Ambev (ABEV3) lucra R$ 1,21 bilhão no 1TRI20, queda de 55,9%

Regiane Medeiros
Economista formada pela UFSC. Produz conteúdo na área de mercado de capitais, finanças pessoais e atualidades.
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Crédito: Wikipédia

A Ambev (ABEV3) reportou no primeiro trimestre de 2020 um lucro de R$ 1,21 bilhão, isso representa um recuo de 55,9% frente ao mesmo período de 2019, quando o lucro foi de R$ 2,74 bilhões.

Segundo a companhia, esse movimento foi ocasionado pela queda de Ebitda (lucro antes juros, impostos, amortização e depreciação) simultaneamente ao aumento das despesas financeiras.

O lucro líquido atribuído aos controladores caiu 59%, somando R$ 1,091 bilhão.

O Ebitda  ajustado para o primeiro trimestre de 2020 registrou queda de 17,3%, passando de R$ 5,12 bilhões em 2019 para R$ 4,23 bilhões em 2020.

Já a margem Ebitda ajustada foi de 33,6%, reportando uma queda de 6,9 pontos percentuais sobre resultado do mesmo período de 2019.

A receita líquida da Ambev se manteve praticamente estável na comparação entre os períodos, com recuo de 0,3%. No primeiro trimestre de 2019 a receita líquida foi de R$ 12,64 bilhões enquanto que no mesmo período de 2020 foi de R$ 12,62 bilhões.

A receita líquida caiu no Brasil (-9,6%) e na América Central e Caribe (-10,2%), enquanto subiu na América Latina Sul (+22,4%) e no Canadá (+3,3%).

Fluxo de caixa operacional e CAPEX

O fluxo de caixa das atividades operacionais da cervejaria foi de R$ 1,54 milhões (-25,8%) e os investimentos em CAPEX alcançaram R$ 1,34 milhões (+146,6%).

Coronavírus

De acordo com a Ambev, as restrições de deslocamento e de distribuição e vendas de bebidas alcoólicas tiveram forte impacto nos números do trimestre.

“Em mercados mais maduros, com maiores níveis de renda e maior peso do canal off-trade, como o Canadá, a estocagem pelos consumidores resultou em aumento de volume no trimestre”, ressaltou a Ambev. “Quando olhamos para países com mercados de cerveja de baixo/médio nível de maturidade e com menor renda disponível, a tendência de volume varia”.

A cervejaria destacou ainda que, frente às incertezas sobre os efeitos da pandemia, estima-se que os impactos do segundo trimestre serão ainda piores.

“O impacto total da pandemia de COVID-19 em nossos resultados futuros permanece bastante incerto, mas esperamos que o impacto nos nossos resultados do 2T20 seja materialmente pior do que no 1T20. Isso já é evidente em nossos volumes de abril de 2020, que caíram aproximadamente 27% em uma base consolidada.”

TÁ E AÍ

De acordo com a XP Investimentos, a Ambev reportou um EBITDA consolidado do 1T20 melhor do que o esperado, mas os volumes de cerveja no Brasil caíram 11,5% a.a., mais que as estimativas que eram de -8,5% e mais do que a queda esperada de 10% do consenso.

O EBITDA ajustado de R$ 4.232 milhões foi 6% acima da projeção da gestora, estimado em -17% a.a., e a margem EBITDA de 33,6% se compara à nossa de 33,8% e 40,5% no 1T19.

A América Latina (LAS) foi o destaque positivo, compensando os resultados piores do que esperado da América Central e Caribe (CAC) e das bebidas não alcoólicas no Brasil, enquanto Cerveja Brasil e Canadá apresentaram resultados em linha com nossas estimativas.

A XP diz manter recomendação Neutra e espera que as ações permaneçam pressionadas no curto prazo em meio a um cenário incerto.

Não alcoolicas

Para a XP, o segmento de bebidas não alcoólicas Brasil teve resultados mais fracos do que o esperado. Isso porque o volume de bebidas não alcoólicas no Brasil diminuiu -1% a.a., acima da projeção da gestora, de -2%, enquanto os preços médios ficaram -1% abaixo do esperado e estáveis e na comparação anual.

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Dessa forma, a receita líquida ficou em linha com nossas estimativas, sendo -1% a.a.

Segundo a Nielsen, devido aos impactos do coronavírus, os volumes da indústria caíram um dígito médio.

Além disso, o mix de produtos da Ambev foi impactado por uma maior relevância de marcas mais acessíveis.

Finalmente, o EBITDA de R$ 312 milhões ficou abaixo dos nossos R$ 348 milhões, e a margem EBITDA de 29,1% caiu 450 pontos base em relação ao 1T19, uma vez que o SG&A aumentou com a antecipação planejada de investimentos em vendas e marketing para o início do ano.

Internacional

Conforme a XP, os resultados da América Latina foram mais uma vez positivos, com EBITDA de R$ 1.169 milhões acima da nossa estimativa de R$ 844 milhões, sendo -8,1% a.a., principalmente por conta de preços mais altos, visto que a receita operacional líquida por hectolitro cresceu 9,8% a.a., atingindo R$ 334, e volumes ligeiramente melhores que o esperado, em +3,1%.

Anualmente, os volumes cresceram +9,8% a.a., à frente dos pares do setor, e beneficiados por uma base de comparação mais fraca no ano anterior.

Olhando para frente, a Ambev enxerga manutenção do cenário de pressões de custo devido ao câmbio depreciado e ao ambiente inflacionário na Argentina.

O EBITDA do Canadá, de R$ 362 milhões, ficou em linha com nossa estimativa de R$ 365 milhões, em + 10% a.a, com volumes 2,1% acima das nossas estimativas, mas preços -1,1%.

A margem EBITDA ficou em 23,6%, ligeiramente abaixo dos nossos 24% e 179 pontos base abaixo da margem do 1T19, uma vez que os custos permanecem pressionados devido à maior participação de produtos premium no portfólio da região.

De acordo com a Ambev, os volumes foram impactados positivamente (+ 4,3% A/A) devido a uma combinação da estratégia de marcas premium e inovadoras da empresa com os impactos do coronavírus no país, que levou a um movimento de corridas aos supermercados nas primeiras semanas da quarentena no país.

Por fim, o EBITDA da América Central e do Caribe de R$ 523 milhões ficou abaixo das expectativas da XP, de R$ 584 milhões (-9,5% A/A) em função de preços mais baixos do que o esperado (-3,1%, mas + 12,6% a.a.) e volumes mais baixos também (-5,5% vs. XPe e -13,5% A/A).

Como já era esperado, medidas severas de quarentena implementadas na região impactaram negativamente os volumes, que foram apenas parcialmente compensados ​​pelo aumento dos preços. Segundo a Ambev, outras pressões de custos foram sentidas devido à maior participação de produtos importados no portfólio da região.