% ao Grupo Casino, da França.

Os sócios franceses aumentaram sua participação para 34%, em 2003, aportando mais dinheiro no grupo. Em troca, no entanto, eles queriam assumir o controle total da companhia em 2012, quando Abilio já estaria com 75 anos.

Quem imaginava que, dali para frente, Abilio se encaminharia para a aposentadoria, se enganou. Ele casou de novo, teve dois filhos, e fez novos negócios ousados. Comprou o Ponto Frio e a Casas Bahia, da família Klein. Esse último negócio quase ficou pelo caminho, porque a família quis rever pontos do contrato.

O adeus ao Grupo Pão de Açúcar

No entanto, o grande embate societário ainda estava por vir. Abilio Diniz não queria entregar o controle aos franceses do Casino.

O estopim para a crise entre eles foi uma negociação sigilosa que o empresário iniciou com o Carrefour, concorrente do Casino. As conversas entre eles vieram à tona e o Casino partiu para a briga.

Abilio gastou cerca de US$ 500 milhões com advogados e assessores na briga com os sócios franceses, para se manter no controle da empresa fundada por seu pai.

Só desistiu em setembro de 2013, quando deixou definitivamente o Pão de Açúcar.

A essa altura, já era sócio do Carrefour e da BRF, onde também fez confusão com outros sócios – neste caso, fundos de pensão.

Antes dessas disputas, Abilio já havia se envolvido em uma complicada briga com seus irmãos.

A divisão acionária do Pão de Açúcar, nos anos 80, gerou divergências com os irmãos Alcides e Arnaldo, que tinham somente 8% cada um das ações da companhia – metade do que Abílio possuía.

A briga – ou parte dela – durou até 1988, quando Alcides resolveu vender sua fatia da companhia e abriu mão dos seus 8% por US$ 120 milhões.

Em 1991, o que era uma briga de família se tornou caso de Justiça. A mãe de Abilio moveu uma ação contra o marido e o primogênito.

A resolução chegou em 1993, com Abílio Diniz assumindo 51,5% da empresa – 36,5% ficaram com seus pais, 12% com a irmã Lucília Diniz. Os demais venderam suas participações.

Um atleta apaixonado

São-paulino de carteirinha, Abílio Diniz sempre foi apaixonado por esportes.

O bilionário praticou – e colecionou troféus – em várias modalidades, como futebol, automobilismo, polo e motonáutica.

Ainda hoje mantém uma rotina de exercícios capaz de fazer inveja a muitos garotões mais novos e aficionados por academia.

Um dos filhos de Abílio Diniz, Pedro Paulo, chegou a tentar a sorte nas pistas de Fórmula 1 como piloto, entre os anos de 1995 e 2000, mas não alcançou nenhum feito importante nos 98 GPs disputados por Sauber, Ligier, Forti Course ou Arrows enquanto esteve no circuito.

“Eu aprendi a conciliar meu papel de gestor, pai, marido, amigo e várias outras atividades profissionais e sociais. Tenha sabedoria para manter tudo em equilíbrio. As pessoas que têm equilíbrio emocional performam melhor”.

Planilha de ações: baixe e faça sua análise para investir